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Director-geral da Autoridade Marítima aponta Açores como ponto-chave nas rotas atlânticas

O Director-geral da Autoridade Marítima Nacional, Nuno Chaves Ferreira, defendeu que os Açores ocupam uma posição central na estratégia atlântica de Portugal, considerando o arquipélago como “a grande rotunda do Atlântico”, numa imagem usada para sublinhar o papel das ilhas na articulação das principais rotas marítimas do espaço atlântico.
Segundo o Diário do Notícias da Madeira, Nuno Chaves Ferreira falava no segundo painel do último dia da Grande Conferência do Mar do Jornal Económico do Mar, que decorreu na Madeira, no Hotel Pestana Casino Park. Uma iniciativa que reuniu, ao longo de dois dias, especialistas, decisores políticos, académicos e empresários para debater alguns dos principais desafios e oportunidades ligados ao mar, incluindo a economia azul, a inovação, a ciência e investigação, os transportes marítimos e a geopolítica atlântica.
Na intervenção, o Director-geral da Autoridade Marítima Nacional enquadrou a importância estratégica dos arquipélagos portugueses no Atlântico, defendendo que as regiões autónomas são determinantes para a vigilância, organização e projecção da presença portuguesa no mar. A partir da imagem dos Açores como ponto de cruzamento e articulação das rotas atlânticas, Nuno Chaves Ferreira destacou a dimensão operacional e geopolítica das ilhas para a afirmação nacional no espaço marítimo.
“O desenvolvimento económico não existe sem segurança”, afirmou o Director-geral da Autoridade Marítima Nacional, de acordo com a notícia avançada pelo Diário dos Notícias da Madeira. Nuno Chaves Ferreira considerou a vigilância marítima um pilar estrutural da estratégia nacional. A presença portuguesa no Atlântico não pode ser pensada apenas numa lógica económica ou simbólica, mas deve assentar numa capacidade efectiva de conhecer, vigiar e proteger os espaços marítimos sob responsabilidade nacional.
O responsável rejeitou ainda uma leitura fragmentada do oceano, defendendo que o Atlântico deve ser entendido como um único espaço estratégico. “O Oceano Atlântico é um só”, referiu, acrescentando que as divisões entre Atlântico Norte e Atlântico Sul são sobretudo de natureza política. Esta visão reforça, no seu entender, a relevância dos Açores, pela sua localização e pela sua função de charneira entre geografias, rotas e interesses estratégicos.
Nuno Chaves Ferreira sustentou que a afirmação de Portugal no Atlântico deve assentar em três pilares fundamentais: presença, conhecimento e cooperação. No primeiro domínio, defendeu o reforço de meios humanos e tecnológicos, incluindo navios, aeronaves, sistemas não tripulados e capacidades de vigilância electrónica e acústica.
No plano do conhecimento, destacou o papel dos dados, da informação e da inteligência artificial na transformação da vigilância marítima em capacidade de decisão. Já no domínio da cooperação, apontou a articulação entre entidades nacionais e internacionais como essencial no combate a ameaças como o narcotráfico, a pesca ilegal e a poluição marinha.
O Director-geral da Autoridade Marítima Nacional alertou também para os desafios associados à crescente centralização das políticas marítimas no contexto europeu, defendendo a necessidade de equilíbrio entre integração e autonomia nacional. “Portugal tem de decidir se afirma a sua autonomia e projecção atlântica ou se aceita uma lógica em que outros fazem a vigilância e a defesa por nós”, afirmou.
No final da intervenção, o Diário de Notícias da Madeira, refere, que Nuno Chaves Ferreira sublinhou que a afirmação de Portugal no Atlântico deve igualmente passar pela valorização da cultura e da história marítima, entendidas como instrumentos de projecção internacional, mas também pelo reforço da capacidade nacional de conhecer e proteger os seus espaços marítimos.

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