Com a divulgação dos resultados da primeira fase de acesso ao ensino superior e o início do período de matrículas, o mercado de quartos para estudantes deslocados ganha particular relevância, numa altura em que muitas famílias procuram alojamento nas cidades onde os jovens ficaram colocados. Em Ponta Delgada, este movimento ocorre num mercado em que os valores pedidos pelos quartos continuam a subir, apesar de existir atualmente uma oferta significativamente maior.
Segundo a análise relativa ao segundo trimestre de 2026 divulgada, ontem, dia 24 de agosto, pelo portal idealista, Ponta Delgada foi mesmo a cidade portuguesa onde mais aumentou a oferta de quartos para arrendar, com uma subida homóloga de 94%. Ainda assim, o preço mediano aumentou 8%, atingindo os 430 euros por mês, um dos valores mais elevados entre os 20 municípios analisados pela plataforma.
A oferta de quartos para arrendar em Ponta Delgada aumentou 94% no segundo trimestre de 2026 face ao mesmo período do ano passado, a maior subida entre os municípios analisados pelo idealista, apesar de o preço mediano ter também aumentado 8%, para 430 euros mensais.
Os dados constam de uma análise divulgada esta segunda-feira, 24 de Agosto, pelo idealista, segundo a qual a evolução registada em Ponta Delgada contrasta com a tendência verificada no conjunto do país, onde a oferta de quartos recuou 11% em termos homólogos.
Ponta Delgada foi, concretamente, o mercado onde o número de quartos disponíveis mais aumentou entre as cidades consideradas na análise, com uma subida de 94%. Seguem-se Bragança, com um crescimento de 73%, e o Funchal, com 65%. Viana do Castelo registou um aumento de 40%, Vila Real de 37% e Portalegre de 35%. Em sentido contrário, as maiores reduções da oferta verificaram-se em Coimbra, com uma quebra de 48%, e no Porto, com menos 43%.
O forte aumento da oferta em Ponta Delgada não foi acompanhado por uma redução dos valores pedidos. Segundo o idealista, o preço dos quartos na cidade aumentou 8% relativamente ao segundo trimestre de 2025, situando-se agora numa mediana de 430 euros por mês.
Este valor coloca Ponta Delgada entre os mercados mais caros analisados. Lisboa mantém o preço mediano mais elevado, com 550 euros mensais, seguindo-se o Funchal, com 500 euros, e o Porto, com 450 euros. Ponta Delgada surge logo depois, com 430 euros, à frente de Faro, onde a mediana é de 420 euros, e Setúbal, com 400 euros.
A evolução dos preços na capital açoriana foi também superior à média nacional. No conjunto do país, o preço dos quartos em casas partilhadas aumentou apenas 1% no segundo trimestre deste ano, enquanto em Ponta Delgada a subida homóloga foi de 8%. Os maiores aumentos registaram-se no Funchal e em Vila Real, ambos com 14%, seguindo-se Beja, com 12%, e Ponta Delgada e Santarém, ambas com 8%.
Os preços aumentaram em 13 dos 20 municípios considerados pelo idealista. Em Bragança e Portalegre diminuíram 4%, enquanto em Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra e Lisboa se mantiveram estáveis face ao mesmo trimestre de 2025.
A análise revela ainda uma maior pressão da procura a nível nacional. No segundo trimestre de 2026, a procura por quartos aumentou 27% em Portugal, ao mesmo tempo que a oferta recuou 11%. O comunicado divulgado pelo idealista não apresenta, contudo, uma variação específica da procura para Ponta Delgada, pelo que não é possível determinar como evoluiu este indicador na cidade açoriana.
O idealista salienta ainda que o arrendamento de quartos deixou de constituir uma solução associada exclusivamente aos estudantes, abrangendo também jovens nos primeiros anos de vida profissional e pessoas que, perante os custos do mercado de arrendamento, optam pela partilha de habitação.
Na metodologia, o idealista esclarece que a análise considera apenas cidades que mantiveram uma base estável na plataforma durante o período analisado e que apresentavam um mínimo de 30 anúncios. Os valores devem, por isso, ser entendidos como indicadores da evolução dos anúncios existentes no idealista e não como uma contabilização da totalidade da oferta de quartos existente no mercado.
