Após catorze anos de invisibilidade pública, a notável coleção reunida por Francisco Ernesto de Oliveira Martins (1930–2012) volta a estar acessível ao público através da exposição Coleção Francisco Ernesto de Oliveira Martins – Um percurso sentimental, que foi inaugurada ontem, dia 8 de junho de 2026, no Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo.
A exposição é promovida pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e resulta de uma parceria com os herdeiros do colecionador, contando com a coordenação científica e curatorial de Maria Manuel Velásquez Ribeiro.
Francisco Ernesto de Oliveira Martins foi uma das personalidades mais relevantes da cultura açoriana contemporânea. Colecionador, investigador e divulgador incansável do património regional, dedicou grande parte da sua vida à recolha, estudo e preservação de obras de arte e objetos históricos que testemunham cerca de seis séculos da história dos Açores. A sua coleção integra peças de excecional valor histórico e artístico, incluindo mobiliário açoriano, imaginária religiosa, arte sacra, marfins, porcelanas orientais, faiança, pintura e outras expressões das artes decorativas.
Reconhecido pelo seu contributo para o estudo da arte açoriana, Francisco Ernesto de Oliveira Martins foi autor de numerosas obras de referência, entre as quais Subsídios para o Inventário Artístico dos Açores (1980), Mobiliário Açoriano – Elementos para o seu Estudo (1981), A Escultura nos Açores (1983), Arte Flamenga nos Açores (1991) e Os Açores nas Rotas dos Marfins e das Porcelanas Orientais (1995). Foi igualmente pioneiro na identificação e valorização do chamado mobiliário “indo-açoriano”, importante contributo para o conhecimento da história das artes decorativas nos Açores.
Ao longo da sua vida, a sua Casa-Museu em Angra do Heroísmo tornou-se um espaço de referência cultural, recebendo investigadores, estudiosos, personalidades da vida pública e visitantes de todas as origens, unidos pelo interesse comum pela história e património açorianos.
A exposição agora apresentada reúne uma seleção deste espólio e propõe um percurso pela evolução artística, cultural e histórica dos Açores, revelando simultaneamente o olhar, a sensibilidade e o trabalho de investigação que marcaram a vida do colecionador. O conceito expositivo assenta na ideia de “coleção-laboratório”, expressão frequentemente utilizada para caracterizar o modo como Francisco Ernesto de Oliveira Martins utilizava a própria coleção como instrumento de estudo, interpretação e redescoberta do património açoriano.
Mais do que uma homenagem à memória do colecionador, a reabertura pública deste acervo representa um importante contributo para a valorização do património cultural açoriano e para o reforço da oferta cultural de Angra do Heroísmo, Património Mundial da UNESCO.
Segundo Maria Manuel Velasquez Ribeiro, curadora da exposição, “a curadoria da exposição dedicada à coleção de Francisco Ernesto de Oliveira Martins foi um desafio, tal a quantidade, diversidade e qualidade das peças que a integram. Foi necessário selecionar, optar por umas e prescindir de outras, mas, apesar disso, poder contribuir para que um expressivo conjunto de bens, que ilustram o longo processo da História açoriana, seja revisitado e apreciado, valeu a pena”.
Para Fátima Amorim, Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, “esta exposição representa muito mais do que a apresentação de um valioso conjunto de peças patrimoniais. É um tributo à visão, ao rigor e à paixão de Francisco Ernesto de Oliveira Martins, cuja dedicação ao estudo e à preservação do património açoriano deixou uma marca profunda. Para o Município de Angra do Heroísmo, é uma honra acolher esta mostra e contribuir para que este extraordinário legado volte a estar acessível ao público. Ao abrir estas portas, estamos também a abrir uma janela para a nossa história. Convidamos todos os angrenses, açorianos e visitantes a descobrir este percurso sentimental, que é também um percurso pela riqueza cultural do nosso arquipélago”.
A exposição poderá ser visitada a partir de hoje, 9 de junho de 2026, no Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo, entre as 10h00 e as 12h00 e as 13h00 e as 15h00 dos dias úteis, constituindo uma oportunidade única para redescobrir um dos mais importantes acervos privados alguma vez reunidos nos Açores.
