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Insolvências recuam em Portugal, mas criação de empresas abranda, enquanto os Açores mostram sinais contraditórios

As insolvências empresariais em Portugal registaram uma descida homóloga de 16% no mês de maio, confirmando uma tendência de redução observada desde o início do ano. No entanto, o cenário económico nacional continua a revelar fragilidades, com uma quebra expressiva de 24% na criação de novas empresas durante o mesmo período. Nos Açores, os indicadores mostram uma realidade assimétrica: enquanto Ponta Delgada regista uma redução nas insolvências, Angra do Heroísmo apresenta uma das maiores subidas percentuais do país.
Dados divulgados pela Iberinform revelam que, em maio, foram declaradas insolventes 165 empresas em território nacional, menos 32 do que no mesmo mês de 2025. No acumulado entre janeiro e maio, o número total de insolvências declaradas caiu 15%, o equivalente a menos 131 empresas face ao período homólogo.
A diminuição foi particularmente acentuada nas insolvências apresentadas pelas próprias empresas, que recuaram 29%, menos 113 processos. Já as insolvências requeridas por terceiros registaram uma redução mais moderada de 5,6%, correspondendo a menos 18 processos.

Açores com comportamentos
distintos entre ilhas

Nos Açores, os números evidenciam trajetórias divergentes entre os dois principais polos económicos do arquipélago.
Angra do Heroísmo surge entre os distritos com maior agravamento das insolvências a nível nacional, registando uma subida de 200% face ao mesmo período do ano passado, representando o crescimento mais acentuado em Portugal.
Em sentido inverso, Ponta Delgada apresentou uma redução de 25% no número de insolvências declaradas, integrando o grupo dos distritos com melhor evolução neste indicador. O dado sugere maior resiliência do tecido empresarial micaelense num contexto económico nacional ainda marcado por incertezas.

Lisboa, Porto e Braga continuam a liderar insolvências

A nível nacional, os maiores volumes absolutos de insolvências continuam concentrados em Lisboa, com 172 processos, Porto com 143, e Braga com 106 insolvências declaradas.
Apesar destes valores, o Porto registou uma quebra significativa de 37%, enquanto Braga desceu 10%. Já Lisboa manteve praticamente estabilidade, com uma ligeira subida de 0,6%.

Nenhum sector económico apresenta agravamento

Até maio de 2026, nenhum setor de atividade económica registou crescimento nas insolvências, verificando-se uma tendência generalizada de redução ou estabilização.
As quedas mais expressivas ocorreram na indústria extrativa, com redução total de 100%, seguida da agricultura, caça e pesca, que recuou 44%. Também os setores das telecomunicações, comércio a retalho e comércio por grosso registaram reduções significativas de 33%, 30% e 22%, respetivamente.

Processos encerrados
aumentam no acumulado anual

Apesar da descida nas novas insolvências, o número de processos encerrados continua a aumentar. Entre janeiro e maio foram concluídos 1101 processos, mais 8,9% do que no mesmo período de 2025.
Os processos encerrados com plano de insolvência aprovado cresceram 69%, traduzindo-se em mais 31 empresas abrangidas. No total das ações, a Iberinform assinala um crescimento global de 13%.

Criação de empresas cai
e revela travagem económica

Em contraciclo com a redução das insolvências, a criação de novas empresas registou uma quebra significativa.
Em maio foram constituídas apenas 3684 novas sociedades em Portugal, menos 24% do que no mesmo mês de 2025, quando tinham sido criadas 4853 empresas.
No acumulado anual, a constituição de empresas apresenta uma descida de 4,1%.
Lisboa continua a liderar este indicador com 7300 novas sociedades constituídas até maio, apesar de uma quebra de 2,2%. Seguem-se Porto com 4234 novas empresas e Setúbal com 1901.
Entre os poucos territórios com crescimento positivo na criação de empresas destaca-se novamente Angra do Heroísmo, que registou uma subida de 7,7%, contrariando a tendência nacional de desaceleração.

Economia açoriana entre
estabilidade e sinais de pressão

Os dados mais recentes permitem traçar um retrato económico misto nos Açores.
Se por um lado Ponta Delgada evidencia uma redução relevante das insolvências empresariais, sinalizando maior estabilidade do principal centro económico regional, por outro Angra do Heroísmo apresenta um aumento expressivo de empresas insolventes.
Ao mesmo tempo, o crescimento na criação de novas empresas em Angra do Heroísmo demonstra que o dinamismo empresarial açoriano continua presente, embora acompanhado por sinais de maior vulnerabilidade em parte do tecido económico regional.
O retrato nacional aponta assim para uma economia onde menos empresas encerram atividade, mas onde também menos empresários estão a avançar com novos projetos, um indicador que poderá refletir prudência crescente perante o atual contexto económico.

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