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Saúde Física e Saúde Psicológica: duas faces da mesma realidade

Quando pensamos em saúde, é comum associá-la à ausência de doença física. No entanto, a verdadeira saúde vai muito além disso. Ela resulta do equilíbrio entre o corpo e a mente, duas dimensões inseparáveis do ser humano. Não existe saúde plena quando uma delas está comprometida.
Apesar da crescente sensibilização para a saúde mental, ainda persistem preconceitos e ideias erradas. Enquanto uma fratura, uma infeção ou uma doença física são facilmente reconhecidas e compreendidas, o sofrimento psicológico continua, muitas vezes, a ser invisível aos olhos dos outros. E aquilo que não se vê tende, infelizmente, a ser desvalorizado.
Contudo, o facto de uma doença psicológica não deixar marcas visíveis não significa que provoque menos sofrimento. Pelo contrário. A ansiedade, a depressão e outras perturbações da saúde mental podem limitar profundamente a vida de uma pessoa, afetando a sua capacidade de trabalhar, de estudar, de manter relações saudáveis e até de encontrar sentido para continuar. Em situações mais graves, podem conduzir à ideação suicida, à automutilação ou a outros comportamentos de risco.
A saúde psicológica não influencia apenas as emoções e os pensamentos; manifesta-se também no corpo. Quantas vezes o organismo fala quando a mente já não consegue? Dores musculares persistentes, tensão no pescoço e nos ombros, cefaleias frequentes, alterações do sono, problemas digestivos, dificuldades respiratórias, diminuição das defesas do organismo ou doenças dermatológicas podem ser, em muitos casos, expressões de um sofrimento emocional prolongado. Este fenómeno, conhecido como somatização, recorda-nos que corpo e mente comunicam constantemente e que não podem ser tratados como realidades independentes.
Vivemos numa sociedade que valoriza a produtividade, a resistência e a capacidade de “aguentar”. Muitas pessoas continuam a esconder o seu sofrimento por receio de serem julgadas, incompreendidas ou vistas como frágeis. No entanto, pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um ato de coragem, de responsabilidade e de cuidado consigo próprio.
É urgente continuar a falar sobre saúde mental, quebrar o estigma e promover uma cultura de maior empatia e compreensão. Tal como ninguém hesita em procurar um médico perante uma dor física persistente, também não deveria existir vergonha em recorrer ao apoio de um psicólogo ou de outro profissional de saúde quando o sofrimento emocional se torna difícil de suportar.
Estar atento aos sinais, reconhecer que algo não está bem e procurar ajuda atempadamente pode fazer toda a diferença. Afinal, cuidar da saúde psicológica é cuidar da pessoa na sua totalidade. Porque a saúde não é apenas um corpo que funciona. É também uma mente que encontra equilíbrio, esperança e qualidade de vida. E nunca será demais recordar uma verdade fundamental: não existe saúde sem saúde mental.
Fique bem, pela sua saúde e a de todos os Açorianos!
Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Marlene Raposo*
*Psicóloga

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