O Conselho Geral da União Geral de Trabalhadores dos Açores (UGT/Açores), reunido a 30 de Maio de 2026, considera que o atual contexto internacional é marcado por elevada instabilidade geopolítica, desaceleração económica, inflação persistente e crescente competição tecnológica entre as grandes potências. A organização sindical entende que estes fatores, aliados às guerras em curso, às perturbações nas cadeias de abastecimento e aos desafios da transição digital e energética, estão a agravar as preocupações dos trabalhadores.
No plano europeu, a UGT/Açores destaca os desafios da União Europeia para acompanhar o avanço da inteligência artificial e da digitalização, sublinhando a dependência tecnológica face aos Estados Unidos e à China e defendendo a necessidade de reforçar a autonomia estratégica europeia sem comprometer os direitos sociais.
Relativamente a Portugal, a central sindical aponta o aumento do custo de vida, a crise da habitação e a pressão sobre os serviços públicos como principais problemas. Assinala ainda a revisão em baixa das previsões de crescimento económico para 2026, o aumento da inflação e a manutenção de taxas de desemprego próximas dos níveis actuais.
Quanto aos Açores, a UGT reconhece a importância estratégica da Região no Atlântico Norte e o peso crescente do turismo na economia regional, sector que representa cerca de 17% do PIB e 20% do Valor Acrescentado Bruto. Contudo, manifesta preocupação com os sinais de desaceleração da atividade turística, agravados pela saída da Ryanair e pelo cancelamento de seis rotas aéreas.
Entre os indicadores positivos, a organização destaca a taxa de desemprego de 5,4%, inferior à média nacional, a elevada taxa de empregabilidade, o facto de os Açores continuarem a ser a região mais jovem do país, os baixos índices de criminalidade e a qualidade ambiental reconhecida internacionalmente.
Por outro lado, identifica vários problemas estruturais, como a taxa de risco de pobreza de 17,3%, ainda acima da média nacional, a existência de trabalhadores pobres, a elevada privação material severa, o abandono escolar precoce de 21,1%, a desigualdade de rendimentos, a percentagem de jovens sem emprego nem formação e os consumos de substâncias ilícitas entre a população jovem. Perante este cenário, a UGT/Açores defende um conjunto de medidas, entre as quais aumentos salariais superiores a 5%, reforço da negociação colectiva, valorização das carreiras na Administração Pública, combate à precariedade laboral, maior investimento na educação, formação profissional e qualificação, apoio à fixação de jovens qualificados e reforço da fiscalização para combater a fraude laboral e fiscal.
A organização manifesta ainda preocupação com o financiamento das instituições particulares de solidariedade social e misericórdias dos Açores, alertando para os impactos nos serviços prestados à população e nas condições de trabalho de mais de seis mil trabalhadores do sector.
Nas conclusões, a UGT/Açores considera que a conjuntura internacional continua marcada pela incerteza e pela instabilidade, defendendo a continuidade dos processos de valorização salarial e das carreiras na Administração Pública. A central sindical renova igualmente o apelo à sindicalização dos trabalhadores, considerando-a um instrumento fundamental para a defesa dos direitos laborais num contexto de rápidas transformações tecnológicas e económicas.