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Talude das Ribeiras continua a exigir intervenção apesar dos trabalhos de segurança

O Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC) concluiu que o talude da Estrada Regional n.º 1-2.ª, junto ao quilómetro 58,6, na freguesia das Ribeiras, ilha do Pico, ficou mais seguro depois dos trabalhos de remoção dos blocos instáveis, mas mantém situações que exigem intervenção para salvaguardar a segurança da via. O parecer técnico identifica blocos rochosos parcialmente desapoiados, níveis de material suscetíveis à erosão, problemas de drenagem e danos no talude a jusante da estrada, recomendando várias medidas de estabilização.
O relatório, com o número 22/2026, foi agora disponibilizado pelo Governo dos Açores na resposta a um requerimento do Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS), no qual os deputados questionavam o executivo sobre as conclusões técnicas relativas à derrocada ocorrida a 24 de Janeiro junto à localidade das Pontas Negras. O PS recordava que já tinha solicitado, em Março, informação sobre os estudos realizados pelo LREC naquela zona e alertava para a importância da estrada na ligação das populações da costa sul do Pico à sede do concelho das Lajes.
Segundo o parecer do LREC, a instabilidade de 24 de Janeiro ocorreu num talude da Estrada Regional n.º 1-2.ª situado a montante de outro fenómeno registado em 15 de Dezembro de 2025. Após a ocorrência, os Serviços de Ilha do Pico procederam à limpeza e desobstrução da estrada, à remoção de blocos em situação de potencial instabilidade e à instalação de uma tubagem na base do talude destinada a assegurar o encaminhamento das águas pluviais. A equipa técnica do LREC deslocou-se ao Pico a 3 de Março para avaliar as condições de segurança.
O troço analisado tem cerca de 40 metros de extensão. O relatório refere que as derrocadas ocorreram num talude com uma altura aproximada de dez metros e que, durante os primeiros trabalhos de limpeza, foram encontrados blocos de dimensão significativa, alguns com massa superior a 40 toneladas. Antes da intervenção, aquele sector apresentava uma inclinação superior a 60 graus, passando depois dos trabalhos de saneamento a apresentar uma pendente mais suave, na ordem dos 40 graus.
A intervenção já executada permitiu, segundo o LREC, aumentar a segurança do local, mas não eliminou todos os problemas. Os técnicos observaram três blocos rochosos parcialmente desapoiados que, apesar de ainda se encontrarem presos ao maciço, apresentam fissuração lateral. O parecer chama também a atenção para os níveis de “clinker” existentes entre as escoadas lávicas, materiais mais frágeis e sujeitos à erosão, processo que pode deixar progressivamente mais desapoiados os níveis rochosos sobrejacentes e favorecer novas instabilidades. O crescimento de raízes em fraturas da rocha é igualmente apontado como um factor que pode contribuir para o alargamento das fissuras e movimentação dos blocos.
O LREC considera, por isso, que o talude necessita de intervenção. Entre as soluções propostas encontra-se a construção de uma estrutura de contenção com recurso aos próprios blocos rochosos instabilizados, caso exista espaço suficiente na base, acompanhada pelo enchimento da parte posterior da estrutura com betão. Recomenda ainda a contenção dos níveis de “clinker” expostos, o preenchimento de cavidades com betão ciclópico, a estabilização ou remoção de blocos destacados e a colocação de drenos para garantir o escoamento das águas.
Na parte superior do talude, onde a inclinação é elevada, o relatório sugere o adoçamento da vertente e a construção, junto à crista, de uma vala destinada à recolha e encaminhamento das águas. No limite nascente é proposta a construção de um muro em betão ciclópico, com material drenante no tardoz, para dar sustentação a uma escarpa que se encontra em consola. É também recomendado o corte pontual de vegetação nos locais onde as raízes crescem no interior das fraturas.
A instabilidade não afectou apenas o talude situado a montante da estrada. Alguns dos blocos atravessaram a via e provocaram o colapso parcial de um muro de pedra, enquanto problemas no encaminhamento das águas contribuíram para o ravinamento do talude a jusante. Para esta área, o LREC recomenda a reparação ou reconstrução do muro de suporte em alvenaria de pedra, devidamente fundado em estrato rochoso.
Na resposta parlamentar, datada de 24 de Agosto, o Governo Regional refere que, logo após a derrocada, foram tomadas medidas provisórias para reduzir o risco, nomeadamente o encaminhamento das águas pluviais, a colocação de barreiras New Jersey para contenção de materiais soltos e o estreitamento da via para afastar cargas da crista do talude a jusante. Acrescenta que, depois da avaliação do LREC, foi definida uma metodologia de intervenção e iniciados os trabalhos pelos Serviços de Ilha do Pico da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas. O executivo indica que a intervenção será concluída no âmbito da empreitada denominada “Reparação de Taludes – E.R. n.º 1-2.ª Ribeiras”.
Questionado pelo PS sobre a possibilidade de criação de uma alternativa de circulação e sobre um plano de prevenção para outros troços da rede viária da costa sul do Pico com características geológicas semelhantes, o Governo limita-se a afirmar que os serviços da ilha acompanham permanentemente a situação e que serão adoptadas as medidas consideradas necessárias. Quanto à prevenção, refere que, perante alertas da Protecção Civil, são mobilizadas equipas antes, durante e depois das ocorrências e colocados antecipadamente equipamentos nas zonas de risco já sinalizadas, acrescentando que o plano de prevenção e risco é elaborado em função das circunstâncias existentes no momento de cada ocorrência.

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