A elevada precipitação e a humidade registadas nos Açores durante Julho tiveram efeitos distintos nas principais culturas agrícolas. As condições meteorológicas favoreceram o crescimento das pastagens e o desenvolvimento do milho forragem e do milho para grão, mas contribuíram para o aparecimento de doenças fúngicas na vinha e na batata do tarde, segundo o relatório Estado das Culturas e Previsão das Colheitas – Julho 2026, divulgado pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) e datado de 26 de Agosto.
Julho foi relativamente frio no arquipélago, com temperaturas médias inferiores ao normal em todas as ilhas. A temperatura média do ar variou entre 20,4 graus Celsius na Terceira e 21,7 graus no Corvo. A temperatura mínima mais baixa foi registada no Pico, com 15,1 graus, ilha onde ocorreu também a máxima mais elevada do mês, de 28,1 graus.
A precipitação foi elevada sobretudo nas Flores, Graciosa e Corvo. As Flores registaram 196,6 milímetros de precipitação acumulada, o valor mensal mais elevado entre as ilhas, seguindo-se a Graciosa, com 103,1 milímetros, e o Corvo, com 101,4 milímetros. No extremo oposto esteve o Pico, com 44,0 milímetros, valor que o relatório classifica como ligeiramente inferior ao habitual. No dia 29, as Flores registaram 87,4 milímetros de precipitação, o maior valor diário apresentado no quadro meteorológico do relatório.
Estas condições foram favoráveis às pastagens. O SREA refere uma produção abundante de erva em todas as ilhas, garantindo boas condições alimentares para o gado e permitindo ainda ensilar uma quantidade considerada significativa de excedentes.
Também o milho beneficiou da chuva. Tanto o milho forragem como o milho para grão apresentaram um desenvolvimento vegetativo considerado muito bom. Face a um ano considerado normal, é prevista uma produção 20% superior no Faial e 10% superior no Pico, enquanto nas restantes ilhas abrangidas a produção deverá situar-se dentro dos parâmetros normais. Na comparação com o ano anterior, o relatório aponta produções superiores no Faial, em 20%, em São Jorge, em 15%, e no Pico, em 10%, mantendo-se sensivelmente idênticas nas restantes ilhas. O documento destaca ainda a recuperação do milho forragem na Graciosa, depois do fraco desenvolvimento observado em junho devido à escassez de precipitação.
A situação é diferente na vinha. A elevada precipitação e a humidade favoreceram o aparecimento de doenças fúngicas, apesar do reforço dos tratamentos por parte dos produtores. O SREA estima uma produção inferior à considerada normal em todas as ilhas onde apresenta previsão: menos 25% em Santa Maria, menos 20% em São Jorge, menos 10% na Terceira e na Graciosa e menos 5% em São Miguel e no Pico. Para o Faial, o dado relativo à produção não se encontra disponível, enquanto para Flores e Corvo não é apresentado valor aplicável.
Também em relação ao ano anterior a previsão para a vinha é negativa. A produção global deverá ficar 10% abaixo da de 2025 na Graciosa e em São Jorge e 5% abaixo em Santa Maria, São Miguel, Terceira e Pico, de acordo com os índices apresentados pelo SREA.
Na banana, o estado vegetativo manteve-se dentro do normal na maioria das ilhas, embora mais fraco em Santa Maria e no Pico. A situação mais desfavorável ocorre em São Jorge, onde o estado da cultura foi considerado pouco satisfatório devido sobretudo ao ataque de pragas. Nesta ilha, a produção prevista fica 20% abaixo do considerado normal e 15% abaixo da obtida no ano anterior. No Pico, a produção é estimada em 5% abaixo do normal e do ano anterior. Em Santa Maria, a previsão aponta para uma produção 5% inferior ao normal, mas semelhante à do ano precedente. Nas restantes ilhas com informação disponível, a produção deverá manter-se próxima dos níveis normais e dos registados em 2025.
Quanto à batata do tarde, a segunda estimativa mantém a área cultivada praticamente ao nível do ano anterior. O único recuo indicado ocorre em São Jorge, com uma área 5% inferior à de 2025. Nas restantes ilhas para as quais existem dados, a área é semelhante à do ano passado. Apesar do bom desenvolvimento vegetativo, a elevada humidade favoreceu também nesta cultura o desenvolvimento de doenças fúngicas.
Já na batata do cedo, cuja colheita é analisada no relatório, a produção ficou dentro dos parâmetros considerados normais na maioria das ilhas. Santa Maria e São Jorge registaram uma produção 5% acima do normal, enquanto no Pico ficou 10% abaixo. Comparativamente ao ano passado, Santa Maria apresentou um aumento de 25%, enquanto o Pico registou uma quebra de 10% e São Jorge uma redução de 5%. Nas restantes ilhas com dados disponíveis, os níveis foram semelhantes aos de 2025.
O chá, por seu lado, continuou a beneficiar das condições meteorológicas, apresentando bom desenvolvimento vegetativo. A previsão de produtividade para São Miguel mantém-se dentro dos parâmetros de um ano considerado normal e semelhante à registada no ano anterior.
