“As Imortais Ilhas Encantadas” é o título da residência artística que a Orquestra Nacional Moderna promove, em Velas, Ilha de São Jorge, nos Açores, entre 31 de julho e 9 de Agosto. Será um espaço de experimentação “para dialogar com a paisagem, com a memória, com a cultura e com as pessoas que a habitam”. Nos dias 5 e 6 de Agosto, às 15h30, haverá visitas à residência que termina com um concerto, no dia 7 de Agosto, às 21h, no Auditório Municipal de Velas.
Assim, diz a organização do evento, “Entre o silêncio atlântico e o sopro antigo das ilhas, a Orquestra Nacional Moderna instala-se em Velas, Ilha de São Jorge, Açores, entre 31 de Julho e 9 de Agosto, para uma Residência Artística – AS IMORTAIS ILHAS ENCANTADAS – encontro de escuta e criação. Aqui, onde a luz se demora e o tempo respira devagar, nasce um espaço de experimentação que procura dialogar com a paisagem, com a memória, com a cultura e com as pessoas que a habitam. Cada dia será uma deriva criativa, cada gesto uma tentativa de traduzir o que o arquipélago murmura — o rumor do mar, a força da terra, a delicadeza do que permanece. Há arquipélago de sons que se perpetua nos Açores, como dimensão telúrica e de vibração mística, que canta os ímpetos da beleza natural, o lugar ideal para a sua união com o homem, conduzindo-nos a um espetáculo soberbo e único, articulando música, beleza e coreografia exemplares. Em Velas, onde o horizonte se abre em círculo perfeito, a Orquestra Nacional Moderna lança-se a um desafio raro: mostrar o que uma Residência Artística pode ser quando a criação se mistura com o território, quando a música se deixa transformar pelo lugar e pelas pessoas que o habitam. Durante esta residência, a ONM experimenta, arrisca e reinventa-se. Cada ensaio torna-se laboratório, cada encontro uma possibilidade, cada som um gesto de aproximação. Velas converte-se em palco vivo, cúmplice e provocador, onde a orquestra explora novas formas de estar, de ouvir e de criar. Entre o som de canções tradicionais açorianas e o tecer e recontar de estórias, numa espécie de andante molto moto, constrói-se um evento cénico-musical, que se encasa na multiplicidade e abundância cromo-musical do arquipélago. Velas torna-se exemplo, e a ONM prova que quando uma Municipalidade abre portas à criação, abre, também, portas ao desenvolvimento cultural, artístico, educativo e social. O que acontece em Velas e em particular no Auditório Municipal de Velas, não foi apenas possível — foi desejável. Apesar de existirem vários programas de residências artísticas nos Açores, não há registo público de que Velas, em São Jorge, tenha alguma vez acolhido formalmente uma iniciativa deste género. Esta ausência de histórico torna esta Residência Artística, particularmente relevante: inaugura uma nova relação entre criação contemporânea e território, posicionando Velas como um exemplo possível para outras autarquias e a que a Direcção-Geral das Artes deu corpo de possibilidade. Num momento em que a descentralização cultural ganha importância, o gesto de abrir espaço à presença continuada de artistas revela visão e coragem política, e pode inspirar novas práticas que reforcem o papel das artes como motor de desenvolvimento local.
Um autor, qualquer que seja a sua obra, tem, sempre, uma visão muito particular sobre o ato criativo e sobre o seu resultado. A criação e o desenvolvimento de uma ideia assentam, muitas das vezes, em forças contraditórias, numa região insondável plena de mistérios e de momentos inesperados. Aquilo que nos apetece realizar no âmbito deste projeto cénico-musical, prende-se com o facto de poder vir a edificar um constructo original, de valor estético, social, cultural e turístico. E neste último aspecto, parece-nos determinante a forma como o propomos, numa aliança alargada de perspectivas, conjugando a imagem e o som, permitindo, assim, leituras diversificadas e potencialmente mais enriquecidas.