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Açores lideram reservas para o Verão, mas hotelaria nacional antecipa abrandamento da procura

Os Açores surgem entre os destinos turísticos nacionais com melhor desempenho nas reservas para o Verão de 2026, numa altura em que a hotelaria portuguesa manifesta crescente preocupação quanto à evolução da procura. De acordo com o inquérito “Balanço da Páscoa e Perspectivas para o Verão de 2026”, divulgado pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), 28% dos hoteleiros antecipam uma quebra da taxa de ocupação e da estada média durante a época alta.
Apesar deste cenário, o arquipélago destaca-se entre as regiões com maior volume de reservas já confirmadas para os próximos meses. Os Açores registam taxas de reservas de 79% para Junho, 74% para Julho, 75% para Agosto e 73% para Setembro, ficando apenas atrás da Madeira em Junho e posicionando-se entre os destinos nacionais mais procurados para o Verão.
A leitura dos dados evidencia uma realidade distinta da média nacional. Enquanto a vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, admite que “na globalidade, as perspectivas dos hoteleiros apontam para uma quebra face ao Verão de 2025”, os Açores mantêm níveis de procura robustos, confirmando a consolidação do destino no mercado turístico nacional e internacional.
Ainda assim, os resultados da Páscoa revelaram sinais de abrandamento na região. Entre as nove áreas analisadas pela associação, apenas Açores e Madeira registaram descidas na taxa de ocupação relativamente ao período pascal de 2025. Nos Açores, a ocupação recuou de 69% para 62%.
Segundo Cristina Siza Vieira, a redução da oferta aérea resultante da saída da Ryanair dos Açores ajuda a explicar este desempenho menos favorável. A quebra da ocupação foi acompanhada por uma ligeira redução do preço médio por quarto, que caiu três euros face ao período homólogo do ano passado.
Apesar destes indicadores da Páscoa, as reservas já efectuadas para os meses de verão apontam para uma recuperação significativa da procura turística no arquipélago. Os Açores continuam também a beneficiar da diversificação dos mercados emissores que procuram Portugal, num contexto em que o Reino Unido, Espanha e Estados Unidos permanecem entre os principais mercados internacionais.
A nível nacional, o estudo da AHP revela que muitos empresários contam compensar uma eventual desaceleração da procura através da manutenção ou aumento dos preços. Cerca de 13% dos inquiridos prevê um aumento do preço médio dos alojamentos durante o Verão, embora apenas 8% antecipe um crescimento dos proveitos totais face ao ano passado.
A instabilidade económica e geopolítica internacional é identificada por 71% dos hoteleiros como o principal risco para a atividade durante os próximos meses, seguindo-se o aumento dos custos operacionais e as limitações da capacidade aeroportuária.
O inquérito, realizado entre 27 de abril e 17 de maio junto de 328 empreendimentos turísticos, mostra igualmente uma ligeira deterioração da confiança do sector. O índice médio de confiança dos empresários do turismo desceu para 6,97 pontos em maio, abaixo dos 7,4 registados no início do ano.
Para os Açores, os elevados níveis de reservas já asseguradas para o Verão constituem, contudo, um sinal positivo, num contexto nacional marcado pela prudência e por expectativas menos optimistas quanto à evolução da procura turística.

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