Cláudia Chaves já não se encontra a presidir os destinos da Delegação Regional da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) nos Açores, que passou a ser assegurada, desde o início deste ano, pelo presidente nacional da associação, Carlos Moura, até às próximas eleições, previstas para 2027.
A empresária açoriana, ligada à Atalhos de Lava Produções e ao Bar Lava Jazz, tinha sido nomeada para o cargo em Dezembro de 2020. Em Março de 2024, Cláudia Chaves foi reeleita para a presidência da Comissão Directiva da Região Autónoma dos Açores no mandato 2024–2027, tendo tomado posse a 19 de Abril desse ano. Acumulava a liderança regional com uma das vice-presidências da Direcção Nacional da AHRESP.
Apesar de ter sido eleita para um mandato que terminaria em 2027, Cláudia Chaves deixou de estar à frente da estrutura açoriana, tendo sido substituída no início do ano pelo presidente nacional da associação, depois de cerca de cinco anos no cargo.
A representação regional é assumida directamente por Carlos Moura, solução que a AHRESP apresenta como uma decisão estratégica destinada a reforçar a ligação da Delegação dos Açores à Direcção Nacional, assegurar a continuidade do funcionamento da estrutura e intensificar o acompanhamento dos empresários do arquipélago.
O presidente da Direcção da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) passa, assim, a representar também a estrutura açoriana durante o período que antecede o próximo ato eleitoral para os órgãos sociais da instituição. Em declarações ao Diário dos Açores, a associação não relaciona esta decisão com uma eventual falta de candidatos ou com o risco de encerramento da delegação, enquadrando-a num reforço da proximidade com os empresários regionais.
A AHRESP considera que a sua presença nos Açores é essencial para acompanhar as empresas da restauração, do alojamento turístico e dos restantes sectores representados pela associação, tendo em conta as características geográficas do arquipélago e os desafios específicos enfrentados pelas actividades económicas nas ilhas.
A estrutura dispõe actualmente de 25 pontos de atendimento no país, entre delegações e pólos. No caso açoriano, a distância em relação ao território continental levou a associação a optar por uma ligação dirceta entre a Delegação Regional e a Direcção nacional, com o objectivo de garantir maior articulação e capacidade de intervenção, segundo informação prestada pela Associação.
Carlos Moura pretende assegurar a continuidade e a estabilidade do trabalho desenvolvido nos Açores, intensificar a ligação aos associados, ouvir os empresários e identificar os constrangimentos que afectam a actividade. O apoio técnico, a transmissão de informação, a formação e a apresentação das preocupações das empresas junto das entidades competentes estão igualmente entre as prioridades.
A sustentabilidade dos negócios, os custos de contexto, a falta de trabalhadores, a simplificação de regras, a valorização da produção local e da identidade regional e a melhoria das condições de competitividade das empresas açorianas são algumas das matérias que a delegação deverá acompanhar até ao próximo ciclo eleitoral.
A mudança recente das instalações da AHRESP em Ponta Delgada integra também esta estratégia. A delegação deixou um espaço situado no quarto andar de um prédio e passou para uma nova localização no centro da cidade, a poucas centenas de metros da anterior, mas com entrada directa, na Avenida D. João III.
A associação considera que o novo espaço é mais visível e acessível e oferece melhores condições de atendimento, acolhimento e organização interna.
No diagnóstico apresentado sobre o alojamento turístico nos Açores, Carlos Moura identifica a incerteza e uma preocupação crescente como os sentimentos predominantes entre os empresários. Apesar de reconhecer a atractividade do destino e a diferenciação proporcionada pela natureza, gastronomia, sustentabilidade e autenticidade, aponta a conectividade aérea, os custos operacionais e a sazonalidade como os principais fatores de pressão.
A saída da Ryanair do mercado açoriano no final de Março agravou, segundo a AHRESP, as preocupações com a acessibilidade. A associação alerta que uma redução das frequências ou o aumento dos preços das viagens pode afastar parte da procura, em particular o mercado nacional e os visitantes mais sensíveis ao preço.
O reforço anunciado pela Azores Airlines, com ligações extraordinárias entre Lisboa e as ilhas do Pico e do Faial em Agosto e Setembro, é considerado positivo, mas insuficiente para substituir a capacidade aérea deixada pela transportadora irlandesa. A AHRESP defende uma resposta estrutural que assegure ligações regulares, previsíveis e com preços competitivos ao longo do ano.
A AHRESP refere uma evolução desigual do turismo regional. Entre Janeiro e Maio de 2026, os Açores registaram uma diminuição homóloga de 2,9% no número de hóspedes e de 3,2% nas dormidas. Em sentido contrário, os proveitos globais aumentaram 4,5% e o rendimento por quarto disponível, o RevPAR, cresceu 1,6%.
Carlos Moura considera, por isso, que não se pode falar num balanço inteiramente positivo. O crescimento das receitas demonstra que o sector continua a gerar valor, mas a redução de hóspedes e dormidas constitui um sinal de preocupação e aconselha prudência quanto à evolução dos próximos meses.
A escassez de trabalhadores qualificados é outra das dificuldades identificadas. Para responder ao problema, a associação pretende reforçar o acesso das empresas açorianas à formação certificada da Academia AHRESP, tanto presencial como à distância, em áreas como atendimento ao cliente, gestão operacional, segurança alimentar, sustentabilidade e digitalização.
A AHRESP celebrou ainda um protocolo com a Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa destinado a promover o recrutamento e a formação de trabalhadores nos países de origem. Para Carlos Moura, captar profissionais é importante, mas o principal desafio nos Açores passa pela sua fixação nas ilhas.
Na restauração, a associação identifica igualmente um quadro de incerteza, marcado pelo aumento dos custos das matérias-primas, energia, transportes e logística, pela falta de trabalhadores e pelas dificuldades em repercutir esses encargos nos preços cobrados aos clientes. A sazonalidade agrava a situação dos estabelecimentos mais dependentes do turismo, obrigados a gerir períodos de elevada procura e falta de equipas, seguidos de meses em que se torna difícil suportar os custos fixos.
Quase três quartos dos empresários abrangidos por um inquérito da AHRESP antecipam receitas semelhantes ou inferiores às do verão de 2025. A inflação dos custos operacionais e a carga fiscal e tributária são apontadas como os principais desafios para a gestão das empresas durante a época alta.
Perante este quadro, a Delegação Regional, agora representada pelo presidente nacional até às eleições de 2027, deverá concentrar a sua intervenção no reforço da conectividade, no combate à sazonalidade, na promoção do consumo local, na qualificação profissional e na criação de condições para aumentar a permanência e o consumo dos visitantes nos Açores.
