Realiza-se no próximo dia 19 de Setembro, no Teatro Faialense, o projecto “TEDxHorta”, que nasceu da vontade de criar espaços onde se criem reflexão e questionamento nos Açores. O Diário dos Açores esteve à conversa com Mário Costa, um dos organizadores do evento, que admitiu querer combater “a ideia de que a insularidade nos limita”.
De onde surgiu a ideia de criar a TEDxHorta e que motivação levou a equipa a avançar com este projecto nos Açores?
Tanto eu como a Daniela seguimos eventos TED há muito tempo. Passado algum tempo de estarmos a viver nos Açores, percebemos que faziam falta eventos como este, que nos fazem questionar sobre vários temas e em que os Açores até podem ser uma potencialidade. Fizemos uma candidatura com as nossas ideias e conseguimos obter a licença TEDx. Foi assim que tudo começou.
O que significa organizar um TED na Horta, numa ilha e numa região ultraperiférica como os Açores? Há dificuldades específicas associadas à insularidade?
Organizar um evento destes no Faial é, acima de tudo, uma forma de mostrar que as ilhas têm muito para dar e muito para receber. Claro que tem desafios muito específicos. O primeiro é o orçamento, porque trazer oradores para uma ilha implica viagens, alojamento e refeições que no continente têm um impacto muito menor na realização de um evento como este. A isso junta-se o facto de que numa ilha o número de potenciais parceiros é naturalmente mais baixo e mais difícil de obter. Um outro desafio, sendo nós os impulsionadores do TEDx no Faial, foi a necessidade de fazer um grande trabalho de promoção, para explicar à comunidade o que é um evento destes e qual a sua importância.
Como foi definido o tema desta edição e por que razão consideraram que este era um tema particularmente relevante para os Açores neste momento?
O tema desta edição é ÂNCORAS. Vivemos num mundo com muita informação e cada vez mais polarizado. Sentimos que fazia sentido falar sobre o que nos ancora, o que nos dá estabilidade, o que nos orienta, mas também o que por vezes nos pode impedir de agir ou de avançar. É um tema que nos fez pensar e que achamos que ressoa com muita gente, independentemente de onde vive ou do que faz.
Como funciona a selecção dos oradores? O que procuram nos oradores?
Procuramos pessoas com uma ideia forte para partilhar. Não há um perfil único, queremos oradores do Faial, dos Açores, do continente e internacionais. Porque uma das coisas que queremos combater é exactamente a ideia de que a insularidade nos limita. Podemos trazer o mundo até cá.
Ainda sobre os oradores, são pessoas de várias áreas, como a literatura, ciência, saúde, desporto e culinária. É importante esta diversidade, até mesmo para atrair um público diverso?
A diversidade de áreas é uma característica de qualquer evento TEDx. Há um tema e depois há várias perspectivas vindas de mundos completamente diferentes e é isso que torna o ambiente mais rico. Só em edições mais específicas, como foi o caso do nosso TEDxHorta Play, é que o foco se concentra numa única área temática.
O que distingue o TEDxHorta de outros eventos de conferências ou de divulgação de ideias que já existem nos Açores?
Um TEDx não é um evento em que nos sentamos no auditório e relaxamos. É um evento que faz pensar, que questiona, que provoca. E isso distingue-o de muitos outros. Além disso, as talks são preparadas ao longo de vários meses para serem uma verdadeira performance, de forma a que os poucos minutos em palco tenham o maior impacto possível.
Que impacto esperam que o evento tenha, nomeadamente junto dos jovens, das escolas, das empresas e das instituições da ilha do Faial?
Tentamos que o TEDxHorta chegue a muitos jovens, escolas e empresas, para que ganhem novas perspectivas sobre vários temas e ao mesmo tempo conheçam o que é o TEDx e explorem este mundo de conteúdo que existe online. Um conteúdo que foge àquela informação muito rápida e pouco profunda que hoje existe nas redes sociais. As talks do TEDx, apesar de não serem muito longas, são muito bem estruturadas e fundamentadas. E no fundo, o que nos motiva é quando as pessoas saem do evento a pensar de outra forma sobre algo. Se isso acontecer, valeu a pena.
Existe uma preocupação em dar visibilidade a talento, conhecimento ou projectos que nascem nos Açores, colocando-os em contacto com pessoas e ideias de fora da Região?
Sim, sempre. Queremos dar visibilidade a pessoas e ideias dos Açores e ao mesmo tempo trazer perspectivas de fora que desafiem a nossa comunidade. As duas coisas em conjunto é o que faz um evento como este ter sentido.
Há intenção de dar continuidade ao TEDxHorta, com, talvez, mais eventos especiais como o TEDxHorta Play?
Já fizemos dois eventos, o TEDxHorta no ano passado e o TEDxHorta Play este ano. Queremos continuar, mas estes eventos só são possíveis se houver interesse da comunidade e se houver parcerias e apoios. O TEDxHorta só foi possível graças ao apoio dos nossos parceiros locais, cada um contribuindo com uma parte, que no conjunto tornaram o evento uma realidade. Todo o evento é voluntário, tanto da parte da organização como dos oradores, mas devido à nossa insularidade há despesas significativas associadas, o que torna a sua realização muito mais desafiante do que parece.
Há a ambição de levar este projecto a outras ilhas?
Gostaríamos de ser um impulsionador para que mais ilhas dos Açores tivessem eventos como este. Com a experiência que fomos acumulando e as aprendizagens dentro do mundo TEDx, estamos disponíveis para ajudar quem queira avançar com algo semelhante noutras ilhas.
Por Vasco Blayer
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