Obsessões
Perseguição diabólica esta, de toda a comunicação social ir em permanência ao encontro das megacefalias de Donald Trump, seguindo a rede mediática que ele manipula. Mesmo sabendo que é um mentiroso invertebrado, narcisista com enormes psicopatias visuais, já condenado por diversos crimes sexuais e outros pendentes e que ele evita imiscuindo-se descaradamente no Departamento de Justiça dos EUA, num desprezo público constante pelos princípios do Estado de Direito, Direitos Humanos, Liberdade de Expressão e de Género bem como golpeando sem piedade a Democracia Parlamentar americana.
Esta dececionante personagem que o obsoleto sistema eleitoral americano trouxe dolorosamente à tona do aquário político mundial, está cada vez mais em vias de provocar distúrbios nucleares, com outros parceiros bélicos e agressivos como sejam os atuais líderes da Coreia do Norte, da Rússia, do Irão e de Israel. Todos ambicionando ficar eternamente num poder desproporcionado, com grande sofrimento dos respetivos povos. Alguns destes loucos têm mandato internacional de detenção em qualquer país – casos de Benjamin “Bibi” Netanyahu e de Putin. Outros vão-se esquivando diante da cobardia internacional (a que hipocritamente chamam de diplomacia). Alguns conseguem atrair a simpatia das extremas esquerdas ou direitas, através das ideologias estalinistas e fascistas, ignorando que o mundo avança sem retorno e que as ideologias, como as religiões, estão em vias de ser arrancadas à razão humana. Obsessões de cariz patológico criadas pelo Universo, fazendo parte da permanente dinâmica da Vida que se altera em permanência. Felizmente que a morte existe, para dar término e alternância a todas estas aberrações. Aqui na nossa realidade arquipelágica, Portugal decidiu comemorar o seu dia nacional nos Açores, mais concretamente na Ilha Terceira.
Comemorando num momento estratégico, onde as pretensões bélicas dos Estados Unidos passam pela Base das Lajes, o estado português ficou arrepiado e de cabelos em pé, quando Trump disse que iria ao supermercado adquirir em promoção a Gronelândia, Cuba, Venezuela e mais umas coisinhas. Vai daí, Portugal quis fazer uma demonstração bélica e mostrar as engivas desdentadas – tal sapo diante do boi – com as forças militares em desfile e os caças voando na altura dos discursos.
O sapo queria ter o tamanho do boi e para isso desafiou-o inspirando ar para o corpo. Tanto inspirou, inspirou, inspirou, que acabou por rebentar em pedaços.
Todas estas manifestações, que mais não servem do que exprimir saudosismos de grandezas passadas e enterradas, no espírito das “teias que o Império tece” como diria Fernando Pessoa. Não há outra intenção senão mandar recados a Washington e aos Açorianos sobre uma obsoleta soberania das últimas colónias – Madeira e Açores.
A obsessão portuguesa sobre a “soberania” inequívoca das “suas” ilhas adjacentes, faz lembrar Salazar com a nação una e indivisível – colónias africanas, atlânticas, asiáticas, indianas e retângulo peninsular, onde os insurretos, rebeldes e contrários às suas ideias, eram enviados para o “campo de férias” do Tarrafal.
Estão ultrapassadas e são primitivas nos tempos que correm, estas manifestações de paradas militares para amedrontar e subjugar os povos. É tempo de Paz e de fazer tudo isto de forma exclusivamente cívica e sem uniformes.
Além de que se gasta fortunas, trazer todo o corpo diplomático, político e militar para o meio do Atlântico. Para um país pobre que vive à custa da caridade de Bruxelas, toda esta encenação que nada tem a ver com o Portugal moderno, com Camões e muito menos com as Comunidades ou Diáspora, não passa de uma passarela de coristas de cabaret.
António José Seguro tem é que picar o traseiro do governo para acelerar a Lei das Finanças Regional, tanto da Madeira como dos Açores. Isso sim, interessa ao Povo. E já que adoram afirmar que os Açores são Portugal, que utilize a sua magistratura de influência para pagarmos o preço justo e direto quando nos deslocamos ao retângulo. Ou acabar com a proibição de partidos insulares… e tantas, tantas outras!
Com tantas e tamanhas discrepâncias nas políticas que dizem respeito às insularidades atlânticas, a nossa portuguesice ou a falta dela, será uma opção exclusiva dos ilhéus e nunca imposta de fora.
José Soares