No dia 28 de Agosto, o Auditório do Museu dos Baleeiros acolheu a apresentação do livro “Lajes”, da autoria de José Manuel Barroso, jornalista e escritor natural das Lajes do Pico, numa sessão integrada na programação da Semana dos Baleeiros 2026.
Perante uma assistência composta por familiares, amigos e público em geral, a cerimónia constituiu um momento de celebração da literatura, da memória e da profunda ligação entre o autor e a sua terra natal.
Na sua intervenção, a Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, Ana Brum, destacou o percurso profissional de José Manuel Barroso, sublinhando que, apesar dos caminhos percorridos ao longo da vida, as suas raízes permaneceram sempre ligadas às Lajes do Pico.
“Este livro não é apenas um livro sobre as Lajes. É, de certa forma, um livro sobre o que as Lajes fizeram dele”, afirmou a autarca, considerando que a obra revela uma relação profunda entre o autor e o lugar onde nasceu.
Ao reflectir sobre o significado da terra natal na construção da identidade de cada pessoa, Ana Brum salientou que “talvez seja assim que funcionam os lugares que verdadeiramente nos pertencem. Podem ser pequenos no mapa e, ao mesmo tempo, imensos dentro de nós”.
A Presidente destacou ainda que a essência das Lajes do Pico vai muito além da sua geografia, encontrando-se sobretudo nas suas gentes e nas histórias que partilham entre gerações. “Quem vive nas Lajes sabe que esta terra não se explica apenas pelas suas ruas, pelo mar ou pela montanha. Explica-se pelas pessoas”, referiu.
Durante a sua intervenção, evocou igualmente um dos poemas presentes na obra, destacando a expressão “Lajes, navegação interior, chegadas e partidas”, que considerou traduzir de forma exemplar a identidade do concelho. “Esta sempre foi uma terra de chegadas e partidas. Do mar partiram homens e do mar regressaram homens. Partiram famílias, regressaram famílias. Partiram sonhos e, muitas vezes, regressaram memórias”, afirmou.
Num momento particularmente emotivo, Ana Brum sublinhou a capacidade que os lugares de origem têm de permanecer connosco ao longo da vida, independentemente da distância. “Podemos viajar muito, viver longe, conhecer o mundo e construir uma vida inteira noutros lugares, mas há sempre um ponto de partida que continua dentro de nós”, salientou.
A encerrar, a Presidente da Câmara agradeceu ao autor a partilha desta obra com a comunidade, destacando o valor da poesia enquanto espaço de encontro com a memória colectiva e individual.
“Há lugares de onde podemos partir muitas vezes, mas aos quais nunca deixamos verdadeiramente de voltar”, concluiu, agradecendo a José Manuel Barroso por continuar a regressar às suas origens e por oferecer às Lajes do Pico uma obra profundamente marcada pela identidade, pela memória e pelo sentimento de pertença.
A apresentação do livro “Lajes” constituiu mais um momento de valorização da cultura e dos autores ligados ao concelho, enriquecendo a programação da Semana dos Baleeiros e reforçando a importância da preservação das memórias e das histórias que ajudam a construir a identidade lajense.