A Região Autónoma dos Açores foi, em 2024, a sub-região portuguesa com melhor desempenho no índice de qualidade ambiental, mas ficou abaixo da média nacional no Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR), segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O destaque do INE, publicado a 15 de Junho de 2026, mostra um retrato de contraste sobre a posição açoriana: a Região lidera a qualidade ambiental, com um índice de 113,84 pontos, tomando Portugal como referência igual a 100, mas não acompanha esse desempenho nas dimensões da competitividade e da coesão, nem no índice global de desenvolvimento regional.
O Índice Sintético de Desenvolvimento Regional é calculado para as sub-regiões da Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS III) e assenta em três dimensões: competitividade, coesão e qualidade ambiental. Em 2024, apenas cinco das 26 sub-regiões NUTS III superavam a média nacional no índice global: Grande Lisboa, com 107,83 pontos, Área Metropolitana do Porto, com 103,10, Região de Coimbra, com 101,09, Região de Aveiro, com 100,97, e Alto Minho, com 100,49.
Os Açores surgem, assim, fora do grupo de territórios que ultrapassaram a média nacional em desenvolvimento regional global. O desempenho regional encaixa no perfil identificado pelo INE como o mais frequente entre as sub-regiões portuguesas: qualidade ambiental acima da média, mas competitividade e coesão abaixo do valor nacional.
É na qualidade ambiental que os Açores se destacam de forma mais clara. Segundo o INE, esta dimensão era superada por 15 sub-regiões, verificando-se uma disparidade territorial menor do que nas dimensões da competitividade e da coesão. A Região Autónoma dos Açores liderava o país, com 113,84 pontos, à frente de outras sub-regiões do interior do continente e da Região Autónoma da Madeira, num indicador em que sobressaem territórios menos densos e com menor pressão urbana.
O resultado ambiental contrasta com a leitura feita pelo INE para a competitividade, dimensão em que apenas três sub-regiões ficavam acima da média nacional: Grande Lisboa, com 116,69 pontos, Região de Aveiro, com 106,84, e Área Metropolitana do Porto, com 106,64. Os Açores aparecem nesta dimensão entre os territórios com valores mais baixos, num quadro em que a competitividade se concentra sobretudo no litoral do continente e apresenta a maior disparidade regional entre as três componentes do desenvolvimento.
Também na coesão os Açores não superam a média nacional. O INE refere que nove sub-regiões ultrapassavam o valor de referência nesta dimensão, com destaque para a Grande Lisboa, que registava 108,80 pontos, a Região de Coimbra, com 106,20, e o Cávado, com 104,25. A Região Autónoma dos Açores é incluída pelo instituto no conjunto das sub-regiões com índices de coesão mais baixos, juntamente com Douro, Baixo Alentejo, Alentejo Litoral, Alto Alentejo e Tâmega e Sousa.
A leitura integrada dos dados mostra que a qualidade ambiental, apesar de colocar os Açores no topo nacional dessa dimensão, não foi suficiente para compensar o desempenho inferior nas componentes mais associadas ao índice global.
O próprio INE assinala que, em 2024, os índices de competitividade e de coesão tinham uma correlação positiva forte com o índice global, de 0,9 em ambos os casos, enquanto a qualidade ambiental apresentava uma correlação negativa de 0,2 com o desenvolvimento regional global.
