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Mariana Sousa, da ALA – Associação Largo dos Artistas – “É relevante desenvolver actividades concebidas por jovens e dirigidas aos jovens, incentivando o seu envolvimento cívico e a participação informada”

A reflexão sobre a cidadania europeia e a autonomia regional esteve em destaque na conferência “Autonomia Regional e Valores Europeus”, promovida pela ALA – Associação Largo dos Artistas, no âmbito do projecto Erasmus+ Cidadania ao Largº.
A iniciativa que reuniu cerca de 40 jovens, procurou aproximar as novas gerações dos princípios e valores da União Europeia, estabelecendo uma ligação com a realidade açoriana. Este conferência decorreu no mesmo ano das comemorações dos 50 anos da Autonomia da Região Autónoma dos Açores, o que serviu para completar o tema central da conferência.
O Diário dos Açores esteve à conversa com Marina Sousa, da ALA – Associação Largo dos Artistas, para conhecer os objectivos deste projecto, o impacto desta iniciativa junto da juventude açoriana e os planos da associação para futuras actividades.

Qual foi o principal objectivo da ALA – Associação Largo dos Artistas ao organizar a conferência “Autonomia Regional e Valores Europeus” e por que razão consideraram importante abordar estes temas junto de jovens açorianos?
O principal objectivo da iniciativa foi criar uma ligação entre os valores europeus, a realidade açoriana e a juventude, proporcionando aos jovens a oportunidade de dialogar directamente com especialistas e personalidades ligadas às áreas abordadas durante a conferência.
A associação considera fundamental promover este tipo de reflexão junto das novas gerações, numa altura em que se verifica um crescente afastamento entre os jovens e a esfera política. Por essa razão, entende que é particularmente relevante desenvolver actividades concebidas por jovens e dirigidas aos jovens, incentivando o seu envolvimento cívico e a participação informada.

A iniciativa decorreu num ano em que se assinalam os 50 anos da Autonomia Constitucional dos Açores. De que forma este contexto influenciou a escolha do tema e o desenho do evento?
A comemoração dos 50 anos da Autonomia Constitucional dos Açores acabou por servir de complemento ao tema central da conferência. Embora a ideia inicial da actividade não estivesse directamente relacionada com esta efeméride, a organização optou por adaptar o conceito, estabelecendo uma ligação entre ambas as temáticas e promovendo uma reflexão conjunta sobre autonomia regional e valores europeus.

Que balanço fazem da adesão dos jovens à conferência, tanto em número de participantes como na qualidade da participação e das intervenções feitas durante a sessão?
A conferência contou com a participação de cerca de 40 jovens. Para além da presença significativa, a organização destaca o envolvimento activo dos participantes, que colaboraram com os convidados numa troca de ideias sobre os temas abordados.

Que preocupações, dúvidas ou ideias foram mais expressas pelos jovens ao longo do encontro, em particular sobre a autonomia regional, a participação cívica, a Europa e o futuro dos Açores?
Durante o debate, os jovens demonstraram especial interesse por questões relacionadas com a economia açoriana, nomeadamente a utilização dos recursos financeiros destinados ao desenvolvimento do arquipélago. Foram também abordados temas como o sistema regional de saúde e a dependência dos Açores em relação ao território continental português.

A organização sentiu que há, entre os jovens, conhecimento suficiente sobre o processo autonómico açoriano e sobre o papel das regiões ultraperiféricas na União Europeia, ou este é ainda um tema distante das novas gerações?
Embora não sejam temas particularmente próximos do quotidiano da maioria dos jovens, a organização verificou um elevado interesse por parte dos participantes. Os jovens demonstraram empenho ao longo da actividade e revelaram vontade de aprofundar os seus conhecimentos sobre estas matérias e de se aproximarem mais da informação relacionada com a autonomia e a União Europeia.

Que resultados concretos retiram desta iniciativa e de que forma pretendem dar continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito do projecto Erasmus+ “Cidadania ao Largº”?
A principal conclusão retirada da iniciativa é que os jovens demonstram interesse por estas questões, mesmo quando não fazem parte das suas preocupações mais imediatas. Esse é precisamente o propósito do projecto Erasmus+ “Cidadania ao Largº”: transmitir informação relevante para a juventude através de metodologias criativas, participativas e dinâmicas, capazes de despertar o interesse e promover o envolvimento dos participantes.

A ALA tem procurado cruzar cidadania, cultura, arte e participação juvenil. Que importância atribuem a este modelo para envolver os jovens em temas que, muitas vezes, parecem afastados do seu quotidiano?
A associação considera que os jovens representam o futuro da sociedade e que é essencial confiar na sua capacidade para assumir um papel activo na construção desse futuro. Defende igualmente que cabe à sociedade aproximar as novas gerações de temas que nem sempre estão presentes no seu dia-a-dia. Nesse sentido, a ALA procura abordar assuntos menos recorrentes através de iniciativas desenvolvidas em estreita ligação com os jovens, tornando-os mais acessíveis e estimulando o seu interesse e participação.

Estão previstos novos eventos ou projectos dirigidos aos jovens açorianos, nomeadamente em áreas como cidadania europeia, participação democrática, autonomia, cultura ou inclusão social?
Sim. A próxima actividade está agendada para decorrer entre os dias 6 e 10 de Julho e consiste no workshop “E.U. na Praia”. Trata-se de uma iniciativa desenvolvida por jovens e para jovens, que pretende promover a reflexão sobre os valores europeus num ambiente informal e participativo. A actividade desafiará os participantes a expressarem as suas ideias de forma criativa, através da elaboração de propostas gráficas destinadas à impressão em sacos de pano.

Por Ana Catarina Rosa
*[email protected]

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