Edit Template

IDEIAS HÁ MUITAS

Um país que desconfia do futuro não tem futuro

Portugal saiu do Mundial pela porta dos fundos. Um golo de Merino, já nos descontos, bastou para a Espanha nos mandar para casa e para Cristiano Ronaldo se despedir, aos 41 anos, sem o troféu que lhe faltava. O país ficou triste. Mas a tristeza do futebol passa. O que não passa mesmo é o clima, os incêndios, as guerras lá fora e, cá dentro, a politiquice do costume.
Refiro-me ao caso dos exames nacionais. Houve falhas na correção digital, é verdade – o próprio ministro reconheceu erros objetivos e o calendário foi adiado por uns dias. Mas vejamos as proporções: trezentas mil provas digitalizadas, uma mudança estrutural no sistema, e o que se exige em troca? A cabeça do ministro. Fernando Alexandre não é um técnico qualquer. Reconhecidamente competente, com provas dadas dentro e fora da governação. Em vez de se discutir como corrigir as falhas e consolidar a inovação, ou contribuir para melhorar os novos procedimentos, transformou-se o processo numa arma de arremesso político. Alguns sindicatos de professores, associações de pais e alunos alinharam no coro: o homem não serve, a mudança não presta, voltemos ao papel e ao lápis.
Já vi este filme. No século passado, houve quem saísse à rua contra a PGA, contra as provas de acesso, contra as propinas, contra tudo o que cheirasse a exigência ou a responsabilização. Ganhou-se o quê? Décadas de facilitismo e um sistema que ainda hoje tem medo de avaliar. A esquerda bem-instalada de então, a dos protestos confortáveis, nunca pagou a fatura — pagaram-na os contribuintes com altos impostos para cobrir défices.
É esta a escolha que temos pela frente. Ou aceitamos que a modernização tem custos de arranque, que qualquer transição digital implica riscos de não arrancar bem, ou regressamos ao marasmo em que cada reforma morre à nascença. Portugal não entra no século XXI por decreto; entra quando deixar-se destas quezílias da paróquia da esquerda que não quer mudar nada.
Perdemos com a Espanha nos descontos. Nos exames, arriscamo-nos a perder connosco próprios — e essa derrota, ao contrário da outra, é evitável.
Um país que desconfia do futuro, é um país que desiste do mesmo. E outros, sempre outros, que paguem a fatura.
Luís Soares Almeida

Edit Template
Notícias Recentes
EDA Renováveis recebe licenças para 3,6 MW de potência eólica em Santa Maria e nas Flores
Desembarque de passageiros nos aeroportos dos Açores cai 4,3% em Julho
Artur Lima defende uma reflexão profunda sobre desafios do envelhecimento populacional
UAc recebe verbas para monitorizar contaminantes e stocks prioritários dos mares dos Açores
Governo analisa queixas de assimetrias remuneratórias na enfermagem e aguarda informação adicional
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2026 Diário dos Açores