A sensibilização ambiental continua a ser um dos principais fatores para a melhoria da gestão de resíduos nos Açores. A ideia foi defendida pelo secretário regional do Ambiente e Acção Climática, Alonso Miguel, durante o lançamento da segunda edição da campanha “Menu Separar Sempre”, promovida em parceria com a Novo Verde e dirigida ao setor HORECA (hotelaria, restauração e similares), que decorreu na passada Sexta-feira, na ilha Terceira.
Na intervenção, o governante considerou que a iniciativa constitui um instrumento importante para reforçar a economia circular na Região, enquadrando-se na Agenda para a Economia Circular dos Açores e complementando as várias acções de educação e sensibilização ambiental promovidas pelo Governo Regional.
Alonso Miguel salientou que a aposta na literacia ambiental tem sido uma prioridade da política ambiental açoriana, através de programas dirigidos às escolas, encontros regionais de educação ambiental e campanhas temáticas, como a Semana dos Resíduos dos Açores, envolvendo diferentes faixas etárias e sectores da sociedade.
Segundo o secretário regional, esta estratégia tem contribuído de forma decisiva para a evolução positiva da gestão de resíduos no arquipélago, reflectida nos dados do Relatório Anual de Resíduos Urbanos de 2025.
De acordo com os números apresentados, cerca de 82% dos resíduos urbanos produzidos nos Açores foram encaminhados para operações de valorização durante o último ano. A taxa de preparação para reutilização e reciclagem voltou igualmente a aumentar, atingindo 49%, um desempenho que coloca a Região entre as melhores do país neste indicador.
Em sentido inverso, a deposição de resíduos em aterro continuou a diminuir, representando actualmente 18% dos resíduos urbanos produzidos, quando em 2020 ascendia a 44,9%, uma evolução que o governante classificou como histórica.
Para Alonso Miguel, estes resultados demonstram que a estratégia regional para o sector está a produzir efeitos concretos, sustentada em políticas públicas, investimento e mudança de comportamentos.
O responsável pela tutela do Ambiente sublinhou, contudo, que a transição para uma economia circular não depende apenas da legislação. Defendeu que o sucesso passa pelo envolvimento de cidadãos, empresas, municípios e restantes agentes económicos, através da adopção de práticas quotidianas como a correcta separação dos resíduos, a melhoria da recolha selectiva ou o desenvolvimento de embalagens mais facilmente recicláveis.
O secretário regional destacou ainda que, num território insular como os Açores, a economia circular assume uma importância acrescida, considerando que representa não apenas uma política ambiental, mas também uma estratégia de desenvolvimento económico, inovação e valorização dos recursos disponíveis.
Nesse contexto, afirmou que o arquipélago poderá afirmar-se como uma referência internacional em matéria de circularidade em territórios insulares, conciliando a competitividade económica com a protecção ambiental.