“O setor regional da saúde é o que apresenta maiores custos, a que se seguem a educação e os transportes que em junho do corrente ano representavam uma despesa funcional respetivamente de 20,5 e 14,7 %, do total dos Açores.”
Envergonha assistir ao que se passa na Região, no que respeita à governação por parte dos políticos/partidos que constituem a coligação governamental que nos “desgoverna” de modo tão calamitoso e sem qualquer intenção de cumprirem o juramento que, mais ou menos conscientemente, fizeram aquando da tomada de posse e que foi de servirem a população.
Como já anteriormente escrevi, também a oposição – principalmente aquela que “poderia”, mas que parece não ter qualidade necessária e suficiente para ser “o” governo de que carecemos, parecendo uma miragem – me parece falha de liderança demonstrado não só pela atuação politica diária mas igualmente pela ausência de ideias, para que conheçamos como pretende corrigir todas as situações e mete vez e com enormes e negativos reflexos na vida açoriana. Ou seja, com propostas concretas que nos façam acreditar.
Não é possível que entre tantos políticos não haja algum que consiga demonstrar ser líder. José Bolieiro, Duarte Freitas e Berta Cabral, perderam a sua oportunidade, e deveriam ter a coragem de assumirem o que de tão negativo e de modo repetitivo e evidente andam a fazer. Seriam mais úteis se se demitissem, partindo do princípio de que este governo está “ferido de morte”, desde as inconscientes afirmações de Bolieiro perante a atuação dos seus “amigalhaços” da coligação governamental.
As (más) “novidades”, são constantes, e a resolução do governo de decidir assumir, aquando da venda da Azores Airlines, a responsabilidade da dívida a fornecedores da empresa e contribuir com um montante ainda não identificado para “ajudar” na falida tesouraria da empresa pública, neste caso da privada a surgir. Estamos perante uma divida e ajuda à tesouraria que pode ser de centenas de milhões.
Pelo que o governo regional assumiu perante o consórcio, na altura da privatização, acredito que também vai considerar a dívida financeira da empresa nesta tentativa de venda direta. Está, em causa, mais um valor de centenas de milhões. Está era a tal situação em que um dos membros do consórcio afirmava, na altura da negociação, que queria comprar mas transportaria uma “mochila vazia”, sendo que neste caso as benesses são ainda mais significativas.
Tudo isto se passa, em minha opinião, porque a Azores Airlines não desperta qualquer interesse a potenciais compradores e consequentemente o governo toma decisões de “cosmética financeira”, tal aranha no meio da teia esperando que amostra “caia”. Tais demonstrações de desespero surgem apenas para que se consiga um comprador. Basta um! A qualquer preço pelos vistos.
São verdadeiramente fracos, para não dizer péssimos, estes “negociadores” do governo regional e de certo nem conseguem fazer contas de somar e assumir o montante de responsabilidades financeiras que os nossos descendentes, potenciais futuros ativos na Região, irão ser obrigados a suportarem futuro. É já um governo regional de má memória.
Também o conselho de administração da Sata demonstra uma completa ausência de saber na arte da gestão de empresas, ao pretender renegociar, com os sindicatos, o valor da massa salarial dos trabalhadores, num momento demonstrativo de quererem “mascarar” a situação da empresa pública, para que alguém decida pela sua aquisição.
É em tudo a estória do feirante que “pinta com tinta baratucha” o seu burro velhíssimo e sem préstimo, colocando-lhe um chapéu de palha, na tentativa de que passe por novo. Só que a chuva, inoportuna, lava a tinta e mostra a realidade. E nos Açores a pluviosidade é significativa.
Faz hoje precisamente uma semana que escrevemos sobre um dos maiores investimentos a fazer na Região, correspondente à reconstrução e construção do novo hospital de Ponta Delgada, tendo previsto um custo total da obra entre 500 e 600 milhões de euros incluindo aqueles que se possam considerar operacionais de modo a possibilitar os devidos serviços a todos os utentes que dele necessitarem.
Periodicamente repetitiva, sempre como notícia velhíssima, surge igualmente associada a dívida a fornecedores e como única solução o recurso ao endividamento regional, correspondente aos três maiores hospitais da Região, a qual no fim do primeiro trimestre do corrente ano, atingiu um valor de aproximadamente 300 milhões de euros, correspondente a um crescimento de cerca de 17%.
Acrescentou publicamente a secretaria da saúde – assumindo que acreditamos em tudo que nos impinge – que tal crescimento se deveu, no essencial, a uma adaptação contabilística. Tanto quanto sei a contabilidade pública rege-se por um código próprio segundo legislação em vigor e não anda ao sabor de adaptações Só agora notaram a falha? A necessidade de adaptação? De quem foi a culpa? Enfim… vale tudo!!
Atendendo a que se passaram mais quatro meses sobre a data de referência deste passivo, poderemos, pela lógica, admitir que continuando ao mesmo ritmo de crescimento, as responsabilidades dos três hospitais regionais deverá rondar atualmente os 450 milhões de euros, tanto mais que não temos conhecimento de nos últimos tempos Duarte Freitas, o (ir)responsável das finanças públicas dos Açores, terá recorrido a qualquer instituição de crédito para obter mais um empréstimo de modo a satisfazer esta responsabilidade, tal como fez quando “apregoou” ter pago 300 mil euros através de um empréstimo obtido na altura.
O certo é que afirmou, que iria passar a providenciar o pagamento atempado deste tipo de responsabilidades, justificando que as dividas tinham origem nos governos socialistas. O valor da dívida cresceu e atingiu novamente várias centenas de milhões. Se a desculpa não é o partido da oposição, Bolieiro afirma serem os efeitos do covid19. Se governarem no ano 3000 (os deuses nos ajudem) as desculpas serão as mesmas. Tenham vergonha e façam competentemente o vosso trabalho, para o qual receberam, bem ou mal, o voto de uma pequena número de eleitores.
Recordo que a seu tempo, embora não me tenha sido possível confirmar se se mantem, por deliberação da assembleia regional, o governo estava obrigado a pagar juros correspondentes ao período em que a dívida a estes fornecedores hospitalares tinha prevalecido. Se assim for, os valores em causa têm de ser acrescidos do montante de juros correspondentes.
O setor da saúde é sem dúvida aquele que, em termos de despesa funcional regional, apresenta maiores valores mensais de acordo com a informação da secretaria das finanças, através dos boletins de execução orçamental, que “disponibiliza a execução mensal do orçamento regional…”
Embora reconhecendo que os valores mensais correspondem ao total do setor da saúde, consequentemente para além dos custos com os referidos três hospitais regionais, podemos concluir que no primeiro semestre a despesa funcional representou quase mil milhões de euros, representando uma média mensal de 28% do total regional deste tipo de despesa, a qual no período considerado totalizou cerca de 3,2 mil milhões de euros.
O setor regional da saúde é o que apresenta maiores custos, a que se seguem a educação e os transportes que em junho do corrente ano representavam uma despesa funcional respetivamente de 20,5 e 14,7 %, do total dos Açores. Quando será que de modo sério e consciente o governo regional, através de Bolieiro, faz saber aos residentes nos Açores como pretende “limpar” todo este imbróglio de situações, de que me parece nem se conseguir aperceber das implicações que tal tem para os nossos descendentes. Deem, pelo menos, o benefício de irem (todos) de férias de modo a não assumirem mais decisões políticas impróprias para a vida dos açorianos.