Bastaram algumas falhas nos exames nacionais do 12.º ano para que a esquerda fizesse aquilo que melhor sabe: transformar um problema técnico numa questão política. E não se enganaram quanto ao guião: primeiro veio a manchete indignada; depois fizeram avançar o coro afinado dos sindicatos e dos comentadores; por último, a exigência de responsabilidades. Nada de soluções, isso dá trabalho.
Que houve incompetência, houve. Ninguém sério o nega, e o próprio Ministério da Educação deus sempre a cara e não fugiu ao escrutínio. Mas há uma grande diferença entre corrigir um erro e explorá-lo. A primeira serve os alunos; a segunda serve para quem precisa de uma bandeira política. Como se no passado aquelas entidades não tivessem sido responsáveis conscientes do caos na época de exames!
Porém, o mais revelador é a hipocrisia dos argumentos. Os mesmos que juram defender a escola pública são os que a arrastam para a arena partidária à primeira oportunidade, isto é, politiza-se a educação e, em sequência, acusam o Governo de a politizar. É o velho truque: atirar a pedra e esconder a mão.
Pergunta-se, então, o que propõem a esquerda do Bloco e a direita do Ventura. Silêncio! Ou melhor: propõem comissões, audições, pedidos de demissão. Tudo menos um modelo alternativo de avaliação que resista ao tempo e ao teste da eficácia. Criticar não custa nada e rende aplausos; governar a sério é que dói.
No meio da gritaria ficaram os alunos, que, mesmo que indignados, precisam de soluções concretas e consequentes. E é por eles, e não pelos protagonistas do costume, que a educação deveria estar fora do combate político.
Não se trata de branquear falhas. O processo correu mal e daí serão retiradas as consequências.
A educação merece melhor. Os nossos alunos, também. E a esquerda, se quer ser levada a sério, começaria por arrumar as bandeiras, sair de cena e deixar o povo trabalhar.
[email protected]
Luís Soares Almeida