A Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) congratula-se com o arranque do Plano de Monitorização dos Fluxos de Visitação à Ilha do Corvo, anunciado pela Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infra-estruturas, Berta Cabral, no âmbito da iniciativa Verão 2026.
Em nota de imprensa, a associação mencionou que a “recolha de informação objectiva sobre o número de visitantes, os seus padrões de deslocação e os impactos da actividade turística na mobilidade, nas infra-estruturas, nos recursos naturais, nos serviços e na qualidade de vida das populações constitui um passo indispensável para uma gestão sustentável do destino Açores.”
Esta iniciativa vai ao encontro de uma preocupação há muito manifestada pela CCIAH e pela sua Comissão Especializada do Turismo. Na proposta apresentada sobre turismo e sustentabilidade, a CCIAH defendeu “a necessidade de determinar a capacidade de carga turística de cada ilha e dos locais sujeitos a maior pressão, criando uma base técnica que permita tomar decisões fundamentadas sobre promoção, distribuição dos fluxos, infra-estruturas e preservação ambiental.” Assim sendo, a CCIAH considera, que o estudo desenvolvido no Corvo “deverá constituir o ponto de partida para um sistema permanente de monitorização, progressivamente alargado a todas as ilhas”, defendendo que só uma visão regional permitirá “identificar desequilíbrios, antecipar situações de sobrecarga, distribuir melhor os visitantes e valorizar de forma equilibrada a oferta turística de todo o arquipélago.”
“Os resultados obtidos deverão ser tornados públicos e utilizados na definição de medidas ajustadas à realidade de cada ilha. Essas medidas poderão incluir uma melhor organização dos horários e transportes, o reforço de serviços e infra-estruturas, a gestão dos locais mais procurados e, quando os dados o justifiquem, mecanismos de regulação dos fluxos turísticos”, frisou a CCIAH.
A monitorização constitui, contudo, apenas uma primeira etapa, defende a associação, que afirma que a “sustentabilidade do destino exige também recursos financeiros que permitam proteger o património natural e paisagístico, qualificar infra-estruturas, sensibilizar residentes e visitantes e reforçar a promoção turística dos Açores.”
Neste contexto, a CCIAH reiterou “a pertinência de estudar a criação de uma Taxa de Sustentabilidade dos Açores, de âmbito regional, assente em critérios transparentes e numa aplicação rigorosamente consignada das receitas. A respectiva definição deverá ter por base os dados agora começados a recolher, considerar as especificidades de cada ilha e assegurar uma repartição equilibrada dos recursos entre a Região e os municípios.” A receita deverá ser aplicada em “projectos concretos de preservação ambiental, qualificação dos espaços e infra-estruturas turísticas, gestão dos locais de maior procura, descarbonização, sensibilização e promoção do destino, salientou a CCIAH que defendeu igualmente “a criação de um portal público que permita aos residentes, às empresas e aos visitantes acompanhar a cobrança e conhecer os projectos financiados.”
“Sustentabilidade, promoção e desenvolvimento não são objectivos concorrentes. São dimensões complementares de uma estratégia que deve assegurar que o turismo continua a gerar valor económico e emprego, contribuindo simultaneamente para o bem-estar das comunidades locais e para a preservação dos recursos que distinguem os Açores”, lê-se na nota.
A monitorização e a adopção de medidas de sustentabilidade devem “avançar a par de uma estratégia activa de promoção do destino e de reforço das acessibilidades aéreas, sobretudo nas ilhas que, como a Terceira, ainda estão longe de enfrentar uma situação de pressão turística e necessitam de captar novas rotas, companhias aéreas e fluxos de visitantes”, defendeu a CCIAH que manifestou ainda a sua disponibilidade “para colaborar com o Governo Regional, os municípios, as empresas e as restantes entidades do sector, na construção de uma política regional de turismo baseada em dados, transparência e equilíbrio territorial”, finalizou a nota.