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Peixe do meu quintal

Férias!

Férias merecidas, de todos aqueles e aquelas que labutam anualmente, na espera que o país se transforme para melhor.
Férias dos que escrevem, na busca permanente de temas e assuntos que, até nas férias, falham.
Férias ao Sol, apesar de todos os avisos de alguns alarmistas, de que o Sol é impróprio para consumo.
Férias físicas dalguns políticos, cujas férias mentais são permanentes.
Férias dos burocratas que mantém o país em estado-de-sítio e retrógrada.
Férias da Paz, dando lugar a guerras beligerantes de fanáticos putinistas, petrolíferas e trumpistas, deixando atrás rastos de miséria humana, aos olhos impotentes do mundo e das ONU,s fantoches.
Férias da diplomacia internacional, de riso amarelo, fatos da quinta avenida, gravatas e cuecas de seda, enfileirados diante das câmaras televisivas mundiais, palhaços da política itinerante.
Férias da dependência do telemóvel, do automatismo do Homo Sapiens.
Férias da manipulação informativa da comunicação social.
Férias da violência em quase toda a programação audiovisual. Mesmo os pró-infantis cospem violência. As crianças são programadas e formatadas com violência permanente.
Aqui nos Açores, a terra continua a ser de paz, com gente de paz.
Basta um simples passeio pela Ilha, para vermos a bela paisagem do lixo despejado nas encostas marítimas. Plástico negro, que não combina com o basalto. Lixeiras improvisadas nos caminhos de penetração, fogões, frigoríficos, vidros, janelas e portas, acompanhados de cheiros nauseabundos, podres.
São quase sempre nos mesmos locais. As entidades limpam e dias depois, lá estão de novo os selvagens primitivos do costume a despejar o lixo.
Uma situação que convida à colocação de câmaras de vigilância, para apanhar os infractores, geralmente pequenos subempreiteiros ou cidadãos sem nenhum respeito pela natureza que os envolve nem pela Ilha que os abraça com amor.
Férias, aqui vou eu… visitar o meu querido amigo Vamberto Freitas ali prós lados dos bares e cafés do Pópulo. Despejar dois dedos de tertúlia. Desabafar nele e com ele. É naturalmente intrínseco entre nós. Há muitos anos que fazemos este exorcismo verbal.
Regresso ao meu paraíso ‘à beira-mar plantado’, limpo d’alma e desinfetado por um copo de velho tinto – sem abusar do malandro…!
Bem Hajas, Vamberto. Tanto que tens dado a esta cultura açórica e à Língua dos falantes lusos e tanto que ela te deve… graças ao teu discernimento crítico literário.
Nunca faças férias sobre as letras. Nem de Camões ou Cervantes, Molière ou Shakespeare. Somos sortudos com vários cordões umbilicais. Cidadãos do mundo, na verdadeira acessão da palavra… porque somos A Palavra!

José Soares*
*Analista político e jornalista, José Soares é cronista de
vários jornais e revistas em Portugal e no estrangeiro

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