Numa intervenção no parlamento açoriano, na Horta, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu a necessidade de o Estado português reforçar o investimento em infra-estruturas estratégicas na Região, sublinhando o papel central dos Açores na afirmação geopolítica, geoeconómica e científica de Portugal no Atlântico.
O governante destacou que os Açores são uma “região estratégica” e um “laboratório do futuro”, com potencial nas áreas do espaço, do mar, da energia e da ciência, apelando a uma tradução prática do reconhecimento político em investimentos concretos.
José Manuel Bolieiro salientou a importância da autonomia regional, assinalando os 50 anos da democracia portuguesa, e valorizou a escolha dos Açores para as comemorações do 10 de Junho, considerando que reflecte uma visão de futuro para o país.
“Este ano, o Senhor Presidente da República escolheu os Açores, a ilha Terceira, para sua celebração, associando a evocação do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades também à celebração da Autonomia Política dos Açores, com consagração constitucional. Quando escolheu os Açores estava, também, de certa forma, a olhar para o futuro de Portugal. Um Portugal maior, que no seu território, vê o valor do seu grandioso mar, que os Açores lhe conferem, como fronteira ocidental da Europa. Os Açores reforçam a soberania portuguesa do Atlântico”, afirmou.
O líder do executivo açoriano defendeu ainda o desenvolvimento da economia azul, o reforço da investigação científica e o aproveitamento das infra-estruturas ligadas ao sector espacial, nomeadamente na ilha de Santa Maria, como pilares de crescimento sustentável.
Alertando para a necessidade de coerência entre discurso e acção, José Manuel Bolieiro insistiu que o investimento público nacional deve acompanhar a relevância estratégica dos Açores, contribuindo para a soberania, segurança e competitividade de Portugal.
“Soberania do Atlântico Norte deve depender da vontade do povo dos Açores”, afirma João Bruto
da Costa
O presidente do grupo parlamentar do PSD/Açores João Bruto da Costa afirmou que “a soberania do Atlântico Norte deve assentar, em primeiro lugar, na vontade do povo açoriano”, defendendo “uma valorização efectiva do contributo da Região para Portugal, a Europa e o Mundo”.
O parlamentar social-democrata interveio na sequência da declaração do Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, a propósito da celebração do Dia de Portugal.
João Bruto da Costa sublinhou que a gestão desta plataforma atlântica e da zona económica exclusiva deve refletir “a vontade do povo dos Açores, as suas reivindicações e exigências e a pertença deste Atlântico a estas ilhas”.
Para o líder parlamentar do PSD/Açores, “o nosso mar é o nosso quintal”, devendo os açorianos assumir um papel central nas decisões sobre o seu futuro, afirmando que “no nosso quintal, devemos ser nós os primeiros a ter a oportunidade de dizer aquilo que queremos para o nosso futuro e para o futuro do nosso povo”.
O deputado social-democrata valorizou ainda as declarações do Presidente do Governo Regional, considerando que foi “feliz quando exaltou a nossa condição arquipelágica e atlântica”, reforçando a necessidade de afirmar este princípio como base da intervenção política.
Nesse sentido, o líder da bancada do PSD advertiu que os Açores “não podem deixar de receber a compensação justa por essa presença e essa soberania no nosso mar e no Atlântico Norte”.
Por outro lado, advogou a necessidade de ir além do discurso político, insistindo que se impõe “ir além das palavras”, para garantir que os açorianos sintam “reconhecimento e valorização por aquilo que dão a mais à Europa, ao mundo e a Portugal nesta soberania atlântica”.
A seu ver, trata-se de uma permuta que classificou “como essencial à democracia e ao modo de vida ocidental”.
Num contexto internacional marcado por novos desafios, João Bruto da Costa realçou que os Açores assumem hoje uma centralidade estratégica, chegando mesmo a considerar que a Região pode ser vista como “o centro do Mundo”.
No seu entender, será pelo Atlântico que passarão “grande parte das futuras relações internacionais”, constituindo os Açores “um ponto-chave nessa dinâmica global”.
Recordando os 50 anos de autonomia, João Bruto da Costa reiterou que “a autonomia não fragmenta, ela une e fortalece, princípio este que deve ser cada vez mais afirmado”.
Por fim, elogiou o Presidente do Governo Regional por sublinhar “a importância de passar das palavras aos actos e de assegurar o reconhecimento devido aos Açores”.
PS/Açores defende preparação
e firmeza na defesa dos
interesses da Região
O Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, defendeu que os Açores devem encarar as oportunidades associadas à sua posição geoestratégica com ambição, mas também com “preparação e firmeza”, para garantir que os interesses da Região são devidamente salvaguardados.
Numa intervenção na Assembleia Legislativa, o líder parlamentar socialista considerou que áreas como o mar, o espaço, a energia ou as novas economias representam desafios e oportunidades de enorme relevância para o futuro dos Açores, exigindo uma estratégia clara e uma capacidade efectiva de defesa dos interesses açorianos.
“Quando estão em causa questões de grande relevância económica, estratégica e financeira, os Açores não se podem deslumbrar. Têm de estar preparados para defender aquilo que é seu”, afirmou.
Para Berto Messias, os órgãos de governo próprio da Região devem assentar a sua actuação em dois princípios fundamentais: preparação e firmeza. “O Governo Regional, este Parlamento, os parceiros sociais e todas as entidades relevantes têm de fazer o trabalho de casa para que, nos momentos decisivos de negociação, os Açores tenham capacidade para defender as suas prioridades e os seus interesses”, sustentou.
O socialista alertou que sectores como o mar, as economias emergentes e o espaço despertam um crescente interesse de entidades externas, tornando ainda mais importante que a Região esteja devidamente preparada para proteger os seus recursos e afirmar as suas posições.
Segundo Berto Messias, a valorização da posição geopolítica e geoestratégica dos Açores só produzirá benefícios concretos para os Açorianos se for acompanhada por uma actuação firme e sustentada dos órgãos de governo próprio.
“Não nos deslumbremos com discursos elogiosos ou com grandes cimeiras. O que importa é garantir que os Açores estão preparados para defender os seus interesses e para transformar as oportunidades em benefícios reais para a Região”, concluiu.
No início da sua intervenção, o Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores saudou ainda a decisão do Presidente da República de assinalar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas nos Açores, destacando a relevância política, institucional e simbólica dessa escolha para a afirmação da Região no contexto nacional e internacional.
“Centralidade dos Açores tem
de ser real e não apenas uma
vontade”, defende Chega/Açores
“Há 50 anos que os Açores insistem no discurso de serem uma posição estratégica no Oceano Atlântico, mas este discurso tem valido de pouco, no real desenvolvimento da Região. Lisboa acha que os Açores são ainda uma colónia e, até conseguirmos inverter esta visão centralista que há dos arquipélagos, é difícil alterar a realidade que se vive no arquipélago”, alerta José Pacheco, líder parlamentar do Chega.
“Foi um discurso redondo, bonito, mas já sabíamos disso tudo. São meras palavras”, referiu José Pacheco que acrescentou que “é essencial falar de centralidade, mas os Açores e a Madeira não podem continuar a ser esquecidos enquanto território contínuo de Portugal”.
“É muito bonito falar da centralidade dos Açores, mas depois esquecemos a capitação do IVA, a Lei de Finanças Regionais – foi constituído mais um grupo de trabalho e vamos continuando assim – a mobilidade, a segurança e tantas outras questões”, reforçou o parlamentar.
Quanto à mobilidade, “por exemplo, a República pouco ou nada quer saber de nós. São só falsas promessas, coloca-se a culpa em quem apresenta soluções e não se quer resolver”.
Ao nível da segurança, “que é anedótica”, a República, que “é quem tem esta tutela, continua a ignorar os Açores quando são conhecidas as dificuldades ao nível dos recursos humanos e são enviados poucos agentes apenas para reforçar a vigilância aero-portuária”, afirma.
“Se querem futuro, basta olhar para o mapa. Os Açores estão num ponto estratégico no Atlântico, mas só serve se for efectivamente usado”, afirmou José Pacheco.
E, neste sentido, lembrou uma solução que o Chega tem vindo a apresentar para “retirar verdadeiras contra-partidas das infra-estruturas existentes, por exemplo, na Base das Lajes: um hub comercial na ilha Terceira”.
“Nas Lajes para além da solução militar, ou não, podemos ter uma solução comercial. Um hub comercial, com uma plataforma rotativa – Europa, América e África – que geraria riqueza e financiamento para esta Região. Mas é preciso ousadia para o fazer”, desafiou José Pacheco.
“Em vez da Terceira, a opção até pode ser a ilha de Santa Maria, que já tem uma boa pista aérea e agora está a apostar no desenvolvimento espacial, podendo funcionar até em simultâneo com a Terceira”, refere.
“O que estamos as perder nos Açores, a Bélgica, a Turquia, a Espanha, a Holanda e a Alemanha estão a ganhar”, argumentou José Pacheco. No entanto, “sempre que se apresenta uma solução, há sempre alguma coisa que não se gosta. Temos de andar para a frente, porque hoje em dia o comércio internacional é completamente diferente do que era há 50 anos e a Região pode aproveitar essa vantagem estratégica que tem. Algo que não tem acontecido até agora”, conclui.
