“Adorei conhecer grupos de público que consideram-se regulares no MED, devido às suas visitas anuais, sejam locais ou visitantes. Público que expressa o poder de possessão. Qualquer cidade, ou festival, que consegue público que não só promove mas defende o lugar e projeto, está de parabéns.”
Este mês de agosto marca os meus 15 anos de residência em Portugal, na ilha do Pico, nos Açores. Conhecer o país através de programas culturais artísticos é um dos meus objectivos. Já fui a muitos cantinhos, mas admito que ainda há muito mais para conhecer nas ilhas e no retângulo.
A primeira vez que fui a Loulé, em março de 2025, foi a convite da APORFEST – Iberian Festival Awards. Com um casal amigo, nos aventuramos, de carro, pelas terras sul da capital. Um belo dia de novas experiências e paisagens que culminou em receber o Prémio de Excelência – Personalidade do Ano, no mundo da música Ibérica, no Pavilhão 25 de Abril. De Loulé vi pouco mas fiquei curioso em voltar.
Um ano depois, recebi convite da Algarpalcos e da Câmara Municipal de Loulé para acompanhar a XXII edição do Festival MED, em junho de 2026. Só conhecia o festival pela sua robusta visibilidade nas redes sociais e pelo seu diretor, Paulo Silva. Cheguei à cidade portuguesa, no distrito de Faro, durante a noite de abertura do MED e fiquei apaixonado à primeira vista.
Loulé é o município mais extenso e populoso do Algarve. Não foi necessário um dia na cidade para perceber que há uma visão e um investimento estratégico no sector cultural, não só como um chamamento turístico, mas como forma de elevar a educação dos seus munícipes e de quem visita. O facto que o Festival Loulé Jazz, um dos mais antigos do país, foi apresentado na programação do Festival MED, mostra que existe uma coesão entre a Câmara Municipal e todos os seus projetos anuais.
O centro histórico de Loulé é o recinto e o palco do Festival MED. O público caminha entre ruas de outros tempos, comércio contemporâneo, uma bela oferta gastronómica da cidade e ainda muitos roulotes e restaurantes que preenchem as ruelas entre os mais variados palcos de música. O mercado municipal, o castelo, a igreja matriz, o chafariz, são todos palcos de músicas do mundo, desde o tradicional ao mais contemporâneo. Se por acaso o projeto musical que encontras num local não é a sua onda, basta caminhar minutos e há outro estilo musical, ou mesmo outra língua, para apreciar. O MED é um festival para ser vivido, caminhando o centro histórico e deixando-se levar pela música, pelos participantes, e pela restauração, que em si é uma experiência internacional.
Adorei conhecer grupos de público que consideram-se regulares no MED, devido às suas visitas anuais, sejam locais ou visitantes. Público que expressa o poder de possessão. Qualquer cidade, ou festival, que consegue público que não só promove mas defende o lugar e projeto, está de parabéns.
Ao lado de experiência cultural, no dicionário, devíamos encontrar Loulé. Na revista programa do Festival MED, a Diretora Municipal da Cultura da Câmara Municipal de Loulé, Dália Paulo, escreve “o MED é mais do que um festival, é um território de encontros onde o som e a luz se fazem linguagem comum.” Acredito o mesmo para a cidade inteira. Por isso desejo tudo de melhor na candidatura para Loulé Capital da Cultura Portuguesa 2028. Das 50 cidades que conheci nestes últimos anos, o meu voto está em Loulé.
Terry Costa*
*Diretor Artístico, MiratecArts