O número de passageiros desembarcados nos portos dos Açores em viagens marítimas interilhas diminuiu 7,97% em Junho, face ao mesmo mês de 2025, segundo os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA). No total, registaram-se 56.974 desembarques, menos 4.934 do que os 61.908 contabilizados no período homólogo.
Depois de uma ligeira recuperação em maio, quando o número de passageiros tinha aumentado 0,5% em termos homólogos, o tráfego marítimo voltou a apresentar uma evolução negativa, prolongando a tendência de quebra que se tinha verificado entre Julho de 2025 e abril deste ano.
A operação regular da Atlânticoline durante a época baixa mantém apenas as ligações entre as ilhas do Triângulo — Pico, Faial e São Jorge — e entre Flores e Corvo. A partir de Junho inicia-se a operação sazonal que integra também as ligações à Terceira e à Graciosa, marcando o arranque da época alta do transporte marítimo de passageiros no arquipélago.
A ilha do Pico voltou a concentrar o maior movimento de passageiros desembarcados, beneficiando das frequentes ligações com o Faial ao longo de todo o ano. Em Junho registou 25.341 desembarques, embora tenha apresentado uma redução homóloga de 8,12%.
O Faial manteve-se como a segunda ilha com maior volume de passageiros, totalizando 23.362 desembarques, menos 8,94% do que no mesmo mês do ano passado.
Também São Jorge registou uma diminuição da procura. A ilha contabilizou 6.585 passageiros desembarcados, o que representa uma quebra de 6,57% relativamente a junho de 2025.
Com o início das ligações sazonais, a Terceira registou 598 desembarques, menos 48 passageiros do que no mesmo período do ano anterior, correspondendo a uma redução de 7,43%.
Em sentido contrário, a Graciosa foi a única ilha do grupo Central a apresentar crescimento. Os desembarques aumentaram de 287 para 322 passageiros, traduzindo uma subida homóloga de 12,2%.
No grupo Ocidental verificou-se igualmente uma evolução positiva. Nas Flores, o número de passageiros desembarcados aumentou de 376 para 412, o equivalente a um crescimento de 9,57%, enquanto no Corvo os desembarques passaram de 313 para 354 passageiros, representando uma subida de 13,1%.
No conjunto dos primeiros seis meses do ano, os portos açorianos registaram 211.479 passageiros desembarcados provenientes de viagens interilhas, menos 11.019 do que no primeiro semestre de 2025, o que corresponde a uma diminuição acumulada de 4,95%.
Apesar de Junho marcar o início das ligações marítimas à Terceira e à Graciosa, nas restantes ilhas os valores acumulados continuam abaixo dos registados no ano anterior.
O Pico lidera igualmente o movimento acumulado de passageiros, com 97.672 desembarques entre Janeiro e Junho, menos 4,59% do que no mesmo período de 2025. Segue-se o Faial, com 93.741 passageiros, refletindo uma quebra de 5,52%.
São Jorge contabilizou 17.750 desembarques no primeiro semestre, menos 4,04% em termos homólogos.
No grupo Ocidental, embora Junho tenha registado aumentos, o balanço semestral permanece negativo. As Flores passaram de 781 para 749 passageiros desembarcados, uma redução de 4,1%, enquanto o Corvo registou 647 desembarques, menos 8,1% do que no período homólogo.
Desde 2020 que a Atlânticoline mantém suspensa a operação sazonal de grande dimensão que assegurava ligações marítimas entre praticamente todas as ilhas dos Açores — com excepção do Corvo — através de navios de maior capacidade durante os meses de verão.
Actualmente, durante a época alta, entre Junho e Setembro, a oferta marítima de passageiros limita-se às ligações entre as cinco ilhas do grupo Central — Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial — e à ligação entre Flores e Corvo, no grupo Ocidental.
Transporte marítimo interilhas continua abaixo dos níveis anteriores à pandemia
Os dados de Junho confirmam a tendência de abrandamento do transporte marítimo de passageiros entre ilhas que se tem verificado nos Açores nos últimos anos. Depois da forte quebra provocada pela pandemia de covid-19, em 2020, a procura recuperou gradualmente, mas a oferta de ligações nunca regressou ao modelo que vigorava até então.
Desde 2020 permanece suspensa a operação sazonal da Atlânticoline que assegurava ligações entre praticamente todas as ilhas do arquipélago — com exceção do Corvo — através de navios de maior capacidade durante os meses de verão. Essa operação permitia deslocações diretas entre vários grupos de ilhas e constituía uma alternativa ao transporte aéreo, tanto para residentes como para turistas.
Com a reformulação da operação, a oferta passou a concentrar-se nas ligações do grupo Central, abrangendo Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial durante a época alta, e nas ligações permanentes entre as ilhas do Triângulo (Pico, Faial e São Jorge) ao longo de todo o ano. No grupo Ocidental mantêm-se as ligações regulares entre Flores e Corvo.
Esta alteração estrutural reduziu significativamente a abrangência da rede marítima regional, eliminando as ligações sazonais que aproximavam as ilhas dos grupos Oriental, Central e Ocidental e que permitiam percorrer grande parte do arquipélago por via marítima durante o Verão.
Apesar da recuperação gradual da procura turística registada nos Açores após a pandemia, a evolução do número de passageiros transportados por via marítima tem sido marcada por oscilações, refletindo quer a menor oferta de ligações, quer a crescente utilização do transporte aéreo nas deslocações interilhas de maior distância.
Os dados agora divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores mostram que 2026 mantém esta tendência. Depois de um ligeiro aumento homólogo em maio, o movimento de passageiros voltou a recuar em junho e, no acumulado do primeiro semestre, os desembarques nos portos açorianos permanecem abaixo dos registados no mesmo período de 2025, indicando que a recuperação do transporte marítimo interilhas continua a revelar-se mais lenta do que a verificada noutros segmentos da mobilidade e do turismo na Região.
