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É urgente investir na certificação CAT III do sistema ILS do Aeroporto João Paulo II, defende a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada

De acordo com nota de imprensa, da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) os acontecimentos registados nos dois últimos fins-de-semana de Maio, que afectaram mais de 175 voos e milhares de passageiros, “voltaram a expor uma fragilidade estrutural da principal infra-estrutura aeroportuária dos Açores”. Para a associação os impactos económicos, sociais e reputacionais “provocados pelos sucessivos cancelamentos e divergências de voos devido ao nevoeiro” não podem continuar a ser encarados como uma inevitabilidade.
Segundo a CCIPD, o Aeroporto João Paulo II, encontra-se actualmente equipado com um “sistema de aterragem por instrumentos (ILS) de Categoria I”, cujos mínimos operacionais se “revelam insuficientes perante fenómenos meteorológicos de baixa visibilidade, como aqueles que frequentemente afectam a ilha de São Miguel.”
Os prejuízos decorrentes da interrupção da operação aérea “são significativos e atingem transversalmente todo o ecossistema económico regional: passageiros, empresas, unidades hoteleiras, operadores turísticos, rent-a-cars, exportadores, transportadoras, agentes de viagem e as próprias companhias aéreas”, salientou a Câmara do Comércio que frisou também que, a estes impactos “acresce um dano difícil de quantificar, mas igualmente relevante: a deterioração da imagem e da reputação do destino Açores junto dos mercados emissores internacionais.”
Para a CCIPD, num arquipélago ultraperiférico e fortemente dependente da conectividade aérea, “a resiliência operacional não pode assentar exclusivamente na capacidade de recuperação após eventos disruptivos”, sendo que a verdadeira resiliência “exige, antes de mais, a implementação de soluções que reduzam a probabilidade de ocorrência desses mesmos eventos e minimizem os seus impactos.”
Neste contexto, para a CCIPD, torna-se “imperativo que a ANA – Aeroportos de Portugal promova, com carácter prioritário, todos os investimentos necessários nas infra-estruturas de pista, sistemas de iluminação e restantes requisitos técnicos, e que a – NAV Portugal promova, com carácter urgente o investimento no equipamento de navegação, que permitam a certificação do sistema ILS da pista 30 do Aeroporto João Paulo II para Categoria III”, uma vez que um “sistema ILS CAT III permite operações de aterragem em condições de visibilidade extremamente reduzida, próximas de zero, constituindo hoje uma solução amplamente utilizada em aeroportos internacionais sujeitos a fenómenos meteorológicos adversos”. Sendo este um investimento estratégico “na fiabilidade da operação aérea, na competitividade da economia regional e na confiança dos passageiros, de especial relevância numa região arquipelágica e ultraperiférica como os Açores.”
A CCIPD recorda ainda que perante os desafios operacionais semelhantes decorrentes, neste caso, dos ventos fortes no Aeroporto da Madeira, “a NAV Portugal investiu recentemente num novo sistema LIDAR e RADAR de banda X que permite detectar de forma mais precisa, detalhada e em tempo real, as condições de turbulência e fenómenos de vento adverso na Madeira, com alertas em tempo real para as tripulações, factores essenciais para que os pilotos possam evitar situações inesperadas nas fases mais críticas de voo e assim tomar decisões mais informadas e atempadas, aumentando a confiança e previsibilidade das operações e a satisfação e segurança dos passageiros.”
“Os Açores não podem continuar expostos a interrupções operacionais desta dimensão sempre que ocorram episódios de nevoeiro intenso. A conectividade aérea é um activo estratégico para a Região e exige infra-estruturas à altura dos desafios actuais e futuros”, defendeu a organização que salientou ainda que o investimento na certificação CAT III do ILS do Aeroporto João Paulo II deixou de ser uma opção e tornou-se numa “necessidade urgente para a mobilidade dos açorianos, para a sustentabilidade do turismo, para a competitividade das empresas e para a credibilidade internacional dos Açores enquanto destino de excelência”, concluía a nota.

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