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Visit Azores quer combater sazonalidade e atrair “o turista certo” para o arquipélago

O novo presidente da Visit Azores, Nuno Leandro, quer reposicionar os Açores num segmento turístico de maior qualidade e rentabilidade, combater a sazonalidade, reforçar a ligação ao sector privado e diversificar mercados emissores, defendendo que o arquipélago deve ser promovido como um destino coeso, sustentável e capaz de atrair visitantes durante todo o ano.
Em entrevista ao TNews, publicada a 5 de Junho, Nuno Leandro, há cerca de um mês à frente da entidade responsável pela promoção turística dos Açores, afirmou que pretende uma Visit Azores “ágil, profissional, analítica e focada em resultados”, capaz de actuar como “uma verdadeira ferramenta de inteligência de mercado para o destino”, com acções promocionais assentes em dados concretos. “Acima de tudo, queremos uma Visit Azores que funcione lado a lado com os agentes do sector, comunicando uma identidade ‘Açores’ coesa, premium e autêntica”, declarou o responsável, sublinhando que a promoção externa deve apresentar o arquipélago como um todo. “São nove ilhas e todas trabalham em simultâneo. Temos de comunicar os Açores como um todo e não cada ilha per si, ou seja, promovermos uma coesão acima de tudo”, acrescentou.
Com mais de duas décadas de experiência na hotelaria, Nuno Leandro regressa aos Açores depois de ter liderado o Pestana Bahia Praia Nature & Beach Resort, em São Miguel.
Ao TNews, classificou o regresso como “um privilégio pessoal e uma enorme responsabilidade profissional”, defendendo que a sua experiência na gestão e promoção internacional de unidades hoteleiras pode ser colocada ao serviço da estratégia turística regional.
“As nossas grandes prioridades passam por valorizar e reposicionar o destino num segmento de maior qualidade e rentabilidade”, explicou, apontando também como objectivos “atenuar a sazonalidade através da promoção de produtos específicos que podem ser consumidos durante todo o ano”, diversificar mercados emissores “para não estarmos dependentes de uma ou duas geografias” e consolidar os Açores “como a referência mundial em turismo de natureza e sustentabilidade”.
A estratégia, segundo o presidente da Visit Azores, deverá passar por “campanhas muito direccionadas e segmentadas”, pelo reforço do marketing digital e por parcerias com operadores especializados e companhias aéreas, com o objectivo de captar rotas e fluxos turísticos nas épocas de menor procura. “Não precisamos de colocar mais pressão turística em alturas como Julho e Agosto, porque já estão vendidas. Temos é de conseguir captar para os restantes meses”, afirmou.
Nuno Leandro defendeu ainda a promoção de nichos de maior valor acrescentado, como o turismo de aventura, o turismo de bem-estar e a oferta cultural e gastronómica, que considera complementares à natureza, principal activo turístico do arquipélago. “Não queremos um turismo massificado. Queremos um turismo sustentável e que quem visite os Açores leve um pouco da sua experiência”, sublinhou.
A relação com os empresários surge como outro eixo central da nova fase da Visit Azores. O responsável considerou “absolutamente vital” a ligação ao sector privado, lembrando que “o turismo não se decreta; constrói-se diariamente por quem investe, gera emprego, opera no terreno e recebe os visitantes”. Para Nuno Leandro, “qualquer estratégia de promoção só terá sucesso se for construída em diálogo com os empresários”, porque são estes que conhecem “os desafios das vendas e as dificuldades da operação”.
Na entrevista ao TNews, o presidente da Visit Azores apontou a qualificação da oferta e a formação dos recursos humanos como factores decisivos para reforçar a competitividade do destino. “Para continuarmos competitivos a nível global, temos de apostar incessantemente na qualificação da nossa oferta e na formação dos nossos recursos humanos”, afirmou, defendendo também melhorias nas acessibilidades, entre ilhas e para o exterior, bem como avanços na inovação e na transição digital.
Ainda assim, Nuno Leandro rejeita uma estratégia assente apenas no aumento do número de visitantes. “O desafio não é trazer mais pessoas a qualquer custo, mas atrair o turista certo, que valoriza o que temos para oferecer e contribui positivamente para o território”, frisou.
A privatização da Azores Airlines é vista pela Visit Azores como uma oportunidade para reforçar a conectividade aérea do arquipélago. “Numa região arquipelágica, a conectividade aérea é a espinha dorsal de todo o desenvolvimento turístico”, afirmou Nuno Leandro, manifestando a expectativa de que o processo seja rápido e traga “maior robustez financeira à companhia” e uma “visão estratégica e eficiente na gestão de rotas e na conectividade global do destino”.
“Precisamos de uma Azores Airlines forte e competitiva, capaz de responder de forma ágil às oportunidades de novos mercados. O sucesso do turismo nos Açores continuará sempre fortemente interligado com a capacidade e o sucesso da operação aérea”, acrescentou.
Sem identificar mercados prioritários, o responsável deu como exemplo os países nórdicos, lembrando que, durante o pico do Inverno, essas geografias podem atingir temperaturas entre 15 e 20 graus negativos, enquanto os Açores apresentam condições climatéricas mais favoráveis.
Nuno Leandro destacou igualmente a localização estratégica do arquipélago, “a quatro horas de distância de avião dos Estados Unidos, a cinco horas de distância do Canadá e entre duas a cinco horas da Europa”, considerando que estes argumentos devem ser mais promovidos junto de companhias aéreas e mercados internacionais.
Num contexto internacional marcado por incerteza geopolítica, o presidente da Visit Azores diz olhar para o futuro com “optimismo realista”. “Os desafios globais são evidentes e afectam o comportamento dos consumidores a nível mundial. No entanto, os Açores possuem um ‘refúgio natural’ que responde exactamente ao que o turista contemporâneo procura em tempos de incerteza: um destino seguro, sustentável, sem os problemas do turismo de massas e com um contacto íntimo com uma natureza intocada”, afirmou.
No final do mandato, Nuno Leandro diz querer deixar uma Visit Azores “altamente profissionalizada, próxima do tecido empresarial e reconhecida como um modelo de excelência na promoção turística em Portugal”. Mais do que isso, acrescentou, pretende contribuir para colocar o destino Açores “num patamar de maturidade onde a rentabilidade para as empresas seja consistente, a sazonalidade seja uma questão minimizada, e onde a população local sinta e reconheça o turismo como uma força verdadeiramente positiva e regenerativa para a sua qualidade de vida”.

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