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Administração Regional dos Açores perde 52 postos de trabalho num ano

A Administração Regional dos Açores contabilizava 19.672 postos de trabalho no final de Junho deste ano, menos 52 do que no mesmo período de 2025, correspondendo a uma redução homóloga de 0,3%, segundo os dados mais recentes da Direçcão-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).
Em março deste ano estavam contabilizados 19.767 postos de trabalho, pelo que, no espaço de três meses, a Administração Regional perdeu 95 postos, uma redução de 0,5%.
A evolução açoriana contrasta com o comportamento global das administrações públicas portuguesas. No conjunto do país, o emprego público aumentou 1,0% em termos homólogos, com mais 7.390 postos de trabalho, impulsionado sobretudo pela Administração Central e pela Administração Local. As administrações regionais dos Açores e da Madeira evoluíram em sentido contrário.
Apesar da redução mais recente, o emprego na Administração Regional dos Açores continua acima do registado no início da série estatística da DGAEP. Em dezembro de 2011 eram contabilizados 17.728 postos de trabalho, menos 1.944 do que em Junho deste ano, o que representa um crescimento de cerca de 11,0% face ao início da série.
Os dados revelam ainda uma forte presença feminina. Em Junho de 2026, as mulheres representavam 66,0% dos trabalhadores da Administração Regional dos Açores, acima da taxa registada no conjunto das administrações públicas.

Açores mantêm
uma das estruturas etárias
menos envelhecidas

A caracterização estrutural do emprego público permite também perceber diferenças relevantes entre os Açores e os restantes sub-setores da Administração Pública.
Em dezembro de 2024, a DGAEP classificava a Administração Regional dos Açores como o sub-setor com o emprego menos envelhecido, uma vez que 36,8% dos trabalhadores tinham menos de 45 anos.
Os dados mais recentes, relativos a 31 de Dezembro de 2025, mostram, contudo, uma redução dessa proporção. Nessa data, 34,8% dos trabalhadores da Administração Regional dos Açores tinham menos de 45 anos. A Administração Central apresentava 35,3%, passando ligeiramente à frente dos Açores neste indicador.
A estrutura etária açoriana continuava, ainda assim, mais jovem do que a da Madeira, da Administração Local e dos fundos de segurança social. No final de 2025, 0,7% dos trabalhadores da Administração Regional dos Açores tinham até 24 anos, 11,8% entre 25 e 34 anos e 22,3% entre 35 e 44 anos. Nos escalões seguintes, 33,3% tinham entre 45 e 54 anos, 27,3% entre 55 e 64 anos e 4,6% tinham 65 ou mais anos.
Mais de metade
dos trabalhadores
têm ensino superior

O nível de escolaridade constitui outra característica diferenciadora da Administração Regional.
Em Dezembro de 2024, 56,8% dos trabalhadores da Administração Regional dos Açores tinham habilitações de nível superior, contra 57,6% na Madeira. A Administração Local apresentava uma percentagem substancialmente inferior, de 31,9%.
Os dados relativos ao final de 2025 mostram uma redução dessa proporção nos Açores para 54,8%, mantendo-se, apesar disso, uma maioria de trabalhadores com formação superior. Dos 19.628 postos de trabalho então contabilizados, 10.756 eram ocupados por trabalhadores com bacharelato, licenciatura, mestrado ou doutoramento.
No mesmo período, 24,3% dos trabalhadores da Administração Regional tinham apenas o ensino básico e 20,9% possuíam ensino secundário. Na Madeira, o ensino superior representava 58,5% dos trabalhadores, enquanto na Administração Local a proporção era de 32,7%.

Dirigentes açorianos
têm a idade média mais baixa

A Administração Regional dos Açores destaca-se também pela idade dos seus dirigentes.
Em dezembro de 2024, a idade média global dos dirigentes das administrações públicas portuguesas era de 51,5 anos e atingia 55,4 anos entre os dirigentes superiores de 1.º grau. Nos Açores, a idade média dos dirigentes era de 48,0 anos, a mais baixa entre os sub-setores analisados pela DGAEP.
A informação mais recente mantém essa posição relativa. Em dezembro de 2025, a idade média dos dirigentes da Administração Regional dos Açores subiu para 48,5 anos, mas continuou a ser a mais baixa. Na Administração Local, que surgia imediatamente a seguir, era de 51,2 anos.
No conjunto das administrações públicas, a idade média dos dirigentes aumentou para 51,8 anos e entre os dirigentes superiores de 1.º grau passou para 55,6 anos.

Emprego de pessoas
com deficiência

A DGAEP contabilizava, no final de 2025, 359 postos de trabalho ocupados por pessoas com deficiência na Administração Regional dos Açores, considerando neste indicador trabalhadores com incapacidade permanente igual ou superior a 60%.
Destes, 225 eram mulheres e 134 homens, o que corresponde a uma distribuição de 62,7% de mulheres e 37,3% de homens.
O número aumentou ligeiramente face a Dezembro de 2024, quando estavam contabilizados 357 trabalhadores com deficiência, dos quais 225 mulheres e 132 homens. A variação homóloga foi de 0,6%, correspondente a mais dois postos de trabalho. Face a Dezembro de 2011, quando existiam 351, o aumento acumulado é de 2,3%.
No conjunto das administrações públicas, a evolução foi bastante mais acentuada. Entre 2011 e 2025, o número de postos ocupados por trabalhadores com deficiência aumentou 121,9%, tendo crescido 4,5% apenas no último ano.

Empresas públicas dos Açores
continuam
sem dados reportados

Há, porém, uma limitação importante na informação estatística disponibilizada pela DGAEP sobre o sector público regional.
No capítulo dedicado ao emprego nas empresas públicas e demais entidades do sector público, os dados relativos às entidades detidas pela Administração Regional dos Açores surgem como “não disponíveis”.
A própria DGAEP esclarece expressamente que “as sociedades não financeiras detidas pela Administração Regional dos Açores estão em incumprimento no reporte de dados no SIOE”, o Sistema de Informação da Organização do Estado. Por esse motivo, não são apresentados valores relativos ao emprego nas empresas públicas regionais açorianas.
A situação não se limita aos dados de 2024. O mais recente Boletim Estatístico do Emprego Público, publicado em Junho de 2026, continua a apresentar como não disponíveis os números das sociedades não financeiras detidas pela Administração Regional dos Açores para 2023, 2024 e 2025, mantendo expressamente a referência ao incumprimento no reporte ao SIOE.
Esta ausência deve, contudo, ser distinguida dos dados relativos aos 19.672 postos de trabalho contabilizados em junho de 2026 na Administração Regional dos Açores. São universos estatísticos diferentes: os primeiros respeitam às sociedades não financeiras e demais entidades públicas fora do perímetro das administrações públicas analisado nesse capítulo do boletim, enquanto os segundos correspondem aos postos de trabalho da própria Administração Regional.
A DGAEP assinala ainda que os dados mais recentes da Síntese Estatística do Emprego Público foram objecto de revisão com impacto na série desde o quarto trimestre de 2023, na sequência da incorporação de nova informação, circunstância que deve ser considerada nas comparações com edições anteriores.

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