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José Manuel Bolieiro afirma que “apoios à agricultura protegem uma economia real e produtiva”

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu ontem à cerimónia de abertura da Feira Agrícola Açores 2026, realizada no Pavilhão Multiusos da Vinha Brava, na ilha Terceira, destacando a agricultura como um sector estratégico para o desenvolvimento económico, a coesão social e a afirmação da identidade açoriana.
Perante produtores, empresários, dirigentes associativos e demais agentes do sector, José Manuel Bolieiro sublinhou a importância da feira enquanto espaço de encontro entre todos os intervenientes da cadeia de valor agrícola, desde a produção à transformação e à distribuição.
“Esta é uma oportunidade para reunir os Açores, reunir a produção, a transformação e a distribuição em torno de um sector que tem uma cadeia de valor extraordinária para a nossa economia e para aquilo que fazemos nos Açores”, afirmou.
O governante defendeu que a criação de riqueza continua a ser condição essencial para o desenvolvimento económico e social, valorizando o papel do trabalho na construção de uma sociedade mais próspera.
“Não é possível distribuir riqueza sem primeiro a criar. Não é possível dignificar a vivência humana sem trabalho, quer na sua dimensão individual, quer colectiva. O potencial da nossa natureza só se concretiza plenamente quando associado ao trabalho, ao conhecimento e à capacidade de inovar”, frisou.
O líder do executivo açoriano enalteceu ainda o papel do associativismo agrícola açoriano, considerando-o um “parceiro social indispensável” para o progresso do sector e para a construção de soluções que respondam aos desafios actuais.
“O associativismo agrícola afirmou-se como um parceiro social relevante. Em cada associação, em cada ilha e em todo o arquipélago, louvo a capacidade de trabalho, a procura de soluções e a associação de inteligências que acompanha a dimensão da nossa ambição colectiva”, salientou.
O Presidente do Governo lembrou que a agricultura açoriana representa muito mais do que a produção de alimentos, constituindo um elemento essencial da cultura e da identidade regional.
“A agricultura é também cultura e identidade açoriana. Ninguém imaginaria visitar os Açores sem encontrar uma agricultura viva, capaz de contribuir para a autonomia alimentar das nossas ilhas e para a preservação da nossa autenticidade”, referiu.
Neste contexto, associou a agricultura aos valores de coesão social, sustentabilidade e autenticidade que a Marca Açores procura afirmar dentro e fora da Região.
José Manuel Bolieiro destacou igualmente a capacidade do sector para atrair e fixar talento, considerando que a agricultura açoriana reúne condições para criar oportunidades de futuro e gerar valor para residentes e visitantes.
“Temos qualidade, temos excelência e temos capacidade para continuar a atrair pessoas para os Açores, valorizando os nossos recursos e criando oportunidades para as novas gerações”, afirmou.
Durante a sua intervenção, o governante destacou os resultados alcançados pelo sector agrícola, sublinhando que a sua importância para a economia regional é comprovada pela evolução do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da agricultura e das agro-indústrias.
Segundo referiu, o VAB agrícola atingiu em 2024 o valor mais elevado dos últimos 30 anos, fixando-se nos 354 milhões de euros, demonstrando a crescente relevância do sector para a economia açoriana.
José Manuel Bolieiro assinalou também o trabalho desenvolvido entre o Governo dos Açores e a Federação Agrícola dos Açores para garantir igualdade de tratamento aos agricultores açorianos no acesso a apoios nacionais.
“Foi possível reverter uma injustiça que estava a ser criada relativamente aos agricultores dos Açores, que estavam a ser excluídos de apoios nacionais. Hoje, por força da nossa capacidade reivindicativa, os agricultores açorianos estão incluídos nos apoios nacionais aos fertilizantes e à energia, o que é de total justiça”, destacou.
No âmbito das políticas públicas para o sector, o Presidente do Governo reafirmou o compromisso do executivo açoriano em garantir equilíbrio em toda a cadeia de valor alimentar, compensando os sobrecustos inerentes à condição arquipelágica e protegendo simultaneamente os consumidores.
“O principal beneficiário destas medidas é o consumidor e a economia regional, garantindo que os produtos chegam à mesa dos açorianos a preços comportáveis, sem comprometer a sustentabilidade da produção”, afirmou.
O governante destacou igualmente o investimento na investigação, na inovação e na segurança alimentar, áreas fundamentais para reforçar a competitividade e a excelência da produção regional.
José Manuel Bolieiro anunciou ainda que, desde o passado dia 1 de Junho, estão abertas as candidaturas à reconversão de explorações de produção de leite para produção de carne bovina nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, medida destinada a diversificar a actividade agrícola e a reforçar a resiliência do sector.
Foi também anunciada a abertura, durante o mês de Julho, das candidaturas ao apoio às sementes de milho e sorgo referentes à campanha de 2025, com uma majoração de 30%, em resposta às intempéries verificadas ao longo do ano.
Esta medida tem contribuído para o crescimento da produção regional de milho forrageiro, tendo os Açores alcançado em 2025 uma área recorde de 14.500 hectares dedicados a esta cultura, reforçando a auto-suficiência alimentar animal e reduzindo a dependência de importações.
Relativamente ao Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), o Presidente do Governo destacou a forte adesão dos agricultores açorianos aos programas de investimento disponibilizados.
O primeiro período de candidaturas, decorrido entre Dezembro de 2025 e Janeiro de 2026, permitiu aprovar apoios no valor de quatro milhões de euros para um investimento global superior a 5,1 milhões de euros, abrangendo projectos nas áreas da bovinicultura de leite e de carne, fruticultura, vitivinicultura e horticultura.
José Manuel Bolieiro anunciou ainda a abertura, durante o próximo mês de Julho, de candidaturas para apoio à florestação de terras agrícolas e instalação de cortinas de abrigo, num montante global de 3 milhões de euros.
“Trata-se de uma oportunidade para aumentar a área florestal dos Açores, promovendo simultaneamente a sustentabilidade ambiental das explorações agrícolas e apoiando os produtores durante os primeiros anos deste investimento”, explicou.
A concluir, o Presidente do Governo dos Açores defendeu a necessidade de garantir que os apoios nacionais destinados ao sector agrícola sejam efectivamente extensíveis à Região.
“As ajudas nacionais têm de ser para todo o território nacional. Temos vindo a reivindicar junto do Governo da República que os Açores sejam incluídos nesses apoios. Não estamos a criar uma economia de dependência, mas sim a proteger uma economia real, produtiva, geradora de riqueza, emprego e desenvolvimento para os Açores”, concluiu.
Na cerimónia estiveram igualmente presentes o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, o Presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, o Presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, José Azevedo, o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Guido Teles e a Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, entre outras entidades ligadas ao sector agrícola açoriano.

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