O preço das casas à venda em Portugal atingiu um novo máximo histórico em maio, após uma subida homóloga de 10,2%, refletindo a crescente pressão sobre o mercado habitacional nacional. De acordo com os mais recentes dados do índice de preços do Idealista, o custo mediano da habitação fixou-se nos 3.142 euros por metro quadrado, marcando o sétimo mês consecutivo de recordes.
A valorização do mercado residencial continua a ser impulsionada pelo desequilíbrio entre a procura e a oferta, agravado pela escassez de habitação disponível a preços acessíveis. Em comparação com o trimestre anterior, os preços aumentaram 2,4%.
Nas capitais de distrito e regiões autónomas analisadas, os preços das habitações registaram aumentos em todas as cidades. As maiores subidas anuais ocorreram em Santarém (30,9%), Portalegre (28,2%), Beja (23,6%), Bragança (23,1%), Coimbra (22,3%) e Viseu (22,1%).
Nos Açores, Ponta Delgada acompanhou a tendência de valorização, registando uma subida homóloga de 10,5% nos preços das casas à venda. O preço mediano na cidade atingiu os 2.401 euros por metro quadrado, colocando-a entre os mercados urbanos mais valorizados do país, à frente de cidades como Viana do Castelo e Braga.
Lisboa mantém-se como a cidade mais cara para adquirir habitação, com um preço mediano de 6.124 euros por metro quadrado, seguida pelo Porto (4.064 euros/m2), Funchal (3.863 euros/m2) e Faro (3.792 euros/m2).
A análise territorial revela igualmente uma forte valorização do mercado habitacional nos distritos e ilhas portuguesas. Dos 25 territórios avaliados, apenas a ilha do Faial contrariou a tendência nacional, registando uma descida de 3,7% nos preços. Em sentido inverso, a ilha de Porto Santo liderou os aumentos, com uma valorização de 26,8%, seguida da ilha Terceira (26,3%) e do distrito de Santarém (25,6%).
Em São Miguel, a subida anual dos preços das casas foi de 7,5%, abaixo da média nacional, mas suficiente para consolidar a trajetória ascendente do mercado imobiliário micaelense. O preço mediano na ilha atingiu os 2.284 euros por metro quadrado, tornando-a o sétimo território mais caro do país para comprar habitação.
Também outras ilhas açorianas apresentaram aumentos significativos. A ilha Terceira destacou-se com uma valorização de 26,3%, enquanto São Jorge registou uma subida de 16,2% e o Pico de 11,4%. O Faial foi a única exceção no arquipélago, apresentando uma redução dos preços.
Ao nível regional, o Alentejo liderou a subida dos preços da habitação, com uma valorização anual de 19,9%, seguido pela região Centro (15,4%) e pela Região Autónoma dos Açores (12,7%). O Algarve registou uma subida de 10,7%, a Área Metropolitana de Lisboa de 9,2% e a Região Autónoma da Madeira de 9,1%. O Norte apresentou o crescimento mais moderado, com 8,2%.
Apesar da forte valorização registada nos Açores, a região continua entre as mais acessíveis do país, com um preço mediano de 2.017 euros por metro quadrado, apenas acima da região Centro, que mantém o valor mais baixo a nível nacional. Os dados reforçam a tendência de encarecimento da habitação em todo o território português, num contexto marcado pela insuficiência da oferta residencial e pela persistente pressão da procura, fatores que continuam a dificultar o acesso à compra de casa, desde logo para as famílias de rendimentos médios e baixos.
No arrendamento, os Açores registaram a maior subida das rendas de habitação em Portugal nos últimos 12 meses, contrariando a tendência nacional de descida dos preços do arrendamento. Dados divulgados pelo idealista revelam que a Região Autónoma dos Açores apresentou um aumento homólogo de 12,5% em maio, a maior valorização entre as sete regiões do país analisadas.
A nível nacional, os preços das casas para arrendar recuaram 2,9% em maio face ao mesmo mês de 2025, fixando-se nos 16,3 euros por metro quadrado. Trata-se do quarto mês consecutivo de descidas, depois de quedas de 1,9% em janeiro, 1,4% em fevereiro, 1,2% em março e 2,7% em abril, sinalizando uma inversão da trajetória de crescimento que marcou os últimos anos.
Apesar deste abrandamento do mercado nacional, os Açores continuam a evidenciar uma forte pressão no segmento do arrendamento. O preço mediano regional atingiu os 11,4 euros por metro quadrado, mantendo a região entre as mais acessíveis do país, apenas acima do Centro, mas registando simultaneamente a maior taxa de crescimento anual.
A realidade açoriana é também visível na análise por ilhas. Em São Miguel, os preços das casas para arrendar aumentaram 6,1% nos últimos 12 meses, alcançando um valor mediano de 11,5 euros por metro quadrado. Este nível coloca a maior ilha do arquipélago entre os territórios com rendas mais elevadas fora dos grandes centros urbanos nacionais.
Em Ponta Delgada, principal mercad habitacional dos Açores, a subida foi ainda mais expressiva. A capital açoriana registou um aumento anual de 8,1%, igualando Évora entre as capitais de distrito e regiões autónomas com maior valorização. Os números agora divulgados confirmam que, apesar do arrefecimento do mercado nacional de arrendamento, a pressão sobre a oferta habitacional nos Açores continua a refletir-se nos preços, mantendo o arquipélago como a região portuguesa onde as rendas mais cresceram ao longo do último ano.