A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) defendeu esta terça-feira a necessidade de uma reflexão estratégica sobre a arquitectura operacional da rede aérea regional dos Açores, na sequência das perturbações provocadas pelas condições meteorológicas registadas entre 31 de Maio e 4 de Junho no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada.
Segundo a associação empresarial, os constrangimentos operacionais associados ao nevoeiro terão gerado custos directos de irregularidade operacional superiores a 1,5 milhões de euros, evidenciando vulnerabilidades estruturais no atual modelo de funcionamento da rede inter-ilhas.
Em comunicado divulgado em Angra do Heroísmo, a CCIAH sustenta que a meteorologia constitui uma realidade recorrente no arquipélago e que o principal desafio não reside na ocorrência destes fenómenos, mas sim na capacidade do sistema para lhes responder de forma eficaz.
A posição da câmara empresarial apoia-se numa análise técnica independente elaborada pela Fundação Açoreana – Da Silva Fernandes, estudo que, segundo a entidade, foi remetido para a tutela da transportadora aérea regional, para a administração da companhia, para a presidência e vice-presidência do Governo Regional dos Açores e para os grupos parlamentares com assento na Assembleia Legislativa Regional.
De acordo com a CCIAH, a concentração da operação aérea regional em torno de um único centro operacional cria vulnerabilidades que se tornam particularmente evidentes quando esse ponto enfrenta limitações significativas. A associação refere que, durante os cinco dias de perturbações em Ponta Delgada, vários aeroportos do arquipélago mantiveram condições operacionais, defendendo que o problema resultou sobretudo da dependência da rede relativamente a um único ponto de concentração.
A análise citada identifica cerca de 800 horas anuais de operação da SATA Air Açores que existirão, segundo os autores do estudo, para garantir a coerência logística de uma rede centralizada e não para responder directamente à procura efectiva de transporte de passageiros.
Como solução, a CCIAH propõe a criação faseada de uma “Light Operational Base” na ilha Terceira. A associação estima que essa estrutura permitiria eliminar parte das ineficiências operacionais existentes, gerando poupanças anuais entre dois e 2,6 milhões de euros. Considerando custos de funcionamento entre 400 mil e 800 mil euros por ano, o benefício líquido poderá situar-se entre 1,2 e 2,2 milhões de euros anuais.
A organização empresarial sublinha ainda que uma configuração operacional mais distribuída poderá reduzir em cerca de 20% a probabilidade de atrasos significativos no final do dia operacional, aumentando a capacidade de recuperação da rede após situações disruptivas.
O documento destaca igualmente a importância de reforçar os sistemas de observação e informação meteorológica nos aeroportos açorianos. Segundo a CCIAH, a inexistência ou insuficiência desses dados limita a utilização de infraestruturas alternativas e contribui para aumentar a dependência de um número reduzido de aeroportos.
A associação esclarece que a proposta não visa transferir o centro da operação aérea regional nem criar estruturas de grande dimensão, mas antes introduzir mecanismos de redundância operacional que reforcem a robustez do sistema de transporte aéreo num arquipélago fortemente dependente da aviação para assegurar a continuidade territorial.
Para a CCIAH, o debate sobre o futuro da rede aérea regional deve centrar-se não apenas na eficiência operacional, mas também na capacidade de garantir o serviço aos açorianos em períodos de perturbação meteorológica ou operacional.
