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Câmara do Comércio de Ponta Delgada acusa Governo Regional de ocultar quebra real do turismo

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada) criticou duramente o Governo dos Açores pela forma como tem apresentado os dados mais recentes sobre a evolução da actividade turística na Região, acusando o executivo regional de divulgar uma análise “parcial” e “distorcida” da realidade vivida pelas empresas do sector.
Num comunicado ontem divulgado, a associação empresarial considera “profundamente lamentável” a leitura feita pelo Governo Regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, sobre os indicadores do turismo, argumentando que a narrativa oficial procura transmitir uma imagem de sucesso que não corresponde à situação económica enfrentada diariamente pelos empresários açorianos.
No centro das críticas está o facto de o executivo basear a sua avaliação exclusivamente nos dados relativos ao crescimento dos proveitos da hotelaria tradicional, omitindo, segundo a CCIPD, um segmento considerado essencial para compreender a realidade global do sector: o alojamento local. A associação lembra que o Serviço Regional de Estatística dos Açores não divulga dados relativos aos proveitos deste segmento, circunstância que, na perspectiva dos empresários, impede qualquer avaliação séria e completa sobre a evolução das receitas do turismo nos Açores.
Segundo a Câmara do Comércio de Ponta Delgada, o alojamento local — que actualmente representa um número de camas superior ao disponibilizado pela hotelaria convencional no arquipélago — registou em maio uma quebra superior a 8% nas dormidas, acompanhada por uma diminuição no número de hóspedes e na taxa de ocupação. Para a associação, ignorar estes indicadores e valorizar apenas os resultados positivos da hotelaria constitui uma leitura incompleta da actividade turística regional.
A organização empresarial sublinha ainda que, mesmo admitindo um crescimento das receitas no sector hoteleiro tradicional, essa evolução não pode ser analisada isoladamente, recordando que as empresas enfrentaram nos últimos anos um aumento muito significativo dos custos operacionais. Entre os factores apontados estão a subida dos custos salariais, resultante da valorização das remunerações e da escassez de mão de obra, bem como o agravamento das despesas com energia, transportes, bens alimentares, serviços e restantes fatores de produção.
Outro dos dados destacados no comunicado prende-se com a evolução da procura turística. Entre Janeiro e Maio de 2026, os Açores perderam cerca de 22 mil hóspedes face ao período homólogo do ano anterior. A CCIPD estima que esta redução representa um impacto económico directo de aproximadamente 24 milhões de euros, valor que, considerando os efeitos indirectos na economia regional, poderá atingir cerca de 32,5 milhões de euros.
A associação alerta que a diminuição do número de visitantes afecta directamente vários sectores estratégicos da economia açoriana, desde o alojamento e restauração ao comércio, animação turística, transportes, agricultura, pescas e outras actividades dependentes do fluxo turístico, traduzindo-se numa perda efectiva de riqueza para a Região.
No mesmo comunicado, a Câmara do Comércio acusa o Governo Regional de estar a transformar a comunicação política num exercício de normalização do declínio turístico, considerando difícil encontrar outro exemplo em que uma quebra continuada do número de turistas seja apresentada como sinal positivo.
A associação reconhece que o aumento do valor acrescentado por visitante deve constituir um objectivo estratégico permanente, mas sustenta que esse factor não pode servir de argumento para justificar a perda de competitividade do Destino Açores nem a redução da procura turística.
Defendendo uma estratégia de recuperação do sector, a CCIPD considera que os Açores precisam de reforçar a sua capacidade de atracção turística, aumentando o número de visitantes, promovendo uma maior permanência média e melhorando as acessibilidades aéreas. Entre as medidas apontadas estão a recuperação de companhias aéreas, a captação de novas rotas, o reforço da promoção externa e o aumento da concorrência entre operadores, seguindo estratégias já adoptadas por outros destinos concorrentes.
A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada conclui reafirmando que o turismo sustentável “não se constrói escondendo uma parte dos dados estatísticos”, defendendo políticas públicas assentes em rigor, transparência, competitividade e medidas concretas que permitam às empresas crescer, investir e criar emprego num dos sectores mais relevantes da economia açoriana.

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