Investir nos Açores é sempre assunto melindroso.
Sensível porque não queremos beliscar a frágil economia insular, já de si bastante desgastada por abusos.
Inspira-nos ao assistir à notícia de que o Governo açoriano, através do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) adquiriu um robot para o SRN (Serviço Regional de Saúde) no qual foram investidos dois milhões e 900 mil euros (2,900.000 euros). Maquineta sem dúvida necessária e que só poderia ser adquirida com dinheiros externos – caso dos PRRs.
Igualmente através do mesmo PRR, o mesmo governo regional inaugurou um edifício com estruturas modernizadas para o novo Centro de Saúde da freguesia da Maia, no norte da Ilha de São Miguel, no qual foram gastos três milhões e duzentos mil euros (3,200.000 euros) ou seja, uma diferença de 300 mil euros em relação à maquineta para o Hospital.
Tudo isto é sem dúvida um aproveitamento dos dinheiros do PRR que se não for gasto, serão oportunidades perdidas.
Investimentos, públicos ou privados, são bem-vindos.
Um cidadão emigrante veio à sua terra natal e investiu cerca de três milhões de euros em terrenos e casas no concelho de Nordeste. Teve a preocupação de indagar junto de todas as instâncias e apresentou planos e plantas sobre o que desejava concretizar.
Passados quatro anos, ainda nada foi desbloqueado junto da Câmara Municipal daquele concelho. A burocracia junto do gabinete respetivo daquela municipalidade é simplesmente estanque.
Outro caso passa-se em Água Retorta, numa renovação de um antigo casarão, comprado por emigrantes açorianos.
Os empecilhos injustificáveis são os mais estranhos. As demoras são infinitas – anos de espera.
Com estas premissas propositadamente complicadas, não é de senso comum ir junto das comunidades, nos centros comunitários ou nas Casas dos Açores os políticos açorianos propagar incentivos aos incautos emigrantes para investirem na sua terra natal.
Enumeramos apenas dois. Mas são muitos os casos de investimentos emperrados por uma burrocracia autocrata do ‘quero posso e mando’ de alguns funcionários ou funcionárias camarárias, impreparados para os cargos que exercem.
Todos aqueles que desejarem retornar à sua terra, não podem ser tratados de forma diferente dos que investem num distribuidor mundial de hambúrgueres ou galinha frita. Ou mesmo de uma cadeia de hotéis. A lei é uma para todos.
Sabemos no entanto que existe a lei do poder do dinheiro, que pode penetrar silenciosamente e conseguir impossíveis… é a corrupção passiva, difícil senão impossível de provar – as luvas.
Será necessário retirar estes funcionários, que estão há muitos anos neste vício de descarregar cascalho na máquina burocrática. Se não podem ser despedidos por justa causa, por comodamente fazerem parte do quadro, podem no entanto ser transferidos de departamento. Enviá-los para as bibliotecas, por exemplo!
José Soares*
*Cronista para vários jornais e revistas nos Açores e na Diáspora.