O excesso de peso ou a obesidade atingia 42,3% das crianças residentes nos Açores dos 5 aos 14 anos em 2025, revelou o Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA).
Os resultados do Módulo das Crianças do Inquérito Nacional de Saúde (INS) mostram que 5.041 crianças, correspondentes a 21,3% da população residente naquela faixa etária, tinham excesso de peso. A obesidade abrangia outras 4.972 crianças, ou 21% do total.
Somadas, as duas categorias representavam uma estimativa de 10.013 crianças entre os 5 e os 14 anos. O peso normal era a situação mais frequente, abrangendo 12.194 crianças, equivalentes a 51,5% da população daquela faixa etária.
O SREA revela ainda uma estimativa de 1.220 crianças com magreza, correspondentes a 5,2% do total. Este valor deve, contudo, ser interpretado com prudência, uma vez que o próprio documento assinala a existência de um coeficiente de variação elevado, indicador de menor precisão estatística.
As quatro classes de índice de massa corporal infantil apresentadas são a magreza, o peso normal, o excesso de peso e a obesidade e totalizam 99% da população estimada dos 5 aos 14 anos. O documento não discrimina a parcela remanescente de 1%.
Apesar da elevada prevalência de excesso de peso e obesidade, a apreciação geral do estado de saúde das crianças com menos de 15 anos era maioritariamente positiva. Em 2025, 31.572 crianças, ou 92,4%, tinham um estado de saúde referido como bom ou muito bom. Outras 2.270, correspondentes a 6,6%, apresentavam um estado de saúde classificado como razoável, mau ou muito mau.
Os dados revelam também que 5.355 crianças com menos de 15 anos, representando 15,7% do total, tinham doenças ou problemas de saúde que afectavam a capacidade de realizar actividades consideradas habituais para a idade.
Na saúde oral, 30.726 crianças, equivalentes a 90%, tinham o estado dos dentes e das gengivas avaliado como bom ou muito bom. Em sentido contrário, 2.603 crianças, ou 7,6%, apresentavam uma avaliação razoável, má ou muito má. As categorias publicadas neste indicador cobrem 97,6% da população estimada, sem que o documento identifique a situação dos restantes 2,4%.
O Inquérito Nacional de Saúde 2025 foi realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com a colaboração do SREA nos Açores. As respostas ao módulo dedicado às crianças foram recolhidas entre Setembro e Dezembro de 2025, através de entrevistas presenciais, telefónicas e pela Internet.
A informação foi prestada pelo detentor da responsabilidade parental, pelo que os indicadores relativos ao estado geral de saúde e à saúde dos dentes e das gengivas correspondem a apreciações comunicadas no inquérito. Os valores absolutos apresentados nos quadros constituem estimativas da população residente e não o número de crianças efectivamente entrevistadas.
Obesidade infantil nos Açores
8,1 pontos acima
da proporção nacional
A nível nacional, a obesidade afectava 12,9% das crianças dos 5 aos 14 anos e o excesso de peso 22,6%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o que comparando com os Açores, onde as proporções registadas foram de 21% e 21,3%, respectivamente. Em conjunto, o excesso de peso e a obesidade abrangiam 42,3% das crianças açorianas daquela faixa etária, mais 6,8 pontos percentuais do que os 35,5% registados no país. A diferença resulta da obesidade, cuja prevalência regional superava a nacional em 8,1 pontos.
Nos restantes indicadores, o estado de saúde avaliado como bom ou muito bom encontra-se praticamente em linha com os 92,3% nacionais.
Os Açores também superaram o país na avaliação positiva dos dentes e gengivas, com 90% contra 88,3%, enquanto os problemas de saúde afectavam as actividades habituais de 15,7% das crianças na Região, abaixo dos 18,9% nacionais.
