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Pedro e Marta são os responsáveis pelo ‘São Jorge Dive & Sail Center’ – “São Jorge tem uma parte da sua beleza que só conseguimos conhecer quando a vemos do mar”

Em São Jorge, o mar é mais do que uma atracção turística: é profissão e uma herança familiar. O que começou em 1998 como um pequeno negócio familiar dedicado ao mergulho e à pesca ganhou uma nova vida. Em 2017, Pedro e Marta assumiram o projecto e criaram o São Jorge Dive & Sail Center, com diversas actividades.

O turismo nos Açores representa uma grande parte dos negócios existentes na Região. Em São Jorge, há quem aproveite o turismo e o alie com a beleza natural da ilha e do Grupo Central.
O ‘São Jorge Dive & Sail Center’ nasceu em 2017, fruto de um pequeno negócio familiar, criado em 1998, chamado “UrzelinaTur”. A empresa marítimo-turística era dedicada essencialmente ao mergulho e à pesca. Em 2017, Pedro e Marta, após o casamento e nascimento do primeiro filho, decidiram dar continuidade ao negócio de família e transformá-lo num projecto único. Assim, nasce primeiro o São Jorge Dive Center, mantendo o mergulho como uma das principais áreas da empresa, desenvolvendo o ‘snorkeling’ e o ‘Stand Up Paddle’.
Em entrevista ao Diário dos Açores, Pedro Soares admitiu que o principal objectivo era o de criar uma base estável durante o Verão.
“O nosso objectivo era criar uma base em São Jorge que nos permitisse trabalhar durante o Verão e, ao mesmo tempo, ter liberdade para viajar e concretizar um dos nossos grandes sonhos: velejar pelo mundo”.
A empresa cresceu ao longo dos anos e o casal alargou as actividades, a sua frota e equipa. Além disso, Pedro e Marta tiveram mais um filho, o pequeno Tomás, que veio ser o companheiro do Afonso, o primeiro filho do casal.
“Acho que é quase inevitável que os nossos filhos façam parte deste projecto, porque já fazem parte dele. Crescem connosco, no meio dos barcos, do mar, dos mergulhos, das chegadas e das partidas. O nosso papel é dar-lhes ferramentas, experiências e oportunidades para que um dia possam escolher o seu próprio caminho. Se esse caminho os trouxer de volta ao mar e a este projecto, estaremos cá para os receber”, revelou.

Os desafios

Apesar do crescimento da procura ano após ano, o negócio sofreu com a pandemia do COVID-19, com a crise sísmica vivida em São Jorge, em 2022 e por vários períodos de incerteza. Ainda assim, Pedro admite que “conseguimos sempre continuar a trabalhar e aproveitar cada época da melhor forma possível”.
Em relação ao Verão de 2026, Pedro mantém-se optimista e garante que não foi uma má época.
“Tivemos uma excelente equipa, recebemos pedidos para as nossas diferentes actividades praticamente durante todo o Verão e, acima de tudo, terminámos a época sem acidentes e sem reclamações. Para nós, esse é um dos indicadores mais importantes. Antes da época existia alguma preocupação, nomeadamente devido à situação internacional e à saída da Ryanair das ligações aos Açores. Por isso, fazendo o balanço de 2026, estou satisfeito”. Ainda este Verão, o “São Jorge Dive & Sail Center” regressou com a actividade da Volta à Ilha, algo em que o seu pai era o único a fazer, ainda com a ‘UrzelinaTur’.
“São Jorge tem uma parte da sua beleza que só conseguimos verdadeiramente conhecer quando a vemos do mar. Uma volta completa permite descobrir fajãs, grutas, túneis, cascatas e zonas da costa inacessíveis de outra forma. E a procura surpreendeu-nos. Pensávamos que seria sobretudo uma experiência turística, mas tivemos muitos residentes e emigrantes. Pessoas que nasceram e cresceram em São Jorge e nunca tinham visto a sua ilha daquela perspectiva. Mais do que lançar algo novo, recuperámos uma parte da história da UrzelinaTur e adaptámo-la àquilo que é hoje o São Jorge Dive and Sail Center”, admitiu.

Foco nos locais

Além das actividades ligadas ao turismo, o projecto do ‘São Jorge Dive & Sail Center’ está também certificado para dar formação náutica, com foco na Carta de Marinheiro e de Patrão Local, algo que não era possível fazer em São Jorge. Mais tarde, levaram a mesma formação à ilha Graciosa.
“Percebemos que existia ali a mesma necessidade e acabámos por abrir um polo da escola, com o apoio da Associação dos Pescadores Graciosenses. Entre São Jorge e a Graciosa já formámos mais de 100 Marinheiros e mais de 100 Patrões Locais, algo que nos deixa muito orgulhosos”.
A sazonalidade continua a ser uma das principais dificuldades para quem trabalha no sector marítimo-turístico nos Açores. No entanto, para Pedro Soares, esta é uma realidade que deve ser encarada e não necessariamente combatida.
“Desde o início sabíamos que os Açores eram um destino muito sazonal, sobretudo quando falamos de actividades ligadas ao mar. No verão temos condições fantásticas, no inverno a realidade é bastante diferente”, explicou.
Por esse motivo, o casal optou por adaptar o negócio à sazonalidade, em vez de procurar prolongar artificialmente a época turística.
“Não tenho intenção, por exemplo, de tentar vender mergulho no Inverno apenas para prolongar artificialmente a época. Prefiro proporcionar essa experiência quando temos condições para mostrar o melhor do mergulho em São Jorge: temperatura da água agradável, boa visibilidade, águas cristalinas e aquele azul que tanto nos caracteriza”, afirmou.
Durante o Inverno, a formação náutica ganha maior destaque, nomeadamente através dos cursos de Marinheiro e Patrão Local. Paralelamente, Pedro e Marta mantêm outras actividades profissionais. Pedro é Mestre e responsável pela tripulação da Lancha dos Pilotos de São Jorge, enquanto Marta dá aulas de Matemática na Escola Profissional da Ilha de São Jorge, além de explicações de Matemática e Física e Química.
“Quando decidimos viver a tempo inteiro em São Jorge, um dos nossos receios era precisamente não termos trabalho durante o Inverno. Felizmente, aconteceu o contrário”, revelou Pedro. O casal encontrou, então, um equilíbrio entre os meses de maior intensidade profissional e um Inverno mais tranquilo, que permite dedicar mais tempo à família e continuar a viajar.
Além da sazonalidade, existe outro factor que condiciona diariamente a actividade da empresa: o estado do tempo.
As actividades no mar estão totalmente dependentes das condições meteorológicas, algo que Pedro Soares aprendeu ao longo do tempo.
“No início isso frustrava-me bastante. Tínhamos clientes, reservas, equipa e barcos preparados e custava-me aceitar que, simplesmente porque o mar não permitia, tínhamos de cancelar. Hoje vejo isso de uma forma completamente diferente”, admitiu.
A experiência enquanto velejador acabou por mudar essa perspectiva, referindo que “quem navega num veleiro aprende rapidamente uma coisa: é a meteorologia que manda. Podemos ter o melhor plano do mundo, mas temos de estar preparados para o alterar.”
Nos dias em que as condições meteorológicas não permitem ir para o mar, a equipa aproveita para realizar trabalhos de manutenção, limpezas, resolver tarefas pendentes ou reorganizar as folgas das equipas. Para Pedro, um dia de mau tempo deixou de ser encarado como um dia perdido.
“Já não vejo um dia de mau tempo como um dia perdido. Faz parte de trabalhar no mar. Como costumo dizer: é aceitar, que dói menos!”, concluiu.

Por Vasco Blayer
*[email protected]

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