A concessionária da rede AzoresBus, que iniciou a operação dos transportes públicos na ilha de São Miguel no início de Setembro, reconhece que os primeiros dias da operação ficaram marcados por atrasos e supressões pontuais, mas atribui parte das dificuldades à fase de adaptação ao novo modelo e a ausências inesperadas no quadro de motoristas. A empresa garante, contudo, estar a reforçar os recursos humanos e a acompanhar diariamente a operação.
Num comunicado divulgado na sequência das críticas e informações que têm surgido sobre o arranque da nova rede, a Vale do Ave Açores defende que a entrada em funcionamento da AzoresBus constitui uma mudança estrutural no transporte público de São Miguel, envolvendo uma nova organização da rede, novos horários, veículos e sistemas tecnológicos.
No comunicado, a empresa começa por afirmar que a Vale do Ave Açores está “fortemente empenhada em assegurar a prestação de um serviço público de transportes de qualidade, cumprindo integralmente os padrões, níveis de oferta, horários e demais requisitos estabelecidos no contrato de concessão em vigor”.
“A entrada em funcionamento da AzoresBus representa uma alteração profunda no modelo de transporte público da ilha de São Miguel, envolvendo uma nova organização da rede, aumento da oferta, novos horários e procedimentos, novos sistemas tecnológicos, novos veículos, informação ao passageiro em tempo real e uma nova relação operacional entre todos os intervenientes. Trata-se, por isso, de um processo de transformação de grande dimensão, que naturalmente exige capacidade de adaptação por parte de todos”, pode ler-se.
Segundo a empresa, o Grupo Vale do Ave tem provas dadas na gestão e operação de redes de transporte público, nomeadamente nos municípios de Lamego, Amarante e Guimarães, onde “acumulou experiência nas áreas da operação, gestão de recursos humanos, manutenção, gestão de frota, tecnologia, bilhética e relação com os passageiros”, referindo ainda que a entrada do Grupo em São Miguel “não resulta de uma experiência ocasional ou de uma aposta sem conhecimento no sector”.
“A Vale do Ave Açores reconheceu desde o primeiro momento o enorme desafio inerente ao arranque de uma nova rede de transportes públicos numa ilha onde o serviço vinha sendo assegurado, durante décadas, por operadores com métodos de trabalho, equipas e procedimentos já consolidados. A transição para uma nova operação implicou mudanças significativas. Os profissionais passaram a trabalhar com novos métodos de organização, novos sistemas tecnológicos, maior rigor na execução e controlo do serviço, novos veículos, novas regras de apresentação e fardamento e sistemas de informação ao passageiro em tempo real. Estas alterações são necessárias para elevar os padrões do transporte público em São Miguel, mas exigem naturalmente um período de adaptação”.
Em relação à escassez de motoristas profissionais existente na ilha de São Miguel, a Vale do Ave Açores revelou que desenvolveu atempadamente um processo de recrutamento destinado a reforçar o quadro de profissionais, admitindo que, após o início da operação, “registaram-se circunstâncias inesperadas que tiveram impacto na organização operacional”.
“Até ao momento, verificaram-se 7 cessações de funções por iniciativa dos trabalhadores, com efeitos imediatos, e 11 situações de ausência por motivo de doença, das quais 7 tiveram início já depois de 1 de Setembro 2026. No seu conjunto, estas situações representam cerca de 20% do quadro inicial de motoristas. A Vale do Ave Açores respeita naturalmente as decisões individuais dos trabalhadores e não pretende colocar em causa qualquer situação de natureza pessoal ou clínica. Contudo, é um facto objectivo que a saída e ausência simultânea de um número significativo de profissionais, muitos deles no próprio dia de execução do serviço, precisamente no momento de entrada em funcionamento de uma nova rede, constituiu um factor inesperado de pressão sobre a operação. A empresa tem igualmente conhecimento de que alguns dos profissionais que cessaram funções regressaram posteriormente às empresas onde anteriormente trabalhavam”, revelou a empresa.
A Vale do Ave Açores agradeceu ainda aos cerca de 80% dos motoristas que continuam a integrar o quadro inicial da empresa.
Relativamente à organização dos tempos de trabalho, a Vale do Ave Açores admite que a empresa cumpre integralmente a legislação laboral aplicável e as regras estabelecidas no contracto colectivo de trabalho em vigor na ilha de São Miguel, admitindo que, devido ao aumento da oferta, houve necessidade de realizar uma alteração das necessidades operacionais, aumentando assim as horas médias de condução relativamente ao modelo anterior, referindo que o aumento é realizado dentro dos limites legais aplicáveis.
No comunicado de imprensa, a Vale do Ave Açores revelou que já está a desenvolver esforços para reforçar o quadro de motoristas, reconhecendo que nos primeiros dias de operação, “ocorreram alguns atrasos e supressões pontuais de circulações, associados ao período de adaptação à nova rede e às ausências inesperadas verificadas no quadro de motoristas”.
Em relação aos transportes escolares, a empresa esclarece que “nem todos os serviços anteriormente realizados pelos operadores históricos integram a actual concessão de transporte público”, referindo que “existem serviços específicos de transporte escolar que não estão previstos no contrato de concessão em vigor e que, por essa razão, não podem ser considerados obrigações da Vale do Ave Açores”.
“Entre Abril e Julho de 2026, a Vale do Ave Açores reuniu com as escolas da ilha de São Miguel, procurando identificar antecipadamente os serviços necessários que não estavam contemplados na nova concessão. As situações identificadas foram comunicadas atempadamente às entidades competentes. Já durante o mês de Setembro, a empresa voltou a estabelecer contactos com diversos estabelecimentos de ensino, procurando encontrar soluções complementares que permitam responder às necessidades identificadas, sempre que tal seja possível através de serviços regulares especializado”.
A Vale do Ave Açores afirma ainda estar disponível para dialogar com juntas de freguesia e outras entidades locais, com o objectivo de identificar as necessidades das populações e ajustar a operação da AzoresBus sempre que exista margem para o fazer. A empresa defende também que as responsabilidades dos diferentes intervenientes no sistema de transportes devem ser claramente distinguidas, assumindo os problemas que estejam sob a sua competência, mas rejeitando responsabilidades por serviços que não estejam previstos no actual contrato de concessão.
A concessionária reconhece que os primeiros dias da nova operação foram marcados por dificuldades, mas considera prematuro avaliar o projecto apenas com base nesta fase inicial. Segundo a empresa, a AzoresBus constitui uma mudança estrutural no transporte público de São Miguel, cuja consolidação exigirá tempo, adaptação e articulação entre os vários intervenientes.
Na mesma fonte, a Vale do Ave Açores garante que continuará a reforçar os recursos humanos, a acompanhar diariamente a operação e a trabalhar com entidades públicas, escolas, juntas de freguesia e outros parceiros para corrigir os problemas identificados e melhorar o serviço prestado aos passageiros.
