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Cadernos de encargos muito negativos…

Tudo indica ter sido a saída da empresa Varela da área do transporte coletivo de passageiros em S. Miguel a empurrar o Governo Regional para o lançamento do novo concurso público de concessão da rede operacional destes transportes, o qual teve como resultado a sua assunção integral nesta ilha, pelo Grupo Vale do Ave. Esta operação de relevante interesse público estava, desde há cerca de 40 anos, sucessivamente repartida por um consórcio de três empresas: a Varela, afeta ao Grupo Bensaúde, a Auto Viação Micaelense e a Caetano, Raposo & Pereiras.
A situação que se vinha vivendo no setor caracterizava-se pela prática estagnação da qualidade dos serviços assegurados pelo consórcio tri-empresarial, operando praticamente em regime de “serviços mínimos” mais virados para assegurar o financiamento público da sua atividade do que para adequá-la ao correr dos tempos, desenvolvendo quantitativa e qualitativamente este serviço essencial à mobilidade terrestre e tornando-o mais acessível, atrativo e eficiente tanto para os residentes que aqui vivem, estudam e trabalham como para quem visita a ilha, e progressivamente mais capaz também de contrariara desenfreada e excessiva propagação do trânsito de automóveis ligeiros, em particular nos principais centros populacionais.
Com este concurso público, válido por um período de 10 anos, ter-se-á aberto uma excelente oportunidade para alterar no bom sentido a situação vigente, mas, ao que parece pelo menos de momento, não foi nada disso que aconteceu. Mesmo até os atrás referidos “serviços mínimos” praticados pelo antigo consórcio, seja em material circulante, carreiras ou horários, não está a ser garantido ou nem sequer foi contratado na sua totalidade, originando inúmeras queixas e transtornos de vida entre os habituais utilizadores, em particular aqueles cuja mobilidade sempre dependeu quase exclusivamente desses transportes. Isto para não referir, para já, o setor dos transportes escolares, que só começou a ser operado há poucos dias.
Com a empresa Vale do Ave até a queixar-se publicamente de estar a ser pressionada para cumprir serviços não contratados com o Governo Regional, pelos vistos vamos andar por uns tempos mergulhados em polémicas de serviço, mas sempre sem beliscar a limitada barreira minimalista a que fomos sendo acostumados, pois, infelizmente, parece ter sido este, e não outro, o caderno de encargos negociado com a empresa.
Ao mundo dos sonhos continuarão a pertencer, por agora, os avanços que se impõem, com vista ao fomento da utilização publica dos transportes coletivos em S. Miguel, seja nos horários, no alargamento da rede, na acessibilidade, na qualidade e quantidade do material circulante, seja em direção ao passe único integrado ou mesmo à gratuitidade do transporte coletivo terrestre.
E, já que falamos de transportes e de cadernos de encargos negociados pelo Governo Regional, que novo e mais “promissor” caderno terá sido apresentado aos 6 convidados de entre os 11potenciais compradores de pelo menos 75% da SATA Internacional, para serem tantos os interessados, ao contrário da situação concursal anterior onde nem um sobreviveu apesar de o caderno de encargos então apresentado já conter pontos de atração potenciais para os concorrentes fortemente penalizadores para os Açores e para os açorianos, bem como para os trabalhadores da empresa?
Sobre a atual posição do Governo Regional, subscrita pela IL e pelo Chega, partilho inteiramente da opinião SITAVA, o principal sindicato da SATA Internacional, em 18 de setembro último: «Com este modelo de alienação, estamos novamente a caminhar para o abismo»!
Mário Abrantes

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