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Exemplar união e persistência na luta pelos seus direitos

COFACO: Uma empresa conserveira que honra há muitas décadas o setor produtivo regional e que emprega na sua fábrica de Rabo de Peixe mais de 300 trabalhadores, na sua esmagadora maioria mulheres, responsáveis pela produção de 50 milhões de latas de conserva anuais, uma faturação de mais de 60 milhões de euros, e uma excelente qualidade de produto, atestada por conhecidas marcas como a “Bom Petisco” ou a “Tenório” e reconhecida no estrangeiro, de onde recebe regularmente volumosas encomendas. Perto de 30% do volume de vendas da empresa vai para exportação, com uma presença global em mais de 30 países e nos 5 continentes.
A Cofaco recebe justamente apoios financeiros e outros, seja da Região, do País ou da União Europeia, para a manutenção da sua atividade em Rabo de Peixe, em grande parte a título de compensação dos custos da insularidade distante onde se processa a laboração da sua matéria-prima, atum em especial, mas também, de forma complementar, sardinha e cavala.
Malgrado todos estes indicadores positivos para a economia regional e a criação de riqueza no seu setor secundário, um injusto e sombrio elo mais fraco tem acompanhado a existência e o funcionamento desta fábrica, quase como uma doença crónica. Refiro-me à compensação indigna que a esmagadora maioria daquelas e daqueles que nela trabalham usufruem por tal quantidade e qualidade de trabalho aqui referidos.
Entre outras, duas expressões sistemáticas mais evidentes deste tratamento indigno (ou exploração, como queiram) já foram finalmente erradicadas do sistema laboral em vigor: o trabalho obrigatório em pé e a precariedade contratual continuada de despedimentos e readmissões anuais. Mas, isto só foi possível ao fim de muita persistência e muita luta coletiva por parte das trabalhadoras, com vários dias de salário perdido por se verem obrigadas a recorrer à greve para alcançar esses objetivos.
Como a recente greve e a manifestação da passada semana à porta da fábrica demonstraram mais uma vez, essa persistência e essa luta coletiva prosseguem, de forma exemplar, sem desfalecimentos, diria mesmo com laivos de heroísmo ao longo dos últimos anos, pois muitas e graves injustiças persistem devido à obstinada resistência patronal em corrigi-las.
Apesar do mérito e qualidade reconhecidos, 85% das trabalhadoras recebem apenas o salário mínimo, algumas desde há décadas. Não há categorias nem carreiras e os únicos aumentos são aqueles que correspondem às subidas do salário mínimo. Há quem tenha despendido muitos anos de trabalho na fábrica, tendo entrado e saído sempre com o mesmo salário. E isto para não falar no prejuízo que não só representam os baixos salários para as suas condições elementares de vida, como depois por aquilo que vêm a receber quando passam à reforma. Entretanto, os subsídios de alimentação, diuturnidades e horários estão completamente desatualizados.
Na manifestação da passada semana ouviu-se as trabalhadoras a queixarem-se por se sentirem ignoradas pelo governo e pela maioria dos partidos políticos regionais. Ora, se a empresa recebe apoios públicos para laborar, isso justifica plenamente que governo e partidos na Região se interessem pelas justas pretensões de quem nela labora. Mas provavelmente porque o Sr. Presidente do Governo anda tão embevecido com as “novas centralidades dos Açores”, respeitantes ao domínio do espaço e dos satélites, os seus pés terão por isso deixado de estar bem assentes em terra…
Da minha parte, aqui manifesto de forma solidária e sentida a minha homenagem a esta união e à penosa luta pelos seus direitos em que os trabalhadore(a)s da Cofaco se encontram empenhado(a)s há já muitos anos.
Mário Abrantes

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