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Circuito aberto e circuito fechado

“A Baía da Horta, há algumas décadas, foi o porto escolhido pelos “aventureiros” para descansarem na travessia do Atlântico. Ficou célebre o porto faialense que já o era para a paragem das baleeiras norte-americanas.”

1.Circuito aberto
Já não passam pelo canal entre São Jorge e Pico os antigos paquetes “Cristoforo Colombo” e “Leonardo da Vinci” nas suas rotas transatlânticas entre Génova e Nova Iorque.
A saudade ainda nos transporta às viagens dos “ferries” inter-ilhas, que, incompreensivelmente, foram canceladas por quem não compreende a dimensão marítima e económica de um arquipélago atlântico e a dinâmica sócio-cultural da nossa identidade.
Valem-nos os iates estrangeiros que por aqui passam, cada vez em maior número, oriundos de um lado e do outro do “Rio Atlântico” e aportam aos pequenos portos de recreio náutico para “fazer aguada”.
A Baía da Horta, há algumas décadas, foi o porto escolhido pelos “aventureiros” para descansarem na travessia do Atlântico. Ficou célebre o porto faialense que já o era para a paragem das baleeiras norte-americanas.
Com o rolar dos anos, os empreendimentos autonomistas entenderam alargar às nove ilhas as infraestruturas de receção ao iatismo internacional.
Presentemente, todas as ilhas do Ocidente a Oriente dispõem de portos de recreio que já se tornam pequenos para o número de iates que lá arribam.
O porto das Lajes do Pico, integrado numa ampla, segura e cada vez mais procurada rota dos iatistas, disponibiliza combustíveis às embarcações, mas não tem “fingers” no novo espelho de água junto à muralha de proteção. Porquê?
É grande e crescente o número embarcações e de visitantes do “whale-watching”, pelo que há que tirar partido das potencialidades existentes na costa sul da Ilha do Pico, envolvendo projetos de investigação que aprofundem os conhecimentos do mundo subaquático.
Os investimentos efetuados nesta área científica, apoiados por fundos europeus, seriam mais frutuosos do que os anunciados investimentos redundantes em vias de comunicação.
O Pico carece de projetos consistentes que abram as portos do futuro às novas tecnologias, que fixem as gerações jovens e as vindouras.
Qualquer projeto ou investimento deve dar, obrigatoriamente, um contributo relevante à fixação e rejuvenescimento da população, sem o que não haverá crescimento económico e desenvolvimento humano.
Já o referi algumas vezes: existem açorianos em Instituições de relevo internacional, conhecedoras de processos de desenvolvimento, semelhantes ao nosso. É necessário e urgente ouvi-los, recolher das suas opiniões os ensinamentos que nos possam valer nestes tempos em que vivemos. Sem demoras. Abertos aos seus contributos.

2.Circuito fechado
Julho é um dos meses preferidos para férias. As atividades letivas praticamente terminaram, não fossem os contratempos com os exames, provocados pela incompetência dos responsáveis pela máquina administrativa do Estado.
Entre nós, o movimento dos aeroportos regista um número apreciável de visitantes que animam as nossas ilhas e alimentam a economia local. Daqui a três meses, saber-se-á se, globalmente, 2026 resistiu ao decréscimo dos primeiros meses do ano.
A análise sócio-económico dos números exige clarividência e competência, qualidades que tanta falta fazem nestes tempos conturbados.
Na Horta, o Parlamento continua a falar para dentro, discutindo generalidades e questões de lana-caprina que pouco ou nada dizem à opinião pública.
O discurso parlamentar está extremamente conflituoso e não se descortina ideias aglutinadoras que mobilizem os cidadãos no projeto autonómico que comemora meio século.
Chega a ser confrangedor ouvir alguns representantes eleitos, mais preocupados em recuperar antigas declarações de adversários políticos do que em admitir falhas ou erros.
Essa estratégia do debate político só convence os militantes indefetíveis, em tudo semelhantes aos ferrenhos adeptos do Benfica do Sporting ou do Porto.
Continuar com esta pedagogia política não dará mais crédito aos Órgãos de Governo próprio. Pelo contrário.
Ao aproximar-se o prazo de conclusão dos projetos e investimentos subsidiados pelo PRR, o Governo tem-se desdobrado em visitas e inaugurações, como se estivesse em final do mandato.
Não estou convencido de que se tal acontecesse, proximamente, traria benefícios aos partidos do poder.
É importante analisar: se os empreendimentos redundaram em crescimento económico e benefício social para as populações; se melhoraram as condições de vida das classes sociais mais fragilizadas; se o emprego se manteve e os salários cresceram; se a população mais escolarizada se fixou nas ilhas; se os índices de desenvolvimento cresceram e houve mais progresso…
Se tal não acontecer, é sinal de que as opções foram incorretas e mais uma oportunidade se perdeu.
Enquanto a Autonomia democrática o for só de nome o funcionamento em circuito fechado provocará um curto-circuito de consequências imprevisíveis.
Espero que os açorianos e os responsáveis políticos se consciencializem da necessidade da mudança de rumo para chegarmos a porto seguro.

José Gabriel Ávila *
* Jornalista c.p. 239 A
http://escritemdia.blogspot.com

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