A população residente nos Açores aumentou 1,8% entre 2021 e 2025, atingindo os 245.328 habitantes no final do ano passado, segundo as Estimativas Anuais da População Residente divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O crescimento demográfico da Região foi, contudo, inteiramente sustentado pelo aumento da população estrangeira, uma vez que o número de residentes de nacionalidade portuguesa diminuiu no mesmo período.
Os dados revelam que, entre 2021 e 2025, a população açoriana aumentou em 4.302 pessoas. No mesmo intervalo, a população de nacionalidade estrangeira mais do que duplicou, passando de 3.772 para 9.333 residentes, um acréscimo de 5.561 pessoas (+147,4%). Em sentido inverso, a população de nacionalidade portuguesa diminuiu em 1.259 pessoas (-0,5%), evidenciando que o crescimento populacional da Região resultou exclusivamente dos fluxos migratórios.
São Miguel concentrou o maior aumento absoluto da população residente, com mais 2.539 habitantes desde 2021, totalizando 138.557 residentes em 2025. Seguiram-se as ilhas do Pico (+872 habitantes), Faial (+502), Terceira (+270), Santa Maria (+91), São Jorge (+73) e Corvo (+33). Apenas a Graciosa (-57 habitantes) e as Flores (-21) registaram perdas populacionais no período.
Em termos relativos, o Corvo apresentou o crescimento mais expressivo (+8,2%), seguido pelo Pico (+6,2%), Faial (+3,4%), São Miguel (+1,9%), Santa Maria (+1,7%), São Jorge (+0,9%) e Terceira (+0,5%). As Flores (-0,6%) e a Graciosa (-1,4%) foram as únicas ilhas em declínio.
Ao nível municipal, Ponta Delgada foi o concelho que mais cresceu em números absolutos, com mais 1.677 residentes desde 2021, alcançando os 71.695 habitantes. Também se destacaram a Ribeira Grande (+631 habitantes), Madalena (+487), Horta (+502) e Lagoa (+330). Em sentido contrário, os maiores decréscimos verificaram-se na Povoação (-137 habitantes), Santa Cruz das Flores (-65), Santa Cruz da Graciosa (-57), Calheta (-28) e Nordeste, que registou uma redução residual.
Em termos percentuais, os maiores aumentos populacionais ocorreram nos municípios do Corvo (+8,2%), Madalena (+7,7%) e São Roque do Pico (+7,1%), refletindo uma dinâmica demográfica particularmente expressiva na ilha do Pico.
A população estrangeira aumentou em todas as ilhas do arquipélago. São Miguel concentrou o maior crescimento absoluto, com mais 2.644 residentes estrangeiros, seguindo-se o Pico (+833), Terceira (+827), Faial (+617) e São Jorge (+328). No final de 2025, São Miguel contabilizava 4.368 residentes estrangeiros, enquanto o Pico registava 1.252, a Terceira 1.471 e o Faial 1.173.
Apesar de São Miguel reunir o maior número de estrangeiros, foi no Pico que esta população assumiu maior peso relativo, representando 8,4% da população residente da ilha. Seguiram-se o Faial (7,7%), Corvo (6,2%), Flores (6,0%) e São Jorge (5,4%). No conjunto da Região, os estrangeiros representavam já 3,8% da população residente.
Nos municípios, o maior peso da população estrangeira verificava-se nas Lajes das Flores (9,9%), São Roque do Pico (9,4%), Madalena (9,0%) e Horta (7,7%). Em contrapartida, Vila Franca do Campo apresentava a menor proporção de residentes estrangeiros (1,6%), seguida da Ribeira Grande e Lagoa (2,0% em ambos os casos).
As comunidades brasileira e cabo-verdiana continuam a ser as mais representativas entre os residentes estrangeiros. Em 2025 residiam nos Açores 2.199 cidadãos brasileiros, correspondendo a 23,6% da população estrangeira, e 1.365 cabo-verdianos (14,6%). Seguiam-se os cidadãos dos Estados Unidos (626), Alemanha (591) e China (388).
O crescimento mais expressivo ocorreu na comunidade cabo-verdiana, que aumentou nove vezes desde 2021, passando de 151 para 1.365 residentes.
Os indicadores demográficos evidenciam igualmente um acentuado envelhecimento da população açoriana. Entre 2021 e 2025, o número de crianças com menos de 15 anos diminuiu 6%, enquanto a população com 65 ou mais anos aumentou 13,8%, atingindo 46.284 pessoas.
O índice de envelhecimento passou de 114,3 para 138,3 idosos por cada 100 jovens, um aumento de 24 pontos no período.
O saldo natural manteve-se negativo em todos os anos analisados, registando menos nascimentos do que óbitos, situação que reforça o papel da imigração na manutenção do crescimento populacional dos Açores.