A ‘Serenata ao Luar’ dos Tunídeos chega à 10.ª Edição, consolidando-se como uma tradição da Tuna Masculina da Universidade dos Açores. Realizado actualmente no início do ano lectivo, o evento mantém a sua identidade enquanto momento solene e apaziguador, marcado pela música e pela ligação à comunidade académica.
A ‘Serenata ao Luar’, organizada pelos Tunídeos, Tuna Masculina da Universidade dos Açores, chega hoje, sexta-feira à sua 10ª edição. O evento tem início pelas 20h30, na Universidade dos Açores.
Pedro Pereira, Magister dos Tunídeos, afirmou que a 10ª edição do evento é um marco importante.
“Para a tuna, é um marco bastante importante. É um marco que se perpetua durante vários anos, é significado que as coisas estão a ser bem-feitas. O evento está a ser um sucesso a nível de público, de feedback de quem nos vê e de quem participa nele”.
Trata-se de um evento secundário para a Tuna, devido à realização do festival ‘El Açor’, que junta tunas nacionais e internacionais. Apesar disso, Pedro Pereira admite que as Serenatas “ficam de geração em geração”.
Nas suas primeiras edições, a ‘Serenata ao Luar’ era feita no final do ano lectivo, numa forma de homenagear os estudantes finalistas. Nos dias de hoje, o evento é feito no inicio do ano, algo que Pedro Pereira refere como “o primeiro passo no mundo académico”.
“Costuma ser um óptimo cartão-de-visita para quem vê este evento, porque nós damos oportunidade que todas as Tunas participem. É uma boa maneira de elas mostrarem o trabalho que é feito. É dar este primeiro passo no mundo académico aos novos estudantes”.
Ao contrário de uma actuação tradicional de Tuna, marcada por músicas mais alegres e por uma maior interacção com o público, a Serenata assume um carácter mais solene, sendo um momento “mais calmo e mais apaziguador”. Dentro da tradição dos Tunídeos, as serenatas são associadas às “donzelas” e têm uma identidade própria, reflectida também na imagem do evento, que habitualmente apresenta duas estudantes nos cartazes. Durante a serenata, o público permanece sentado e concentrado na actuação. É também um momento em que os músicos conseguem destacar determinadas vozes e instrumentos. A diferença, segundo o responsável, está precisamente no contraste entre “a alegria que uma actuação tem e a calma que a serenata traz”.
Ao longo dos anos, a Serenata ao Luar passou por diferentes espaços, entre os quais as Portas do Mar e o Largo do Colégio. Actualmente, realiza-se na Universidade, uma mudança que ganhou particular significado depois da alteração da data do evento. A mudança para o início do ano permitiu também evitar a proximidade com a Serenata Monumental organizada pela Associação Académica, que tradicionalmente acontece durante a Semana Académica, perto do final do ano lectivo.
“Há dois anos, transportou-se as serenatas para a Universidade, na casa que nos acolhe e na casa que sempre nos abriu a porta para fazermos este tipo de eventos. Tem mais impacto para o próprio estudante ser aqui, porque vê esta Universidade como uma Universidade aberta”, referiu Pedro.
Para o Magister, um evento como o da ‘Serenata ao Luar’ dá prestígio às Tunas e à Universidade, facilitando ainda a união entre os estudantes e a comunidade.
Apesar de a organização considerar a ‘Serenata ao Luar’ um evento relativamente simples de concretizar, existem desafios, sobretudo financeiros e logísticos. A Tuna conta actualmente com apoios financeiros para a realização da iniciativa, mas admite que estes podem não ser suficientes para suportar todas as despesas. É também por isso que, depois da serenata, os Tunídeos organizam uma festa, onde procuram gerar receitas que contribuam para a sustentabilidade da actividade da Tuna.
“Este é um evento em que a preparação em si não é difícil. O que é difícil é ver como é que este evento pode ter um retorno financeiro. Actualmente, somos apoiados financeiramente para fazer este evento. Talvez não seja o suficiente, mas é aquilo que conseguimos garantir, daí também fazermos uma festa logo após as serenatas”, admitiu Pedro Pereira.
Ainda assim, existe a intenção de manter a Serenata ao Luar no calendário académico durante muitos anos. A existência de um evento já reconhecido e associado tanto aos Tunídeos como à Universidade é apontada como uma das razões para continuar a tradição, desde que esta permaneça financeiramente sustentável.
“Há vontade de continuar por muitos mais anos, porque já é um evento com nome, que está associado à nossa Tuna e associado à nossa casa, a Universidade. Desde que não crie conflitos financeiros à Tuna”, referiu.
Depois da serenata, a programação dos Tunídeos prossegue com a 12.ª edição do “Apeteceu-nos”. O evento tem, segundo o Magister da Tuna, a função de reunir a comunidade académica e público exterior, além de representar uma importante fonte de estabilidade financeira.
“O ‘Apeteceu-nos’ é um evento que nos dá estabilidade, porque é um evento que tem sempre um feedback e uma adesão diferente. É um evento caracterizado pela cerveja a 0,50 cêntimos e que junta bastante povo académico e pessoal de fora. O ‘Apeteceu-nos’ já foi feito 12 vezes. Actualmente, é um evento que rende, que vale a pena. É continuar a fazê-lo, melhorando com o feedback interno e externo que nos chega”.
Pedro Pereira afirma ainda que a participação numa Tuna vai além da experiência académica, assumindo-se também como um espaço de aprendizagem e crescimento pessoal.
“As Tunas são importantes não só para a experiência académica, como para a própria experiência de vida. As Tunas dão conhecimento humano, dão conhecimento de como é que se trabalha em grupo. As Tunas não são só música, são trabalho, é conhecer novos horizontes”, explica.
O impacto estende-se também à vida académica. Ao reunirem estudantes de diferentes cursos e áreas de formação, as Tunas promovem a criação de redes de contacto que, em muitos casos, se prolongam para além da universidade. Mesmo depois de terminarem os estudos, antigos membros mantêm o contacto e continuam a partilhar experiências, projectos e conhecimentos.
“Esse poder de partilhar as experiências, tanto da Tuna como académicas, criam laços afectivos bastante grandes”, afirma.
É também por isso que Pedro Pereira deixa um convite aos estudantes que ainda não tiveram contacto com este universo: “Participem, dêem a oportunidade de conhecer as pessoas que fazem parte das Tunas e conheçam o mundo da Tuna em si. É um mundo onde se descobre muita coisa e onde se fazem laços”, reforça o Magister dos Tunídeos.
Por Vasco Blayer
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