A Associação de Produtores e Similares dos Açores (APASA) alertou que a falta de entendimento com a indústria conserveira sobre o preço do pescado, a par do aumento dos custos de produção, está a colocar em causa a viabilidade da safra do atum de 2026 e pode comprometer a continuidade da actividade piscatória na Região.
A posição foi assumida pela associação após uma reunião realizada a 12 de Junho com representantes da indústria conserveira, encontro que teve como objectivo analisar o decurso da actual safra de atum.
Segundo a APASA, apesar do diálogo mantido entre as partes, não foi possível alcançar um acordo comercial, mantendo-se o impasse em torno dos preços a pagar pelo pescado.
De acordo com a associação, os valores apresentados pela indústria ficaram “muito aquém” das suas expectativas. A indústria conserveira, segundo a mesma nota, justificou a proposta com a falta de margem, invocando razões de competitividade.
A APASA contrapõe que os preços propostos não refletem a realidade económica enfrentada pelo sector, em particular os aumentos registados nos combustíveis, na manutenção das embarcações e nos equipamentos necessários à atividade.
A associação sustenta que os pescadores e armadores não podem continuar a suportar sozinhos o agravamento dos custos de produção e alerta que, sem preços considerados adequados, a viabilidade de várias embarcações nesta safra fica “seriamente comprometida”.
O impasse, acrescenta a APASA, tem impacto directo nos pescadores, nos armadores, nas indústrias associadas e na própria economia regional. A valorização do atum açoriano através da classificação do pescado, destinada a reforçar a sua posição em mercados mais exigentes, continuará a ser analisada, mas a APASA considera que a prioridade imediata é garantir a sobrevivência financeira dos profissionais e das empresas ligadas à pesca do atum.
Face ao que classifica como um cenário grave, a associação já solicitou uma audiência urgente ao Secretário Regional do Mar e das Pescas, com o objectivo de conhecer as medidas de apoio que o Governo Regional dos Açores admite implementar para salvaguardar uma atividade que considera estratégica para a coesão social e económica das comunidades costeiras.
Na mesma nota, a Associação de Produtores e Similares dos Açores reafirma disponibilidade para continuar o diálogo e apela ao sentido de responsabilidade de todas as partes, defendendo a necessidade de encontrar soluções “excepcionais e equilibradas” que assegurem o futuro da pesca do atum nos Açores.
