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Estudo revela através do som diferenças na biodiversidade de quatro montes submarinos dos Açores

Um estudo científico realizado em quatro montes submarinos dos Açores identificou diferenças marcadas na diversidade acústica dos peixes, com as Formigas e o Banco Princesa Alice a registarem muito mais tipos de sons do que o Condor e o Gigante.
A investigação, intitulada Acoustic profiling of Atlantic seamounts: Insights towards cost-effective monitoring of remote marine ecosystems, é assinada por Rita Carriço, Manuel Vieira, Mónica A. Silva, Pedro Afonso, Jorge Fontes, Gui M. Menezes, Paulo J. Fonseca e M. Clara P. Amorim. O artigo foi disponibilizado em 2026 na revista científica Continental Shelf Research.
Através de monitorização acústica passiva, os investigadores identificaram 18 tipos diferentes de sons de peixes nas Formigas, 17 no Banco Princesa Alice, quatro no Condor e três no Gigante.
Estes valores não correspondem ao número de espécies existentes em cada local. O estudo distingue diferentes padrões acústicos, uma vez que nem todos os sons podem ser associados com segurança à espécie que os produz.
Os resultados mostram uma maior diversidade acústica nos montes menos profundos, Formigas e Princesa Alice, em comparação com os locais de gravação mais profundos, Condor e Gigante. Segundo os autores, estas diferenças podem estar relacionadas com a estrutura dos habitats e com a composição das comunidades de peixes.
A actividade sonora variou também ao longo do dia, com diferenças entre os períodos diurno e nocturno. Alguns tipos de sons apresentaram padrões mais intensos em determinadas horas, o que poderá estar associado a comportamentos como alimentação, reprodução ou utilização diferenciada dos habitats.
Nos montes mais rasos, os resultados das gravações foram comparados com censos visuais submarinos e mostraram-se consistentes com as diferenças observadas na riqueza de peixes, reforçando o potencial da acústica como método complementar de acompanhamento da biodiversidade.
O trabalho testou ainda diferentes indicadores ecoacústicos para avaliar padrões espaciais e temporais, concluindo que estes podem ajudar a analisar grandes volumes de gravações e reduzir a necessidade de observação manual contínua.
Os dados acústicos analisados não foram recolhidos em 2026. As gravações utilizadas no estudo foram obtidas anteriormente nos montes submarinos dos Açores e são agora analisadas de forma comparativa para avaliar a eficácia deste método de monitorização.
Os investigadores concluem que a utilização de gravadores submarinos pode constituir uma ferramenta não invasiva e de menor custo para acompanhar, durante longos períodos, ecossistemas remotos e de difícil acesso.
O estudo aponta, assim, para o potencial da monitorização acústica passiva como instrumento de apoio à avaliação e conservação da biodiversidade nos montes submarinos dos Açores.

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