O Navio da República Portuguesa (NRP) Sagres está a cumprir uma viagem atlântica de instrução e representação internacional que cruza a formação dos futuros oficiais da Marinha Portuguesa com a diplomacia junto das comunidades portuguesas e a participação nas comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos da América (EUA), tendo a bordo produtos gastronómicos açorianos e prevista, no regresso, passagem pelos portos da Praia da Vitória e de Ponta Delgada.
Segundo a Marinha Portuguesa, a viagem do Navio-Escola Sagres decorre entre 30 de Abril e 23 de Agosto, depois da largada da Base Naval de Lisboa rumo ao Atlântico Norte e aos Estados Unidos. A missão inclui a Viagem de Instrução dos Cadetes da Escola Naval, acções de apoio à política externa portuguesa, a participação na Sail 250 e na Revista Naval Internacional (International Naval Review, INR 250), eventos associados ao 250.º aniversário da independência norte-americana.
A bordo seguem 107 militares e, no atual troço da viagem, 37 cadetes do segundo ano da Escola Naval, de acordo com nota recente da Marinha.
No início da missão, a Marinha tinha indicado que a viagem envolveria, no total, 77 cadetes, distribuídos por dois períodos: 36 cadetes do segundo ano, entre 30 de Abril e 11 de Julho, e 41 cadetes do primeiro ano, entre 11 de Julho e 23 de Agosto, com a troca prevista para Boston.
Depois de ter cruzado o Atlântico, o Sagres chegou a Nova Iorque no final de maio, onde realizou actividades protocolares ligadas à candidatura de Portugal a membro não permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e abriu a visitas entre 30 de Maio e 2 de Junho, recebendo mais de 5.600 visitantes, muitos deles da comunidade portuguesa e luso-descendente. A missão coincidiu com a fase final dessa candidatura, que a Marinha enquadrou como parte da dimensão de apoio à política externa portuguesa.
O navio seguiu depois para Hamilton, nas Bermudas, onde esteve entre 10 e 14 de Junho e celebrou o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas junto da comunidade portuguesa e luso-descendente local. Durante essa escala, o Sagres recebeu mais de 4.000 visitantes, acolheu iniciativas protocolares e culturais e largou no dia 14 de Junho rumo a Norfolk, nos Estados Unidos, onde a Marinha prevê chegar a 18 de Junho para integrar as comemorações dos 250 anos da independência dos EUA.
O navio leva a bordo diversos produtos gastronómicos açorianos, com especial destaque para queijos produzidos nas ilhas do arquipélago, destinados aos jantares de receção realizados a bordo. No regresso a Portugal, o NRP Sagres deverá fazer escala nos portos da Praia da Vitória, na ilha Terceira, e de Ponta Delgada, em São Miguel.
De acordo com a Marinha, a estadia na Praia da Vitória deverá coincidir com as festas da cidade e com as celebrações do 197.º aniversário da Batalha da Praia, combate naval travado entre forças liberais e miguelistas. Já a escala em Ponta Delgada deverá integrar as actividades da Capital Portuguesa da Cultura 2026, reforçando a ligação da viagem ao calendário cultural açoriano e à projecção externa da Região.
A viagem confirma também o papel histórico do Sagres como navio-escola e instrumento de representação externa de Portugal. Incorporado na Marinha Portuguesa em 1962, o navio tem como missão principal a formação marinheira dos futuros oficiais, complementando a componente técnica e académica ministrada na Escola Naval. Ao longo das últimas décadas, a Marinha tem igualmente destacado a sua função no apoio à política externa, na valorização das comunidades portuguesas e na internacionalização da economia.
A viagem deverá terminar a 23 de agosto, com o regresso do Sagres à Base Naval de Lisboa, depois de uma missão que passa por Nova Iorque, Hamilton, Norfolk, Baltimore, Boston, New Bedford, Praia da Vitória e Ponta Delgada, cruzando formação naval, diplomacia, comunidades emigrantes e promoção de produtos portugueses, incluindo açorianos.
