A Mutualista Açoreana vai lançar um serviço Expresso semanal para os Açores, no quadro do reforço da frota com a entrada em operação do navio Açor B, revelou o administrador executivo Carlos Faias à publicação Transportes & Negócios, em artigo publicado a 16 de Junho.
Segundo a Transportes & Negócios, a chegada do Açor B permite à empresa açoriana passar a contar com três navios multipurpose, ou polivalentes, dedicados ao transporte de contentores, viaturas, carga geral e granéis, no âmbito do modelo de cabotagem insular. A frota fica composta pelos navios Corvo, Açor B e Furnas, com capacidades indicadas pela publicação de, respectivamente, 410, 432 e 275 unidades equivalentes a 20 pés (TEU), a 14 toneladas.
Em declarações à Transportes & Negócios, Carlos Faias afirmou que a empresa opera ainda o Thor B, “um navio de abastecimento ao Corvo, ao serviço do Governo Regional dos Açores”.
Com três navios próprios, a Mutualista Açoreana prepara mudanças na oferta, orientadas para reforçar a regularidade das ligações marítimas com a Região. De acordo com a mesma publicação, o Açor B ficará sobretudo afecto às ligações Expresso semanais entre o continente e os Açores. O Corvo assegurará ligações ponto-a-ponto, com escalas no continente e em algumas ilhas, num ciclo quinzenal, enquanto o Furnas ficará maioritariamente dedicado ao tráfego interilhas. Carlos Faias adiantou à Transportes & Negócios que este navio terá também “um papel essencial nas operações de transbordo, na movimentação de carga entre ilhas e na gestão de equipamentos vazios, garantindo a continuidade dos ciclos logísticos sem interrupções”.
A compra do Açor B foi motivada, segundo a publicação, pela necessidade de aumentar a capacidade de transporte e garantir maior regularidade nas ligações marítimas, incluindo a implementação de serviços Expresso semanais entre o continente e os Açores. O navio tem cerca de 20 anos de construção, mas Carlos Faias desvalorizou esse factor, sublinhando à Transportes & Negócios que a escolha resultou de um processo criterioso, condicionado pelas particularidades dos portos açorianos e pelas exigências operacionais.
“O factor determinante não é a idade do navio, mas sim o cumprimento rigoroso dos requisitos de certificação e segurança”, afirmou Carlos Faias, citado pela Transportes & Negócios. O administrador executivo explicou que a decisão teve em conta a necessidade de um navio de tonelagem adequada, equipado com gruas próprias para operar de forma autónoma, e com características técnicas compatíveis com manobras e operações em vários portos do arquipélago, incluindo velocidade de serviço, dimensões e desenho do casco.
Carlos Faias acrescentou, segundo a publicação, que o Açor B integra uma série de 13 navios gémeos construídos na Alemanha, dois dos quais já operaram na Região, demonstrando adequação à realidade local. O responsável defendeu ainda que a construção de novos navios para a cabotagem açoriana é condicionada pela dimensão do mercado regional, pelo longo ciclo de vida destes activos e pelas incertezas em torno das futuras tecnologias de propulsão e combustíveis.
Na impossibilidade de avançar para a aquisição de navios novos, a Mutualista Açoreana tem apostado na modernização ambiental da frota, recorrendo a apoios do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), refere a Transportes & Negócios. A intervenção no navio Corvo está em fase de conclusão e representa um investimento próximo de três milhões de euros, incluindo a substituição dos geradores por unidades de nova geração Tier III, a instalação de um sistema inovador de mistura de biocombustíveis, a implementação de ligação elétrica em porto, conhecida como shore power, e a aplicação de pintura de casco com silicone para melhorar a eficiência energética.
Ainda no capítulo dos investimentos, Carlos Faias destacou à Transportes & Negócios a aquisição de cerca de 900 novas unidades de acondicionamento e transporte de carga, entre contentores convencionais, refrigerados e plataformas, de 20 e 40 pés. A entrega deste equipamento tem sido atrasada pelo contexto internacional e pelos constrangimentos no transporte marítimo, mas, quando estiver concluída, permitirá, segundo o administrador executivo, “aumentar a capacidade e eficiência da operação”.
