Num momento de elevado significado para a vida intelectual açoriana, o Instituto Cultural de Ponta Delgada promoveu no Coliseu Micaelense a sessão de apresentação do primeiro número de 2026 da revista Insulana, assinalando o regresso de uma das mais prestigiadas publicações culturais dedicadas ao estudo dos Açores. A cerimónia congregou grande parte da elite cultural micaelense, bem como relevantes personalidades da vida política e institucional da Região.
A sessão foi presidida por Henrique Aguiar, Presidente do Instituto Cultural de Ponta Delgada, contando igualmente com a presença do Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e do antigo Presidente da Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral, cuja participação conferiu particular simbolismo a um acontecimento que ultrapassa a mera apresentação editorial para se afirmar como um gesto de renovação da memória colectiva açoriana.
Intervieram José Luís Brandão da Luz, Leonor Pavão e Onésimo Teotónio Almeida, cujas reflexões sublinharam a singular importância da Insulana enquanto espaço privilegiado de produção, preservação e difusão do conhecimento sobre a história, a cultura, a literatura, o património e a identidade do arquipélago. Nas diferentes intervenções foi evocada a notável tradição da revista, fundada há mais de sete décadas, cuja continuidade representa uma afirmação da vitalidade do pensamento humanístico açoriano.
Publicada há mais de 75 anos, a Insulana ocupa um importante lugar no panorama editorial português dedicado aos estudos insulares. Ao longo da sua existência, constituiu um repositório indispensável de investigação histórica, etnográfica, linguística e literária, tornando-se uma referência incontornável para investigadores, académicos e estudiosos da realidade açoriana.
A publicação deste primeiro número de 2026 representa, por isso, muito mais do que a retoma de um projeto editorial, pois traduz a recuperação de uma tradição intelectual profundamente enraizada na missão de conservar a memória e estimular uma reflexão crítica sobre a identidade açoriana, numa época em que a cultura se afirma como elemento estruturante do desenvolvimento cívico das sociedades.
O significado deste regresso é ainda ampliado pelo contexto particularmente simbólico em que ocorre. O ano de 2026 assinala o cinquentenário da Autonomia Política dos Açores, marco decisivo na consolidação democrática da Região, coincidindo igualmente com a distinção de Ponta Delgada como Capital Portuguesa da Cultura, circunstâncias que conferem especial oportunidade ao reaparecimento de uma publicação cuja história se confunde, em muitos aspectos, com a própria afirmação cultural do arquipélago.
O relançamento da Insulana representa, assim, um acontecimento maior da vida cultural açoriana, sinal de continuidade entre gerações de investigadores e testemunho da permanente necessidade de cultivar a memória histórica como fundamento da identidade e da consciência coletiva de um povo.
Por: António Pedro Costa
