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Açores reduzem docentes em 2,4% e registam o maior aumento das remunerações na educação pública

Os Açores foram a única região NUTS II do país onde o emprego de pessoal docente nos estabelecimentos públicos de educação e dos ensinos básico e secundário diminuiu em 2025. A redução homóloga foi de 2,4%, num ano em que o número de docentes aumentou 0,8% no conjunto do país. Apesar desta quebra, a Região manteve um dos rácios mais elevados de docentes face à população em idade escolar, com 7,1 residentes entre os 3 e os 18 anos por cada docente, apenas atrás da Madeira. Também o pessoal não docente diminuiu nos Açores, em 3,0%, enquanto a nível nacional cresceu 1,5%, segundo o mais recente Boletim Estatístico do Emprego Público (BOEP), da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), publicado a 25 de Junho de 2026.
Em 31 de Dezembro de 2025, a DGAEP contabilizava nos Açores 5.407 educadores de infância e docentes dos ensinos básico e secundário, num total de 7.554 trabalhadores nos estabelecimentos abrangidos por esta estatística. A Região tinha 39 estabelecimentos considerados nos dados da DGAEP, com uma dimensão média de 193,7 trabalhadores, abaixo da média nacional, de 235,3.
A evolução do emprego docente distingue os Açores de todas as restantes regiões NUTS II. Enquanto a Região registou uma quebra de 2,4%, a Madeira teve um aumento de 0,7%. No Continente, as variações foram positivas em praticamente todas as regiões, com destaque para a Península de Setúbal, onde o emprego docente cresceu 2,1%, e para o Centro, com mais 1,8%. A Grande Lisboa apresentou uma variação nula.
A redução atingiu também os trabalhadores que não integram o pessoal docente. Nos Açores, o emprego não docente caiu 3,0% em termos homólogos. Neste indicador, a Região não ficou isolada, uma vez que a Madeira registou uma diminuição ainda superior, de 3,9%. Em sentido contrário, o emprego não docente aumentou 1,5% no conjunto do país e cresceu em todas as regiões do Continente, chegando a 3,0% no Algarve e a 2,9% na Grande Lisboa.
Apesar da redução dos efectivos, os Açores continuam a apresentar um dos rácios mais elevados de docentes face à população em idade escolar. No final de 2025 existiam na Região 7,1 residentes entre os 3 e os 18 anos por cada docente, apenas acima da Madeira, onde o rácio era de 6,5. Um ano antes, o indicador açoriano era de 7,0 residentes em idade escolar por docente. A DGAEP não está a medir o número de alunos por professor, mas a relacionar o número de docentes com a totalidade da população residente entre os 3 e os 18 anos.
No caso dos Açores existe uma particularidade territorial que deve ser considerada nas comparações com as regiões continentais. O sistema educativo tem de assegurar uma rede escolar num arquipélago constituído por nove ilhas, incluindo territórios com populações reduzidas e geograficamente isolados, onde a concentração de alunos e recursos humanos não pode necessariamente obedecer à mesma lógica de uma região continental.
A própria regulamentação regional da rede escolar reconhece estas condicionantes. O regime em vigor determina que a organização da rede deve procurar superar situações de isolamento dos estabelecimentos de ensino e admite, em determinadas circunstâncias, o funcionamento de escolas do primeiro ciclo de lugar único. Prevê igualmente uma exceção ao número mínimo de crianças nos jardins-de-infância quando se trate do único estabelecimento existente no concelho. Esta configuração pode contribuir para rácios de docentes por população em idade escolar muito distintos.

Remunerações aumentaram
mais do que no país

A redução do emprego ocorreu num período marcado por um crescimento particularmente elevado das remunerações médias nos estabelecimentos públicos de educação e ensino dos Açores.
Em outubro de 2025, a remuneração base média mensal dos trabalhadores a tempo completo nos estabelecimentos públicos de educação e ensino, considerando todos os níveis de ensino, atingiu 2.307,6 euros, contra 2.100,2 euros em Outubro de 2024. A subida homóloga foi de 9,9%, a mais elevada entre todas as regiões NUTS II e bastante acima dos 6,1% registados no conjunto do país. A remuneração base média nacional situava-se em 2.166,4 euros.
Os Açores apresentavam também, em outubro de 2025, a remuneração base média mais elevada entre as regiões NUTS II, à frente do Centro, com 2.271,0 euros, e da Madeira, com 2.225,3 euros.
A mesma tendência verifica-se no ganho médio mensal, que passou nos Açores de 2.292,2 euros para 2.499,3 euros, correspondendo a um crescimento homólogo de 9,0%. No país, o aumento foi de 5,6%, para um ganho médio mensal de 2.308,2 euros. Também neste indicador os Açores registaram simultaneamente a maior taxa de crescimento e o valor mais elevado entre as regiões NUTS II.
Há, porém, outra distinção metodológica essencial: estes valores remuneratórios não correspondem ao salário médio dos professores. Os valores abrangem o conjunto dos trabalhadores dos estabelecimentos públicos de ensino, incluindo pessoal docente e não docente e todos os níveis de ensino, incluindo o universitário, pelo que não correspondem à remuneração média dos professores.
Os dados revelam, assim, duas tendências distintas no emprego público da educação nos Açores: por um lado, uma redução do pessoal docente e não docente em 2025, em contraste com o crescimento verificado no país; por outro, a manutenção de um dos rácios mais elevados de docentes relativamente à população em idade escolar e um crescimento das remunerações dos trabalhadores dos estabelecimentos públicos de ensino claramente superior à média nacional.
A leitura destes indicadores deve, contudo, considerar a especificidade de uma rede educativa distribuída por nove ilhas. A dispersão territorial pode exigir a manutenção de recursos humanos em estabelecimentos que servem populações reduzidas, circunstância que diferencia estruturalmente os Açores das regiões continentais e que os indicadores agregados da DGAEP não permitem isolar ou quantificar.

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