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Manuel Pimentel destaca preservação da memória baleeira no lançamento do Livro “Baleeiros nos Traióis”

O Vice-Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, Manuel Pimentel, marcou presença, no dia 27 de Agosto, no Auditório do Museu dos Baleeiros, na apresentação do livro “Baleeiros nos Traióis”, da autoria de Aurélio Machado, numa iniciativa integrada na programação da Semana dos Baleeiros 2026.
Na sua intervenção, Manuel Pimentel destacou a importância da obra para a preservação da memória colectiva do concelho, sublinhando que o livro representa muito mais do que um simples registo histórico. Nas suas palavras, “não é apenas um livro que hoje aqui se apresenta. É um pedaço da nossa memória colectiva”, constituindo uma homenagem às gerações ligadas à baleação e à história marítima das Lajes do Pico.
O Vice-Presidente salientou ainda a forte ligação do autor ao universo baleeiro, recordando que Aurélio Machado é filho de Francisco Joaquim Machado, o conhecido Francisco ‘Barbeiro’, uma das figuras mais marcantes da baleação lajense. Destacou que o autor herdou do pai “o respeito pelo mar, o fascínio pela epopeia baleeira e, sobretudo, a responsabilidade de preservar essa memória e de a transmitir às gerações futuras.”
Ao abordar o conteúdo da publicação, Manuel Pimentel lembrou que a obra não se centra apenas na caça ao cachalote, mas sobretudo na realidade dos traióis, estruturas fundamentais para a transformação da gordura da baleia em óleo, actividade que durante décadas garantiu sustento a inúmeras famílias do concelho.
Evocando uma das mais emblemáticas descrições de Raul Brandão sobre as Lajes do Pico, recordou a célebre frase “Este cheiro, cheira-nos sempre bem. É sinal de dinheiro”, considerando que nela se resume uma época marcada pelo sacrifício, pelo trabalho árduo e pela esperança de uma vida melhor.
A intervenção serviu igualmente para reforçar o compromisso do Município na valorização e preservação do património baleeiro. Nesse âmbito, Manuel Pimentel destacou o trabalho que está a ser desenvolvido com a candidatura do “Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico” ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, bem como a futura preparação da candidatura do Bote Baleeiro Açoriano à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Para o Vice-Presidente, a preservação deste património vai muito além da conservação dos objectos e das estruturas físicas, defendendo que “o património não vive apenas nas pedras ou nos edifícios. Vive nas histórias, nas palavras, nos gestos, nos saberes e nas memórias de um povo.”
No final da sua intervenção, agradeceu a Aurélio Machado pelo contributo para a valorização da história local, considerando que a obra representa “mais do que um registo do passado”, sendo também uma forma de garantir que esta memória continua presente e acessível às gerações futuras.

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