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Navio de investigação Azores Ocean tem chegada prevista para hoje à Horta

O navio de investigação Azores Ocean tem chegada prevista hoje, 4 de Agosto, às 19h30, ao Cais Norte da Horta, segundo a agenda oficial do Governo Regional.
A chegada deverá ser acompanhada pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, cuja presença no local foi oficialmente divulgada para hoje.
O Azores Ocean foi concebido como uma plataforma científica multidisciplinar destinada a reforçar a capacidade dos Açores para investigar o mar profundo do Atlântico Nordeste central, em particular a Zona Económica Exclusiva (ZEE) do arquipélago.
É esse o objectivo definido na Memória Descritiva de Referência, datada de 30 de Novembro de 2022, que integrou o caderno de encargos do concurso público para a aquisição do navio.
A caracterização técnica contém, contudo, uma ressalva: a própria memória descritiva esclarece que fixa o conceito e os requisitos operacionais do navio, mas não especifica todos os detalhes da construção nem todos os equipamentos. O projecto completo ficou dependente do desenvolvimento realizado pelo estaleiro e da aprovação do proprietário e das entidades competentes. As características apresentadas no documento correspondem, por isso, às exigências que orientaram a construção, não constituindo uma ficha técnica final do navio já entregue.
De acordo com aquela fonte, o navio foi projectado para desenvolver trabalhos de investigação sem restrições de navegação, embora com exclusão das zonas com gelo. A memória previa o registo sob bandeira portuguesa, como navio de investigação, e uma lotação mínima de 20 pessoas em missões de navegação global: pelo menos 10 elementos da tripulação técnica e 10 da equipa científica. Para viagens diárias, a capacidade deveria abranger um mínimo de 30 pessoas embarcadas.
O projecto tomou como referência um comprimento fora a fora de 40 metros e uma boca de 11 metros, admitindo em ambos os casos uma variação de 15%. O pontal deveria situar-se entre 4,5 e 6,5 metros, a imersão entre três e 4,5 metros e o bordo livre entre 1,5 e dois metros. As capacidades indicativas apontavam para 100 metros cúbicos de combustível, 30 metros cúbicos de água doce e 20 metros cúbicos para águas negras e cinzentas, ficando os valores definitivos dependentes do desenvolvimento do projecto.
A velocidade de serviço exigida não poderia ser inferior a 12 nós nas condições de prova definidas na memória descritiva. A autonomia mínima foi fixada em 4.000 milhas náuticas e 15 dias no mar, correspondendo a um raio de operação superior a 1.000 milhas náuticas. O navio deveria igualmente conseguir operar a velocidades inferiores a um nó, condição importante para trabalhos científicos que exigem movimentos lentos e controlados.
A propulsão prevista era diesel-eléctrica, devendo responder às exigências de velocidade, manobrabilidade e redução do ruído e das vibrações, tanto a bordo como na água. A carena deveria ser optimizada para a eficiência energética e para minimizar o ruído subaquático, de forma a reduzir a interferência com os equipamentos acústicos e com os organismos marinhos estudados.
Entre os requisitos encontrava-se ainda um sistema de posicionamento dinâmico, destinado a controlar automaticamente a propulsão principal, os lemes e os propulsores transversais. A memória descritiva refereria capacidade de funcionamento em condições meteorológicas correspondentes, pelo menos, à força quatro da escala de Beaufort. O sistema de estabilização deveria recorrer a tanques laterais semi-activos ou activos para reduzir o balanço transversal durante as operações.

Investigação
até ao mar profundo

O Azores Ocean foi projectado para actuar em áreas que vão do mapeamento dos fundos marinhos à oceanografia física, química e biológica. A memória descritiva inclui também a geologia e a geofísica marinhas, a prospecção de recursos mineralógicos, a biologia e ecologia dos fundos oceânicos, a investigação de organismos com potencial biotecnológico e o estudo da meteorologia, das alterações climáticas e dos seus efeitos no funcionamento dos oceanos.
A plataforma deverá ainda apoiar a monitorização dos recursos haliêuticos e das pescas, a instalação e manutenção de cabos submarinos e de equipamentos científicos no oceano profundo, o desenvolvimento de tecnologias de energias renováveis ao largo e o ensaio de equipamentos tecnológicos. O documento acrescenta funções de vigilância e segurança marítimas, combate à poluição e formação no âmbito da Escola do Mar dos Açores.
O requisito operacional geral apontava para trabalhos com equipamentos científicos a profundidades de, pelo menos, 5.000 metros. A memória previa, porém, uma sonda acústica multifeixe destinada à batimetria até aos 7.000 metros, além de outra para levantamentos em profundidades até 500 metros. O sistema científico deveria integrar ainda uma sonda multifrequência para estimativas de biomassa, avaliação dos ecossistemas e aplicações de oceanografia física, um sonar omnidireccional e um perfilhador destinado à análise dos sedimentos e das estruturas geológicas abaixo do fundo marinho.
O navio foi igualmente preparado para efectuar trabalhos com artes de pesca de arrasto e palangre, rebocar redes e equipamentos científicos e lançar ou recolher sistemas de amostragem. Os guinchos especificados incluíam capacidade para operações até 5.000 metros, enquanto os sistemas destinados ao equipamento CTD e ao cabo com fibra óptica deveriam operar até, pelo menos, 3.000 metros.
A memória descritiva previa também que o convés pudesse receber simultaneamente dois módulos contentorizados de 20 pés, com uma capacidade mínima de carga de 30 toneladas. O navio deveria ficar preparado para embarcar e operar um sistema independente de veículos operados remotamente e veículos submarinos autónomos, conhecidos pelas siglas ROV e AUV. O documento não estabelece, contudo, que estes veículos integrassem necessariamente o fornecimento inicial, referindo antes a capacidade para receber os respectivos módulos de lançamento, recolha e comando.

Cinco espaços
dedicados à ciência

A actividade científica deveria distribuir-se por cinco espaços principais. A memória descritiva previa um centro de dados com uma área mínima indicativa de 15 metros quadrados, um laboratório seco e de acústica com 20 metros quadrados, um laboratório húmido polivalente e hangar com 22 metros quadrados, um segundo laboratório húmido com 15 metros quadrados e um laboratório húmido refrigerado com sete metros quadrados.
Estes espaços deveriam dispor de redes de dados, alimentação eléctrica estabilizada, água doce, água salgada não contaminada, gases, ar comprimido e sistemas de climatização e extracção. O laboratório refrigerado foi concebido para funcionar com temperaturas reguláveis entre 21 e quatro graus Celsius, permitindo trabalhos com amostras e organismos em condições controladas.
O equipamento complementar previsto incluía um sistema de análise contínua da água do mar à superfície ao longo da rota do navio. Este sistema deveria medir temperatura, salinidade ou condutividade, pH, oxigénio dissolvido, pressão parcial de dióxido de carbono, potencial de oxidação e redução, clorofila e turvação, integrando os resultados nos sistemas de dados instalados a bordo.
A memória descritiva apresenta, assim, o Azores Ocean como uma plataforma vocacionada para campanhas científicas multidisciplinares, com capacidade para combinar levantamentos acústicos, recolha de amostras, estudos dos recursos marinhos, investigação oceanográfica e ensaio de tecnologias. A confirmação das características exactas do navio recebido, incluindo dimensões finais, marcas, modelos e equipamentos efectivamente instalados, exigirá, porém, a consulta da ficha técnica definitiva.

Atlânticoline recebe
dois milhões de euros para operar
e manter o navio em 2026 e 2027

A operacionalização do Azores Ocean ficará enquadrada por um contrato entre a Região Autónoma dos Açores e a Atlânticoline. Em Conselho do Governo, o executivo aprovou uma resolução que autoriza a celebração desse acordo, destinado a estabelecer as obrigações e as condições de cooperação entre as duas partes.
O contrato terá como finalidade garantir a operacionalização do navio de investigação, a respectiva sustentação logística e a gestão da manutenção. A deliberação atribui, assim, à Atlânticoline um papel na gestão operacional e técnica do Azores Ocean, nos termos que vierem a ser fixados no acordo.
De acordo com a resolução, a Região deverá transferir para a Atlânticoline 250 mil euros durante 2026 e 1,75 milhões de euros em 2027, totalizando dois milhões de euros nos dois anos. A decisão autoriza a celebração do contrato, não permitindo concluir, por si só, que o acordo já foi assinado ou que as verbas foram transferidas.

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