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Projecto açoriano junta Inteligência Artificial e mergulho científico para monitorizar microrganismos marinhos

Um projecto de investigação desenvolvido nos Açores está a combinar análise de microrganismos marinhos, ciência de dados, Inteligência Artificial e mergulho científico para melhorar o conhecimento sobre o funcionamento dos ecossistemas costeiros e oceânicos do arquipélago. O MicroSent tem um financiamento total de 160.740 euros e decorre durante três anos, entre Outubro de 2025 e Setembro de 2028.
Designado por “Sentinelas Microbianos: Potenciar a Ciência de Dados e os Conhecimentos Ecossistémicos para a Gestão Sustentável Costeira e Oceânica”, o projecto tem como entidade beneficiária principal a Fundação Gaspar Frutuoso e é desenvolvido no âmbito da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade dos Açores e do OKEANOS – Instituto de Investigação em Ciências do Mar. A investigadora responsável é Clara Ângela Magalhães Loureiro.
A investigação parte do papel desempenhado pelos microrganismos nos ecossistemas marinhos e pretende utilizar a informação obtida a partir destas comunidades microscópicas como uma ferramenta para compreender melhor as condições ambientais e o funcionamento do oceano. Para isso, o MicroSent integra dados ambientais e análises microbianas com tecnologias de sequenciação de alto débito, bioinformática e inteligência artificial, associando ainda uma componente de ciência cidadã.
A utilização de inteligência artificial surge, assim, integrada na análise de grandes volumes de informação microbiológica e ambiental. A descrição oficial do projecto não permite afirmar que a IA, por si só, vá prever alterações no oceano ou antecipar fenómenos ambientais específicos. O objectivo documentado é utilizar estas ferramentas para aprofundar o conhecimento da diversidade microbiana marinha e das funções desempenhadas pelos microrganismos nos ecossistemas, produzindo informação que possa apoiar uma gestão mais sustentável das zonas costeiras e oceânicas.
O projecto ganhou uma nova vertente de interesse público em 2026 com o desenvolvimento de uma plataforma de monitorização microbiana baseada em mergulho científico. O trabalho foi apresentado por Clara Loureiro, do OKEANOS e da Fundação Gaspar Frutuoso, e João Ferraria, da Escola de Mergulho 7 Mares, durante a 9.ª European Conference on Scientific Diving, realizada entre 15 e 19 de Junho de 2026, em Ponta Delgada.
A comunicação, intitulada “From Fins to Findings: MicroSent as a Platform for Diving-Based Microbial Monitoring”, incidiu precisamente sobre a utilização do mergulho como base para uma nova plataforma de monitorização microbiana. A apresentação numa conferência internacional dedicada ao mergulho científico permitiu também divulgar a investigação desenvolvida nos Açores e estabelecer contactos com investigadores de outras instituições.
O financiamento do MicroSent é repartido de forma precisa entre duas fontes. O Programa Regional Açores 2030, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), financia 136.629 euros, correspondentes a 85% do total. Os restantes 24.111 euros, ou 15%, são assegurados pelo orçamento da Região Autónoma dos Açores através do sistema de incentivos PRO-SCIENTIA. A soma das duas parcelas corresponde aos 160.740 euros de financiamento total identificados pela Fundação Gaspar Frutuoso.
O projecto começou formalmente a 1 de Outubro de 2025 e termina a 30 de Setembro de 2028. A relevância do MicroSent reside na tentativa de trazer para a monitorização do oceano, uma componente menos visível da biodiversidade. Peixes, cetáceos, aves marinhas ou habitats costeiros são habitualmente utilizados para avaliar o estado dos ecossistemas, mas as comunidades microbianas representam outra camada de informação ambiental. O projecto procura perceber até que ponto esses dados, conjugados com novas ferramentas de análise, podem contribuir para conhecer melhor os ecossistemas marinhos dos Açores e apoiar decisões futuras de gestão.
Foto© OKEANOS – Universidade dos Açores /www.okeanos.uac.pt

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